quarta-feira, 29 de junho de 2022
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Lavajatistas endossam falas de Fux sobre operação e criticam “esquecimento” da corrupção

Esquecido eleitoralmente, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro foi às redes sociais repercutir declarações dadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. “Palavras fortes do Ministro Fux”, escreveu o ex-juiz da Lava Jato em sua conta no Twitter. Outros lavajatistas também repercutiram a fala do ministro.

Moro foi além e creditou a uma suposta crise moral o que alega ser o esquecimento dos casos de corrupção, sua principal bandeira política para tentar chegar à Presidência da República, cargo este que abdicou de disputar.

“Todo o roubo ou o saque dos cofres públicos está sendo infelizmente esquecido. A crise é acima de tudo moral”, acrescentou o ex-ministro do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em tom semelhante, o ex-procurador Deltan Dallagnol também elogiou as afirmações do ministro do STF. O ex-coordenador da Lava Jato, com quem Moro foi flagrado em conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil, embora afirmem não reconhecer os diálogos vazados, parabenizou Fux por enaltecer o trabalho da operação.

“Parabéns ao ministro Fux por reconhecer o trabalho da Lava Jato e dizer que ninguém pode esquecer dos bilhões desviados: a corrupção no Brasil é real”, escreveu Dallagnol em sua conta no Twitter, ao mesmo em tempo que dividiu a Suprem Corte entre “minoria honrosa” – grupo este no qual afirmou estar inserido o ministro – e aqueles que não defenderiam o combate à corrupção.

Se por um lado Fux condenou o afirma ser esquecimento do Mensalão e dos crimes revelados pela Lava Jato, o ministro reconheceu que a anulação de algumas condenações na operação realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná tenha ocorrido de maneira “formal”.

As declarações foram dadas em uma palestra comemorativa pelos 75 anos do Tribunal de Contas do Pará (TCE-PA), realizada na última sexta-feira (10). Na ocasião, o Fux abordou o papel das Cortes de Contas no controle dos gastos públicos.

Parlamentares também repercutiram a fala do presidente do STF. A deputada estadual de São Paulo Janaína Paschoal (PRTB), por exemplo, criticou o que chamou de “meras formalidades”, afirmando que os acusados na Lava Jato tiveram “as melhores defesas”.

“Com todo respeito, meras formalidades justificam jogar tudo para baixo do tapete? Todos tiveram as melhores defesas! Pensem no mal que essas anulações fizeram ao País! De que adianta esse belo discurso agora? É triste! É vergonhoso!”, disse a pré-candidata ao Senado Federal nas eleições deste ano.

Requisitos

O doutor em Direito Processual Maurício Zanoide de Moraes, professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), disse ao jornal O Estado de São Paulo que as anulações da Lava Jato não se deram por “mera formalidade”.

Zanoide defendeu que as condenações não crumpiram requisitos de imparcialidade e competência do juiz, ou seja, de Sergio Moro, questões que, segundo o doutor, são fundamentais em um julgamento.

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