quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Dia Mundial da Obesidade chama atenção para cuidados e respeito

Nesta sexta-feira (4), é lembrado o dia mundial da obesidade. Um marco estipulado para prevenir o excesso de gordura corporal, em uma quantidade que determine prejuízos à saúde, mas que, também, serve para conscientizar socialmente sobre a existência de pessoas obesas e o respeito sobre elas. 

A data do dia da obesidade original era lembrado em 11 de outubro mas, em 2020, foi mudada pela Federação Mundial de Obesidade (WOF) para 4 de março. Segundo a WOF, 800 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com obesidade e as consequências médicas da doença custarão mais de US$ 1 trilhão aos países, até 2025.

Pensando nessa conscientização e prevenção, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) lançaram a campanha Obesidade: conhecimento, cuidado e respeito!

A campanha é devido um levantamento com 3.621 pessoas sobre obesidade e gordofobia realizado pelas entidades em fevereiro do ano passado, que revelou que 88% delas apresentavam excesso de peso, sendo 37% com obesidade grau 3.

Mais de 60% da população brasileira é obesa e dessa porcentagem, somente 20% são adultos de acordo com dados do Ministério da Saúde. A doença acomete mais da metade populacional do país e tem ainda em sua maioria, crianças, ou seja, a geração futura merece atenção e cuidado muito especial. 

Uma pessoa apresenta diagnóstico de obesidade quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2. A pesquisa realizada pela Sbem e a Abeso revelou também que somente 13% das pessoas procuraram ajuda para perder peso no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que 62% desse contingente declararam que não se sentiram confortáveis e acolhidos no atendimento.

De acordo com a presidente do Departamento de Obesidade da Sbem, a endocrinologista Maria Edna de Melo, para minimizar o impacto da doença na saúde populacional a única forma é ampliar o conhecimento sobre o tema e o oferecimento do cuidado adequado.

O vice-presidente do Departamento de Obesidade da SBEM, Márcio Mancini, explicou que superar a obesidade na infância pode ser um problema enorme devido a discriminação social que existe sob a doença.

Márcio afirmou que antes de ir para a escola, a criança obesa já tem uma certa estigmatização dentro da própria casa, “fruto de como as pessoas com excesso de peso são tratadas de modo geral”. E ainda explicou que  “a piada sobre gordinho” é algo que a população ainda não considera como politicamente incorreto, mas como uma escolha individual da pessoa.

Em casa também ocorre a discriminação, principalmente, quando a família possui um filho com excesso de peso e outro magrinho, que compartilham o mesmo ambiente, a mesma alimentação muitas vezes, “mas a genética de um é diferente do outro”, disse Mancini.

A endocrinologia Maria Edna indicou que o preconceito pode, inclusive, piorar a obesidade, porque quase 30% das pessoas com sobrepeso importante acham que são culpadas por aquela condição e não buscam ajuda profissional.

“Não é uma questão de força de vontade”, afirmou a especialista. Ela ressaltou que a obesidade é uma doença que sofre influência de diversos fatores como a genética, o estilo de vida, o estresse, a existência de outras doenças associadas, alguns tratamentos medicamentosos, além do tipo de alimentação que aquela pessoa segue. “Não é uma escolha individual, mas consequência de uma confluência de fatores.”

Márcio Mancini reforçou que a discriminação e o estigma que cercam as pessoas com excesso de peso acabam sendo levados para os consultórios médicos. “Mulheres com obesidade fazem menos exames preventivos, como Papanicolau, mamografia. São menos examinadas”.

O médico ressaltou que falta uma discussão mais profunda sobre isso. Os médicos tratam menos também da doença obesidade, concentrando-se no colesterol, na glicose alterada, na pressão alta. “Mas não abordam o problema de uma forma mais eficaz.”

Segundo Maria Edna, isso chama a atenção para outro dado preocupante, que é o preconceito que a pessoa com obesidade sente ao procurar ajuda médica. “Precisamos de profissionais mais bem preparados e prontos para atender a essa demanda”, manifestou a endocrinologista.

Márcio Mancini, por fim, sublinhou que a maior parte das escolas médicas do país dedica muito pouco dos seis anos de ensino para falar sobre obesidade com os alunos. Revelou ainda que uma grande parte das residências médicas de endocrinologia ensina para os residentes doenças da tireoide, da hipófise, doenças do crescimento e do desenvolvimento, mas algumas não têm sequer obesidade como matéria considerada importante.

 

 

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