quarta-feira, 29 de junho de 2022
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Meningite: Nova vacina apresenta alta proteção a bebês de até 2 anos

Uma nova vacina contra a meningite meningocócica apresentou alta proteção em bebês de até dois anos para os quatro tipos de bactérias mais comuns nessa faixa etária e que nunca haviam tido contato com o patógeno.

A vacina induziu a uma resposta imune similar à da fórmula já existente, conhecida como monovalente contra meningite causada por meningococo C, e apresentou ainda proteção elevada comparada à vacina quadrivalente também já em uso, que protege contra os tipos A, C, W e Y.

Os resultados do estudo clínico de fase 3 que avaliou a não inferioridade do imunizante em comparação aos outros dois foram publicados no último dia 21 na revista especializada Human Vaccines and Immunotherapeutics.

O que é a doença?

A meningite é uma inflamação nas meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus e bactérias ou, de forma menos comum, por fungos, parasitas, medicamentos e tumores. A meningite meningocócica é uma infecção pela bactéria Neisseria meningitidis e pode atingir pessoas de qualquer faixa etária.

A transmissão da doença meningocócica é feita por gotículas ou secreções do nariz e gargantas de pessoas contaminadas pela bactéria, ou seja, são necessários contato e convívio no mesmo ambiente. Algumas pessoas podem apresentar e transmitir a bactéria sem estar doentes.

A vacina

De acordo com a farmacêutica Sanofi, a vacina em estudo, chamada MenQuadfi (MenACWY-TT), é inovadora por induzir uma resposta imune superior ao tipo C do meningococo em comparação às outras fórmulas mono e tetravalente, da farmacêutica Pfizer. O meningococo C é o principal agente causador da doença meningocócica invasiva no Brasil (corresponde a cerca de 80% dos tipos de meningite meningocócica no país).

Além disso, o imunizante se mostrou seguro, sem a ocorrência de efeitos adversos graves.

Para avaliar a resposta imune da nova fórmula, os pesquisadores recrutaram 701 bebês de 12 a 23 meses, que não haviam recebido nenhuma vacina meningocócica prévia, em 29 centros distribuídos em Alemanha, Dinamarca e Finlândia.

Do total de bebês, 230 receberam a vacina MenQuadfi, 232 receberam a quadrivalente da Pfizer e 239 receberam a monovalente contra o tipo C. Amostras de sangue foram colhidas no primeiro dia antes da vacinação e 30 dias depois para avaliar anticorpos produzidos.

Segundo Isabelle Bertrand, vice-diretora de assuntos médicos de vacinas na Sanofi Europa, esse é o primeiro estudo que demonstrou uma vacina meningocócica quadrivalente tendo uma resposta imune superior em crianças não previamente imunizadas em comparação com uma vacina monovalente disponível.

“O meningococo C é atualmente o que mais causa meningite meningocócica no Brasil, porém um aumento significativo na incidência de meningite causada pelo tipo W, mais agressivo, também tem sido observado nos últimos dez anos. Dada a imprevisibilidade do tipo em circulação, é importante expandir ainda mais a proteção contra os quatro principais tipos [A, C, W e Y] da doença”, disse.

Além disso, quando avaliadas três anos depois, 100% das crianças imunizadas com a MenQuadfi tinham ainda anticorpos –ante a marca de 6 em cada 10 alcançada com a vacina quadrivalente.

No Brasil

No Brasil o Programa Nacional de Imunização oferece a vacina monovalente C no calendário de rotina da criança, com três doses da versão conjugada ao três, cinco e 12 meses (reforço). A forma contra o meningococo B é ofertada para os bebês na rede privada. Já a forma quadrivalente é ofertada na rede pública para jovens de 11 e 12 anos desde 2020.

 

 

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