quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Alergia a crustáceos: médico alerta sobre cuidados no preparo da torta capixaba

O período da Semana Santa tem tudo a ver com a tradicional torta capixaba. Vários restaurantes na Grande Vitória e até mesmo famílias que levam a tradição de geração em geração estão envolvidas com o preparo da comida, normalmente servida na Sexta-feira da Paixão, que simboliza também o fim da Quaresma no catolicismo.

Porém, algumas pessoas vão ficar com “água na boca” neste fim de semana: os alérgicos à crustáceos. Frutos do mar como siri, camarão, ostra e sururu fazem parte da receita tradicional, mas podem representar um perigo real à saúde de quem tem alergia a este grupo de alimentos.

O psicólogo Gustavo Araujo Fontoura é um deles. Morador de Vitória, ele passou um sufoco em 2017, quando estava numa casa de veraneio em Praia Grande, na Serra, e começou a sentir os primeiros sintomas de alergia ao comer caranguejo.

“Comecei a sentir uma coceira na língua. Ela ficou inchada e minha boca também inchou. Fiquei bem preocupado com aquilo e quase fomos para o hospital. Resolvi esperar, mas foi bem arriscado. Fiquei assustado com isso. A partir daí, parei de comer qualquer tipo de crustáceo”, disse.

Médico faz alerta ao preparo da torta

O alergista José Carlos Perini, que é médico especialista em Alergia e Imunologia, faz um alerta às pessoas que preparam a torta capixaba. As tortas são feitas com vários ingredientes e um simples toque de colher de um prato para outro pode desencadear consequências graves em quem consome o alimento posteriormente.

“Tem que ter o cuidado no preparo da torta. Às vezes a pessoa está temperando os alimentos e usa a mesma colher no camarão e depois em outro ingrediente ou em um molho comum aos dois. Há casos também de fritar o peixe em uma gordura onde já havia fritado o camarão, por exemplo. Tem que ser bem vigilante em todo o processo”, alerta.

Divulgação/Arquivo Pessoal

O médico afirma que a gravidade varia de caso a caso, com ondas de força e sintomas que podem ir de um simples mal-estar até situações que exijam internação rápida.

“A alergia pode variar de intensidade, pode estar no início e a pessoa sentir só uma coceira na garganta, um mal-estar quando come. Mas também pode chegar num nível que a pessoa nem precisa comer, mas só de estar no ambiente onde é preparada a comida ele pode ter uma reação alérgica grave”, revela.

Reprodução/Portal 27

Tratamento

O Dr. José Carlos Perini, que também é presidente vitalício da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), destacou que deve ser mais difundida entre as pessoas uma cultura de prevenção e tratamento rápido à reação alérgica. Justamente para evitar que a gravidade do caso evolua à um óbito que seria evitável caso fosse tratado no momento certo.

“A pessoa que sabe que é alérgica deve ter um kit de emergência para os momentos de crise, com antialérgicos, anti-histamínicos ou corticoides. Ela toma dois comprimidos e corre para o pronto-socorro. É a única recomendação segura que a gente tem. Mas a única coisa que pode parar realmente uma reação alérgica grave é a adrenalina, mas infelizmente ela não é vendida em farmácias”.

A alergia a crustáceos é bem específica e a pessoa responde somente a eles. Esse tipo de animal é aquele que tem um exoesqueleto, uma casca, sejam eles de rio ou mar como sururu, mexilhão, ostra, camarão, lagosta, king crab, siri, caranguejo, guaiamum, entre outros. Mariscos como lula e polvo não entram na lista.

“Não é a casca que dá a alergia, mas a proteína da carne deles. Essa sensibilidade é muito forte e a alergia a crustáceos é a mais comum que temos em cidades litorâneas, pela frequência do acesso a esses alimentos”, afirmou o alergista.

Neide Braga

Opção é a torta capixaba com bacalhau

Introduzida pelos portugueses à receita da torta capixaba, junto à azeitona e o azeite, o bacalhau traz polêmica ao assunto, mas também é tratada como um gostinho a mais ao prato.

O médico José Carlos Perini cita que a substituição dos crustáceos pelo bacalhau é uma opção para que os alérgicos não corram riscos e possam comer a Torta Capixaba neste fim de semana.

“A torta capixaba clássica está proibida, fora de cogitação para quem tem alergia à crustáceos. Uma opção seria a torta de bacalhau, de peixe ou de sardinha, sem incluir esses crustáceos. É o ideal para essas pessoas”, finaliza.

Homem morreu ao comer arroz com siri em Vitória

Em setembro de 2019, um homem morreu logo após comer arroz com siri desfiado em Vitória. Alcebíades Milton Cabral tinha 60 anos, era alérgico a crustáceos e comeu o prato de um colega sem saber que tinha o animal na comida.

Divulgação

Mestre Cabral, como era conhecido, era ativista do Movimento Negro no Espírito Santo e também mestre de Capoeira. Ele chegou a ser socorrido por colegas de trabalho e levado por uma ambulância do SAMU, mas morreu ao dar entrada no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Vitória.

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