sábado, 21 de maio de 2022
23.9 C
Vitória

Vereadora denuncia gesto nazista na Câmara Municipal de Vitória

A vereadora Karla Coser (PT) denunciou em suas redes sociais que uma pessoa estava dentro do Plenário da Câmara Municipal de Vitória (CMV) fazendo um símbolo nazista, na hora da sessão que votaria um Projeto de Lei que proíbe a exigência do passaporte sanitário na capital. O acontecido foi no espaço que contava com diversos apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Não se sabe ao certo quem foi o homem que fez o gesto e segundo a vereadora, a Câmara vai conseguir identificar se era um apoiador ou algum assessor. “Eu não acredito nessas coincidências e muito me preocupa que isso aconteça na porta do Plenário Maria Ortiz, casa legislativa capixaba e que deve se pautar sempre pela democracia”, externa sua indignação a vereadora Karla Coser.

A vereadora disse que comunicou ao presidente da Câmara, solicitou que os fatos sejam apurados e afirmou que não admitirá que gestos que representem a barbárie sejam reproduzidos sem punição na casa do povo. A petista disse que comunicará à OAB e ao Ministério Público para que, caso o fato seja confirmado, medidas cabíveis sejam tomadas com a ciência de todas as instituições democráticas.

Karla Coser (PT) diz não ser aceitável nenhuma prática de atos que tentam reascender um período da nossa história em que pessoas eram subjugadas como inferiores e populações dizimadas. Foto: André Travassos

Karla Coser levantou suspeita de onde poderia ter vindo a pessoa que supostamente cometeu este crime. “Será coincidência que no meio dos apoiadores do inconstitucional projeto de lei contrário ao passaporte sanitário, a gente tenha um símbolo nazista?”, questiona.

Casos pelo Brasil

O caso mais recente foi num podcast divulgado no último dia 7 deste mês, onde o youtuber Monark defendeu a legalidade do Partido Nazista, caso seja construído um partido politico com essa bandeira no Brasil. E no mesmo programa, o deputado federal Kim Kataguiri, que está indo para o partido Podemos, ratificou a fala do colega de bancada dizendo que a Alemanha errou ao criminalizar as ações do nazismo pelo país europeu.

Em ordem, Kim Kataguiri, Adrilles, Monark e Felipe Martins respondem perante à Justiça atos de apologia ao nazismo. Arte: Kebim Tamanini

Dias depois, o comentarista Adrilles Jorge foi demitido da Jovem Pan News depois de fazer apologia ao nazismo num programa de TV. O infrator fez um gesto com a mão direita utilizado por Adolf Hitler numa das épocas mais sangrentas da história.

Adrilles e Monark foram demitidos pelas emissoras logo em seguida, por causa do apelo popular que tomou conta das ruas e da web. O deputado Kim Kataguiri, por ter foro privilegiado, responderá à Procuradoria Geral da República (PGR).

Em 2021, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Felipe Martins, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por fazer um gesto associado a supremacistas brancos dos Estados Unidos durante audiência pública no Senado.

O gesto chamou a atenção de todos que estavam na sala, pois o sinal utilizado foi o de 3 dedos esticados formando um “W”, e o polegar junto ao indicador como na letra “P”. O sinal feito por ele na época exaltava supremacistas norte-americanos e europeus, conhecidos como “white power”. No entanto, o servidor público não foi demitido por Jair Bolsonaro e responde pelo crime na justiça comum.

O que foi o nazismo?

Essa ideologia foi praticada por Adolf Hitler durante as décadas de 1930 e 1940, na Alemanha. O líder mandava exterminar todos que fossem judeus, negros, gays, pessoas com deficiência física ou mental, ciganos, comunistas e testemunhas de Jeová.

De 1941 a 1945, foram mais de 6 milhões de judeus executados nos campos de concentração, números que vão além da quantidade de habitantes atualmente, no Espírito Santo. Esse extermínio ficou conhecido como Holocausto.

Crime

De acordo com a lei federal (Lei 7.716, de 1989) é considerado crime expor/praticar símbolos de cunho nazista. Em caso de condenação, a pena prevista é de multa e reclusão de dois a cinco anos.

O advogado Luiz Kignel, que é presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, numa entrevista para a TV Senado,  compara o nazismo com situações do cotidiano das pessoas.

“Quando um indivíduo decide sair em público vestindo a camiseta de um time de futebol, ele está deixando claro, sem precisar dizer uma só palavra, que admira aquele time, que o respeita, que o apoia, que concorda com ele. A mesma coisa acontece quando um indivíduo ostenta algum símbolo nazista. Um ato desses não é inocente. Os símbolos do nazismo trazem consigo as ideias de intolerância, ódio, racismo e extermínio do outro, que não podem ser admitidas”, explica.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -