quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Vereadores de Vitória revogam homenagem concedida ao secretário Nésio Fernandes

A Câmara Municipal de Vitória (CMV) aprovou na manhã desta terça-feira (22), por 7 a 5, a revogação do título de Cidadão Vitoriense que foi concedido ao Secretário de Estado de Saúde, Nésio Fernandes, em setembro do ano passado, pela vereadora Karla Coser (PT).

Além de Karla, Camila Valadão (Psol), Luiz Paulo Amorim (PV), Aloísio Varejão (PSB) e Duda Brasil (PSL) votaram contrários à revogação, proposta pelo vereador bolsonarista Gilvan da Federal (Patriotas).

A vereadora Karla Coser lamentou a postura da Casa de Leis Municipal em retirar a sua prerrogativa como vereadora. “Quem concorda com esse projeto está assinando um cheque em branco para os poderes dados a nós vereadores. É um grande desrespeito a minha autoridade legislativa”, externa.

A vereadora pontua que é necessário respeito pelas escolhas a quem vai receber este tipo de honraria. Ela disse que não concorda com diversas homenagens dadas pelos colegas parlamentares, como a da ministra Damares Alves que está à frente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

A vereadora Camila Valadão (PSOL) reclamou que a Câmara vinha a três sessões legislativas “atabalhoada” para resumir todo enredo discutido em Plenário. “Os inúmeros erros que vem acontecendo para cancelar, suspender e cassar uma homenagem concedida ao secretário de Saúde, Nésio Fernandes, que foi aprovada no ano passado”, exclama.

O vereador Gilvan da Federal (Patriotas) disse na justificativa do projeto que foi um desrespeito do secretário acusar os vereadores contra o passaporte da vacina de terem lotado as galerias com assessores parlamentares na semana passada. “Atitude covarde de retaliação e baixeza por ter se sentido diminuído e contrariado pela aprovação do referido Projeto de Lei”, ataca.

O vereador por três mandatos e presidente da Câmara de Vitória, Davi Esmael (PSD), disse que o que estava em debate era o merecimento ou não da honraria ao secretário. “O Nésio é um péssimo secretário de Saúde. É só perguntar para os empreendedores, os cidadãos que se sintam compelidos, pais que tem recebido ameaças caso não vacinem os seus filhos”, acusa.

Segundo a assessora de um parlamentar que preferiu não se identificar, a ideia de retirar a honraria de Cidadão Vitoriense, é uma jogada política de parlamentares da Assembleia Legislativa unidos com vereadores da Câmara de Vitória para desgastar a imagem do secretário.

Após aprovação dos vereadores, fica retirada a homenagem dada pela vereadora Karla Coser a Nésio Fenardes. Foto: Divulgação.

Os parlamentares que votaram a favor da cassação da honraria foram: André Brandino (PSC), Armandinho Fontoura (Podemos), Denninho Silva (Cidadania), Dalto Neves (PDT), Gilvan da Federal (Patriota), Leandro Piquet (Republicanos), Luiz Emanuel (Cidadania). O presidente da Casa de Leis, Davi Esmael (PSD), não vota, mas externou favorável à retirada do prêmio.

Contexto

O motivo da revogação da honraria dada ao secretário Nésio Fernandes foi um vídeo publicado em suas redes sociais desaprovando a medida tomada pela maioria dos vereadores de Vitória que na semana passada, proibiram a exigência do passaporte vacinal da Covid-19 em estabelecimentos da capital.

No vídeo, aparece Nésio Fernandes defendendo a vacinação e a necessidade do comprovante vacinal. “Aqueles que criticam o passaporte da vacina, fundamentam os seus argumentos nas teses daqueles que são do movimento antivacinação”, argumenta.

Nésio Fernandes acusa pessoas antivacinas de disseminarem noticias falsas contra as vacinas da Covid-19. Foto: Divulgação.

Na mesma publicação, o secretário apontou que os grupos que são contra a vacinação disseminam o medo, a mentira e criam evidências científicas infundadas no meio da sociedade. “Nós derrotamos a tese desses grupos durante toda a vacinação e é por isso que a ampla maioria dos capixabas já se vacinou. Nós vamos continuar enfrentando os debates e apostando na ciência”, continuou.

Nésio disse ainda que no dia da votação, o parlamento municipal estava cheio de pessoas que estavam sendo pagas por vereadores. E com essas declarações, os políticos que que são contra o passaporte vacinal, inflamaram cada vez mais querendo “a cabeça do secretário”.

O Governo do Estado, explica que a obrigação de apresentar o comprovante vacinal é uma forma de fomentar a vacinação e reduzir os riscos causados pela doença. Ontem, o próprio secretário divulgou que com a exigência do cartão vacinal a procura pela primeira dose da vacina contra a Covid no Espírito Santo aumentou em 197%.

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