quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Centoducatte: Ufes tem orçamento anual maior que 74 cidades no ES

Depois de comandar uma das mais sólidas instituições de ensino do País, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o professor Reinaldo Centoducatte colocou seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores (PT) para disputar a única vaga para senador disponível no Espírito Santo nas próximas eleições.

Centoducatte disse que a Ufes tem um orçamento maior que a maioria do municípios capixabas, mas que essa montanha de dinheiro, quase R$ 1 bilhão, é investida no pagamento da folha de pessoal, cerca de R$ 800 milhões, incluindo servidores ativos e inativos.

“Para o custeio da máquina, para a gestão da Cidade Universitária, sobra bem pouco, algo em torno de R$ 100, R$ 120 milhões. Isso limita o poder de ação do administrador e forçando o reitor a fazer uso de muita criatividade para que nada falte dentro do campus. Gerir uma universidade é gerenciar pessoas e serviços que demandam atenção, segurança, água, luz, cuidados e vigilância nas contas”, afirma Centoducatte.

Formado em Engenharia Elétrica pela própria Universidade Federal do Espírito Santo em 1979, Centoducatte é mestre e doutor em Física.  Professor Titular desde 2015. Foi chefe do Departamento de Física e Química chefe do Departamento de Física, diretor do Centro de Ciências Exatas, vice-reitor, reitor pro-tempore e, finalmente, reitor da Ufes entre 2012-20220.

É com toda essa experiência que Reinaldo Centoducatte quer dar um passo à frente: “Coloquei meu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores para disputar um cargo majoritário. Avalio que posso contribuir para a ampliação do debate não só para a Educação, mas para a gestão universitária como um todo no país”, avalia.

A intenção de Reinaldo Centoducatte é disputar a única vaga ao Senado nas eleições de outubro. A tarefa dele não será nada fácil. Para começar, Centoducatte terá que convencer o próprio partido a dar a ele a chance de disputar a eleição.

Lembrando que a também petista Célia Tavares está de olho nesta vaga. Célia foi testada nas urnas e carregou o experiente Euclério Sampaio (União Brasil) para um improvável segundo turno em Cariacica. Euclério acabou ganahndo a prefeitura da cidade.

É com Célia que Centoducatte terá que disputar a indicação do PT capixaba ao Senado, além, claro, de outros nomes com menos influência dentro da sigla que, de forma legítima, podem e devem pleitear a condição de candidato interno.

Reinaldo Centoduatte é bastante crítico ao Governo Bolsonaro, a quem acusa de sucateamento das instituições de ensino e loteamento do Ministério da Educação. Segundo ele, o ex-ministro Abrahan Weintraub é completamente desvairado, chegando a beirar a loucura. “Em duas oportunidades, em reuniões com reitores de todo o país, ele teve atitudes que nos assustaram. Era explosivo, temperamental e imprevisível”, afirma.

Centoducatte diz que a saída do poder da era bolsonarista deve ser  o recomeço da reconstrução da Educação no país, tarefa que segundo o professor vai demorar décadas, tamanho o estrago causado.

“Além da péssima gestão deste Governo, ainda tivemos uma pandemia. O isolamento vai nos levar a uma década de atraso. Milhões de crianças não foram alfabetizadas. Isso é o básico do básico. E não aconteceu. Será um aprendizado tardio. Teremos muito trabalho pela frente”, lamentou.

Sempre crítico, Centoducatte disse que é hora da sociedade fazer a sua mea-culpa e discutir qual o futuro que a maioria quer para as instituições de ensino, principalmente, as de formação universitária.  Ele considera que Bolsonaro e o bolsonarismo tentam “desqualificar, desmoralizar e banalizar a democracia”, diminuindo as instituições democráticas,  colocando-as  como inimigas do povo e do país, manipulando estruturas de governo e do Estado contra a democracia.

Para Reinaldo Centoducatte, é preciso que os anti-bolsonaristas se unam, esqueçam as diferenças e marchem com um objetivo único de isolar e minar o bolsonarismo. “Não é o momento para potencializar as diferenças, exigir autocrítica ou cobrar por erros do passado, pois isso poderia inviabilizar a formação da frente ampla. É fundamental ressaltar que, isoladamente, nenhuma força política do campo democrático é capaz de enfrentar o fascismo”, apontou.

Uma das frentes, segundo Centoducatte, é a manutenção dos serviços prestados à comunidade. “Temos centenas de trabalhos prestados aos moradores de nosso Estado. Ali, na Ufes, existem programas que levam qualidade de vida às pessoas. Faltam alguma divulgação, mas isso nem é o importante. Reitor não quer holofote. Queremos resultados para quem mais precisa”, afirma.

Acompanhe a entrevista em vídeo

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