quarta-feira, 12 de junho de 2024
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PSOL manifesta solidariedade a padre acusado de envolvimento com crime organizado e pede providências à Ales

O padre Kelder Brandão, responsável pela Paróquia Santa Teresa de Calcutá, na região da Grande Maruípe, em Vitória, foi acusado na última segunda-feira (11) por deputados estaduais de permitir a realização de uma suposta festa na quadra de uma igreja católica no bairro São Benedito, na mesma região.

O vídeo de um suposto baile funk, com pessoas armadas, foi divulgado durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) na mesma data. As ofensas ao padre geraram comoção e notas de solidariedade e repúdio às falas dos parlamentares.

Nesta sexta-feira (15), o Psol-ES divulgou uma nota em solidariedade ao Padre Kelder Brandão. A nota emitida pelo partido repudia as acusações e ataques dirigidos ao padre, além de fazer um apelo ao governador Renato Casagrande (PSB) e ao presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), solicitando medidas diante dessa situação.

A sigla também afirma que os deputados foram “irresponsáveis”, uma vez que “utilizaram um espaço público para disseminar informações falsas”.

Entenda o caso

O vídeo que mostra pessoas armadas em uma suposta festa em São Benedito, foi exibido pelo deputado Coronel Weliton (PTB). Na sequência, Lucas Polese (PL) ligou o vídeo ao padre Kelder, alegando que o sacerdote estaria “mais preocupado em perseguir a polícia, em condenar a polícia, em atacar o trabalho policial, do que pregar a palavra de Deus, o Evangelho”. Polese ainda postou no último dia 12, em seu perfil no Instagram, um vídeo em que chama o eclesiástico de “padre fake”.

Coronel Weliton (PTB) exibiu vídeo com suposta festa envolvendo criminosos – Foto: Lucas S. Costa/Ales

O deputado Callegari (PL) foi outro que discutiu o tema de forma agressiva. “É vergonhoso ver um centro ligado à nossa Igreja sendo usado de maneira vergonhosa por bandidos. Mais estarrecedor é ver um padre, como o Kelder, que é um militante que age dentro da Igreja Católica, a serviço de ideias que não representam o Evangelho do Nosso Senhor, representam a cartilha de Karl Marx”, afirmou o parlamentar.

Na mesma sessão ordinária, a deputada Camila Valadão (Psol) reagiu e pediu respeito ao padre, além de declarar que as imagens não são no espaço informado pelo parlamentar.

Lucas Polese (PL) acusou o padre Kelder Brandão de envolvimento com criminosos – Foto: Lucas S. Costa/Ales

O Psol, partido de Camila, emitiu a seguinte nota nesta sexta:

“O PSOL vem à público se solidarizar com o Padre Kelder Brandão, vítima das acusações infundadas por alguns pequenos deputados que usam a prerrogativa dos mandatos e sustentam os ataques a população do Território do Bem.

O PSOL repudia os ataques feitos ao Pároco e repudia a prática de narrativas falsas e acusadoras contra ele, assim como a exposição falsa e mentirosa feitas por esses sujeitos que não buscam conhecer os fatos.

O PSOL questiona o Sr. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo quais providências estão sendo tomadas como medidas de retratação dessa casa legislativa ao Padre Kelder Brandão e a Comunidade do Território do Bem, além de quais a medidas punitivas aos deputados que usaram um espaço público para divulgar informações falsas.

O PSOL questiona ainda ao Sr. Governador do Estado e ao Presidente da Assembleia Legislativa, quais as medidas para resguardar a integridade física do Padre Kelder Brandão após as falsas acusações oriundas de certos deputados.

Diretório Estadual do PSOL e Diretórios Municipais”

Camila Valadão (Psol) defendeu o padre Kelder das acusações – Foto: Lucas S. Costa/Ales

Arquidiocese

A Arquidiocese de Vitória publicou uma nota oficial em seu site, na última segunda, onde nega qualquer relação entre o padre Kelder Brandão e a igreja com o suposto baile. A entidade ainda afirma que o prédio onde teria acontecido a festa não está sob responsabilidade da igreja católica.

“O prédio em referência foi dado em comodato ao SECRI, que desempenha sério trabalho social (com crianças, adolescentes, jovens e suas famílias que vivem em situação de risco e vulnerabilidade social, favorecendo a formação ética e social do seu publico alvo)”, diz a nota da Arquidiocese, que continua:

“A Igreja não tem qualquer responsabilidade sobre o contexto alardeado pelas autoridades legislativas, no que concerne à invasão de possíveis criminosos e promoção de “festas” com cunho ilícito e imoral. A contenção do avanço da criminalidade é de competência do Poder Público, afinal a missão precípua da Igreja é levar o evangelho a todos os povos e em qualquer lugar que eles se encontrem”.

A Arquidiocese de Vitória também prestou apoio e solidariedade ao padre Kelder, rechaçando veementemente o vídeo exibido.

A reportagem do MovNews entrou em contato com o padre Kelder Brandão, mas as ligações não foram atendidas.

Ales

A reportagem entrou em contato com a assessoria do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. Assim que houver uma resposta, o texto será atualizado.

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