Especialista fala sobre perigos da poluição luminosa

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Close up of woman feeling unwell at home, lying in bed under white blankets and frowning, touching head, has headache, migraine, recovering from covid.

A importância do sono para a saúde e bem-estar humano é inquestionável, não é à toa que é considerado um dos pilares fundamentais para a longevidade junto à alimentação, atividade física, sono, controle de tóxicos e manutenção dos relacionamentos.

De acordo com a pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, o sono desempenha um papel fundamental na regulação de diversos processos fisiológicos e psicológicos, como a consolidação da memória, o funcionamento do sistema imunológico, a regulação do humor e até mesmo o controle do apetite.

No entanto, o advento da luz artificial, especialmente nos últimos dois séculos, têm impactado significativamente os padrões do sono ideal. A extensão das horas produtivas e a falta de consciência sobre os efeitos negativos da exposição excessiva à luz artificial, principalmente durante a noite, traz muita preocupação aos especialistas.

“‘A falta de luz durante o dia e sobra de luz durante a noite’ já tornou-se tema de conteúdo produzido pelo Conselho de Cronobiologia da Associação Brasileira do Sono”, conta a médica, que detalha a questão: “A exposição à luz artificial à noite interrompe o ritmo circadiano natural do corpo, o que pode levar a uma série de problemas de saúde. O ritmo circadiano é um ciclo biológico de aproximadamente 24 horas que regula o sono e a vigília. A exposição noturna à luz artificial, especialmente à luz azul emitida por dispositivos eletrônicos como smartphones e computadores, suprime a produção de melatonina, o hormônio do sono. Isso resulta em dificuldade para adormecer, sono de má qualidade e perturbação do ciclo natural de vigília-sono, que é essencial para regular as funções vitais do organismo.

De acordo com a especialista, quanto mais tarde a pessoa for dormir, menos tempo de sono ela terá, ou pode ocorrer a privação do sono, e aí aumentar o risco para as doenças cardiovasculares.

“As enfermidades do coração como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) podem ocorrer sem uma qualidade de sono. Uma noite mal dormida pode causar obesidade, aumento da pressão arterial, do colesterol, do próprio estresse, e isto é um reflexo de todos estes males que afetam a saúde do coração. A qualidade do descanso noturno e a saúde cardiovascular estão relacionadas”, explica a médica.

Para combater os efeitos negativos da poluição luminosa, é essencial reduzir a exposição à luz artificial durante a noite. “Não utilizar os dispositivos eletrônicos antes de dormir, como celulares, aparelhos de televisão, tablets, notebooks, precisa ser eliminada”, pontua Jessica. Além disso, é importante promover a conscientização sobre a importância de um sono adequado e de práticas saudáveis de higiene do sono.

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