quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Vitória

“Enquanto não houver Educação de qualidade é a polícia que vai entrar na favela”, diz Aridelmo

Com um sorriso seguro de si e um olhar determinado, o secretário da Fazenda de Vitória, Aridelmo Teixeira (Novo), afirmou que o tempo dos velhos políticos está com os dias contados e que o administrador da coisa pública precisa dialogar com a sociedade, investindo prioritariamente em Educação de qualidade.

Crítico da Educação do próprio município que ajuda administrar, apontando falhas e até entrando em rota de colisão com professores, Aridelmo Teixeira parece querer mudar o mundo a sua volta, aplicando no raciocínio da vida pública a mesma lógica que ele usa na administração de sua empresa, uma bem sucedida faculdade particular da  capital:

“A sociedade precisa discutir seus problemas e traçar um projeto de futuro. Enquanto a Educação não for tratada como prioridade máxima, estaremos fadados a mandar a polícia resolver os problemas nas áreas pobres e que estão nestas condições justamente por falta de oportunidades, por falta de uma escola acolhedora”, afirma.

Recentemente, Aridelmo Teixeira teceu criticas à condução das políticas de Educação no Brasil e, imediatamente, foi atacado nas redes sociais. A fala, proferida numa reunião pública, teve a proeza de desagradar professores, diretores, segmentos da Secretaria Municipal de Educação, o prefeito Pazolini, pais e educadores.

Apontando que “a educação de Vitória é de péssima qualidade”, pois “nossos alunos não aprendem”, a fala causou indignação entre os docentes e motivou também o repúdio das vereadoras Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol). A afirmação foi feita durante apresentação do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), que prevê onde os recursos serão alocados em 2022.

Errado, Aridelmo não estava. E a pandemia piorou um cenário ainda mais desastroso da Educação no Brasil, que aponta para crianças em idade escolar que sequer sabem ler na capital.

“O Teste Pisa deixou isso claro. Nossos alunos não sabem as duas línguas que eles mais vão ter que falar na vida: a Língua Portuguesa e a Matemática. Estamos no final da fila quando o assunto é uma Educação inclusiva, que acolha, que instrua para o mercado, para a vida em coletividade”, afirma, apontando para um futuro tenebroso caso os investimentos não sejam implementados como devem ser.

Para Aridelmo Teixeira, o Estado e a capital passaram muito tempo sem investimentos robustos na área do conhecimento.

“Hoje os pais que tem filhos nas escolas públicas municipais de Vitória elogiam os serviços prestados pois, antes dos nossos investimentos, as coisas estavam mesmo caóticas”, defende, apontando os investimentos da atual gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos).

“São 52 escolas ampliadas, construídas ou reformadas em menos de 18 meses de administração. Estamos investindo R$ 86 milhões só em Educação, ampliando possibilidades de inclusão e melhorias das unidades”, revela.

É essa experiência na vida pública e privada que Aridelmo Teixeira quer usar para administrar o Espírito Santo. Isso mesmo. Ele quer ser governador do Estado e, para isso, vai deixar a Secretaria da Fazenda para começar a pré-campanha.

Começar é um modo oficial de falar, já que Aridelmo e sua equipe têm andado o interior numa verdadeira caravana, gravando vídeos e ensinando o suposto caminho das pedras de uma administração pública.

Crítico dos últimos governos, inclusive do aliado Paulo Hartung (Sem partido), Aridelmo diz que 20 anos é um tempo razoável para que investimentos em qualquer área comecem a aparecer. “Se não estão acontecendo, tem algo errado, que precisa ser corrigido”, alfineta.

Quem é

Aridelmo Teixeira iniciou sua trajetória como catador de latinhas e hoje se destaca como um dos principais nomes do Brasil na Educação de negócios, com a Fucape Business School. Secretário da Fazenda de Vitória, Aridelmo tem a chave do cofre de Vitória. Mas nem sempre foi assim.

“Aos meus 9 anos, tínhamos poucos recursos e morávamos no subúrbio. Um dia descobri um comprador de latinhas e comecei a catar latinhas junto aos meus irmãos Arilton e Arilda, para fazer dinheiro. Foi nessa época que comecei a sentir o gosto do que era trabalhar e produzir. Praticava um empreendedorismo de necessidade mas, catando latas, percebi que o mercado é feito de trocas: alguém gera valor e alguém paga por isso”, ensina.

Quando fez 17 anos, o pai o inseriu no primeiro emprego por achar que empreender era muito arriscado. “Comecei como office-boy e tive que dar uma pausa no meu senso de empreendedorismo. Em seguida, entrei para o curso de contabilidade da Ufes e fui contratado por um banco. Quando saí da Universidade e entrei de fato para o mercado, eclodiu uma crise econômica global e decidi pausar para fazer o doutorado na USP, onde conheci Valcemiro Nossa, que viria fundar a Fucape comigo”, finaliza.

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