domingo, 15 de maio de 2022
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Karla Coser no MovNews destaca: “Duas mulheres numa Câmara de 15 vereadores”

O Movimento Político recebeu a vereadora Karla Coser do Partido dos Trabalhadores (PT) para um bate-papo com nosso repórter Edilson Lucas do Amaral. Violência política de gênero, extrema direita brasileira e o futuro político da vereadora foram alguns dos assuntos abordados. Além disso, a conversa também pautou a atuação da vereadora capixaba, destacando desafios, conquistas e pautas defendidas.

A seguir você confere alguns trechos da entrevista. Para assistir o bate-papo na íntegra acesse o vídeo desta publicação.

Na época da Ditadura Militar existia um extremismo, que se julgava um extremismo de esquerda, depois veio a redemocratização, o PT chegou ao poder com ações progressistas, e hoje percebe-se um extremismo de direita. Vejo sua posição de tentar mostrar para a sociedade que existe extremismo de direita na Câmara e que isso não é adequado. Como você analisa esse ciclo? Você acha que a política é dinâmica ao ponto de daqui a 30 anos a gente ter uma mudança comportamental?

“Com certeza eu acredito que a política é cíclica, mas eu discordo de que uma extrema esquerda já tenha estado à frente da política do Brasil. Acho que quando o Partido dos Trabalhadores esteve à frente da presidência da república, a gente teve um movimento mais progressista de direitos sociais que avançou e essas pautas sociais muitas das vezes assustam uma parte da sociedade. Esse movimento de retaliação, digamos assim, a esses avanços, eles nos trouxeram a essa realidade que é o presidente Bolsonaro. E por quê a gente chama o Bolsonaro de extrema direita?! Porque não há nada mais à direita que ele no país. A gente sabe que existem manifestações ainda mais à direita em outros países, infelizmente a gente tem visto surgir aqui no Brasil manifestações de apoio a ideologias que deveriam ser extirpadas da sociedade, como o nazismo. Recentemente a gente viu, dois, três casos assustadores. Mas essa política de extrema direita ela foi uma reação a esses avanços, então o conservadorismo ele avança nessa lógica dos direitos sociais que foram garantidos, da discussão das cotas, dos movimentos LGBT, dessa participação mais popular e de diversidade, que para um campo menor da nossa sociedade ele assustou-se de uma certa forma. Então eu acredito sim, e a história comprova isso, que a política é cíclica, e eu espero e trabalho para que daqui a 30 anos a gente esteja em outro momento, um momento mais progressista, de discussão de pautas, que vão avançar nos direitos sociais. Na minha opinião esse é um momento onde a gente tá regressando na política e nos avanços que nós pretendíamos para a sociedade.”

Você acha que esse momento de regresso, gerou ‘liberdade’ para essa ala mais conservadora crescer? Deixando as pessoas à vontade para, não havendo um consenso de comportamento? Você tem uma análise sobre isso, ou acha que é algo pontual pela postura do presidente em um líder político?

“Eu acho que o que aconteceu nos últimos anos no Brasil foi uma dificuldade que uma parte mais progressista da sociedade, e aí tem uma responsabilidade dos Partido dos Trabalhadores e de todo o campo da esquerda, de não conseguir avançar economicamente e avançar politicamente na nossa construção cidadã. As pessoas acreditaram que as mudanças nas próprias vidas, a condição de comprar uma casa, um carro, de entrar na universidade era uma condição estritamente meritocrática, então ‘eu trabalhei, eu consegui, eu fui atrás’, e por isso ‘eu mereço’ e não reconheceram que isso foi um trabalho político e social de investimento e aí nessa lógica do ‘eu mereço e outras pessoas as vezes não mereceriam e por conta disso eu sou mais capaz para tomar decisões’ levou a gente a decisões, que eu acredito equivocadas. Pra mim o caminho que a gente tem seguido agora, e aí eu falo assim, dentro da área do meio ambiente, dentro da área da economia, toda essa lógica política que tem se conectado com condução do Governo federal, a gente tem visto que não está dialogando com os anseios da sociedade, e aí as pessoas se tocaram. Elas estavam insatisfeitas com o caminho político por conta de uma grave acusação da mídia e das ruas, eu não posso negar, que os movimentos de 2013 foram muito fortes contra a Dilma. Mas o reflexo disso foi uma antipolítica e é esse o caminho que eu tenho tentado debater, que a política é um caminho bom, um caminho saudável e não essa antipolítica que foi programa e difundida nesses últimos anos”.

A Câmara Municipal de Vitória teve poucas mulheres em sua legislatura. Houveram Câmaras com uma, no máximo duas como é a atual. É desafiador ser vereadora de Vitória?

“Nós somos 2 mulheres numa Câmara de 15 vereadores e isso aconteceu depois de 20 anos. Durante 20 anos a gente teve apenas a vereadora Neuzinha. Então eu acho que é sintomático, porque nós dobramos a quantidade e a gente vem de uma campanha muito forte do TSE de participação feminina na política para que as mulheres não sejam candidatas laranjas, para que elas de fato entrem para disputar as vagas. É muito desafiador porque infelizmente existe a violência política de gênero e existe uma parte das pessoas que estão naquela Casa, naquele espaço, que não reconhecem a mulher como capaz de ocupar aquele espaço, e no meu caso uma mulher jovem, que entra na Casa pela primeira vez. Já me mandaram estudar, já falaram que a gente era muito abusada, coisas que não se falam para homens, por exemplo, que entram tão cedo na política. Então eu acredito muito que a política vai melhorar quando a gente tiver mais mulheres nesses espaços, porque nossa sociedade é composta majoritariamente por mulheres, nós somos 53% da população, se a gente pretende ser uma democracia representativa de fato, a gente deveria ter no mínimo, em todas as casas legislativas, pelo menos 50% de cadeiras para as mulheres”.

Karla Coser tem 31 anos, é casada, formada em direito e está em seu primeiro mandato como vereadora na Câmara Municipal de Vitória. Recentemente foi eleita como vereadora mais atuante da Câmara pela população capixaba, em uma pesquisa on-line realizada pelo portal Radar 365, que circulou pela internet entre os dias 22 e 24 de fevereiro.

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