quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Ignorado por Vandinho, César Colnago deixa PSDB para disputar governo pelo PSD

Quando um não quer dois não brigam. Assim se deu a saída de César Colnago do PSDB estadual, hoje sob o comando do deputado estadual Vandinho Leite, que tem ignorado o ex-vice-governador. A solução encontrada foi assinar, na tarde desta quarta-feira (30), a desfiliação do partido que ajudou a fundar no Espírito Santo, em 1988, para se juntar às fileiras do PSD e concorrer ao Executivo no pleito deste ano.

A relação que já não era boa ficou insustentável após insistentes ligações não atendidas. O último contato entre ambos havia sido em janeiro deste ano. Agora em março, em raro encontro, Colnago defendeu sua posição, também levada à Executiva Nacional tucana.

“Falei para ele [Vandinho] e também para a nacional que, da forma que estava sendo conduzido, eu não ficaria no partido, porque o meu projeto não estava sendo contemplado”, relatou. Questionado sobre a reação de Vandinho sobre o exposto, o ex-tucano disse apenas que: “ele ouviu”.

A insistência de Colnago se motiva por pesquisas internas que o apontariam bem posicionado para encarar o pleito de outubro deste ano. Isso rendeu estímulo inclusive de outros líderes do partido, a exemplo do governador de São Paulo, João Doria. No entanto, o apoio foi insuficiente para convencer Vandinho.

Hoje, o ninho tucano segue à sombra do PSB e tende a apoiar a reeleição de Renato Casagrande. Na visão de Colnago, o alinhamento precoce é prejudicial à democracia interna da sigla, algo que não ocorre em nível nacional.

“O problema está no regional. Eles estão numa relação antecipada. Isso é coisa que se define no processo”, disse à imprensa em sua casa, na Mata da Praia, Vitória. “Sinto no contato com as pessoas na rua, na Grande Vitória e no interior que é para disputar, é para colocar meu nome como opção”.

“Eu tenho um partido nacional, tenho 30 anos de filiação, sete mandatos completamente limpos, presidente do Conselho de Ética Nacional, aí vejo uma tendência do partido de ir com Renato. Pode até ir, discutindo, decidindo na hora certa, mas não antecipadamente”, relatou Colnago a conversa que teve com o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, que pediu paciência. “Eu resolvi não esperar”, explicou – o prazo para mudança de partido se encerra no próximo sábado (2).

Ex-vice-governador não concorrer a outro cargo que não seja o Executivo estadual, mas, caso não se viabilize, não descarta buscar o Senado – Foto: Erick Alencar

Sem tempo a perder, escolheu a nova casa, o PSD de Gilberto Kassab. A filiação foi tratada com o presidente estadual José Carlos da Fonseca Júnior, o Zé Carlinhos, de quem é amigo e com quem esteve no governo de Paulo Hartung (sem partido). A ficha de filiação deve ser assinada nas próximas horas, no mais tardar na sexta-feira (1°).

Zé Carlinhos foi secretário-chefe da Casa Civil e inclusive cotado para ser vice na chapa de reeleição do ex-governador, em 2018 – candidatura que nunca consolidou. Ele tem se reunido rotineiramente com Colnago, que também vem se encontrando com Guerino Zanon, prestes a fechar questão com o PSD e deixa nesta quinta-feira (31) o cargo de prefeito de Linhares para tabelar com o futuro correligionário em busca do Anchieta.

A definição de quem pode encabeçar uma chapa vai ficar mais para frente. “Guerino tem conversado comigo isso. O partido que decide, na hora certa. Não pode é excluir”, afirmou Colnago, satisfeito com o tom das negociações. “O ambiente é aberto, maduro”, contou, antes de revelar que, em caso de não se firmar como cabeça de chapa, pode tentar o Senado – apesar da dificuldade por ser apenas uma vaga – e, em último caso, vice. “Não quero mais”.

Colnago se reúne na próxima semana com Kassab, que, para uma eventual disputa presidencial, já que o PSD busca um nome para tentar formar a até agora incipiente terceira via, corteja Hartung. Este, contudo, disse à imprensa na última segunda (28) que não topa o desafio. Ele era cotado para ser o “plano B” ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que recuou de mudar de partido e permanece no PSDB.

As articulações nacionais têm grande importância em nível estadual, como bem sabe Colnago. “Todo partido tem que ter um candidato majoritário nacional para efeito das candidaturas de governador, principalmente [deputado] federal, que é uma coisa que os partidos trabalham muito, pela importância que tem tanto na representação como também no fundo partidário, ele [Kassab] vai apostar muito em fazer chapa de federal”.

Atento às tratativas no alto escalão social democrático, Colnago torce por um candidato à Presidência da República. Em virtude da divisão interna da nova sigla, onde parte quer apoiar o ex-presidente Lula (PT), líder nas pesquisas, e outra ala é aliada de Jair Bolsonaro (PL), o mandatário do PSD garante não tomar partido até o fim do primeiro turno.

“A minha tendência é seguir o que for decidido pelo partido”, respondeu Colnago quando perguntado se subiria no palanque de Lula, caso sua nova casa apoie o petista. Já em relação ao eventual endosso a Bolsonaro, mostrou-se descrente. “É uma hipótese que eu não sei se vai acontecer”.

Histórico

Atualmente, César Colnago atua na área técnica de gestão e planejamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Por 30 anos esteve no PSDB, partido que deixou somente por três anos, quando migrou para o PPS (hoje Cidadania) em seu terceiro mandato (2000-2002) de vereador de Vitória e se elegeu deputado estadual (2003-2006), época em que presidiu a Assembleia Legislativa (Ales) e retornou ao ninho tucano.

Após o segundo mandato (2007-2011) na Casa de Leis, concorreu e foi eleito deputado federal (2011-2014). Deixou a Câmara Federal ao fim da legislatura e chegou a vice-governador no terceiro mandato de Hartung (2015-2018).

Depois da mal ensaiada jogada do então emedebista, que saiu do partido e deixou aliados ao relento para a fácil vitória de Casagrande, Colnago tentou uma nova candidatura (de improviso dada a conjuntura da época) para deputado federal, mas não obteve sucesso. Agora, o experiente político inicia uma nova jornada partidária.

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