quinta-feira, 7 de julho de 2022
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Covid-19: em vídeo vazado, senador capixaba é tido como “padrinho” da expansão de hidroxicloroquina no Brasil

Um vídeo divulgado em matéria exclusiva publicado pelo portal The Intercept Brasil na tarde desta quinta-feira (7), mostra o senador capixaba Marcos do Val (Podemos), membro da CPI da Covid-19, participando de uma reunião privada comandada pelo empresário Carlos Wizard e classificada como um “encontro nacional”, com médicos de “27 estados” que defendiam o uso da hidroxicloroquina como remédio para tratar a doença.

Na reunião, que aconteceu de forma online, do Val foi apresentado por Wizard como “padrinho político”, pois disse que em alguns momentos precisariam do apoio do parlamentar: “seja diante do Ministério Público, seja diante de alguma questão com a Anvisa, seja diante do Exército de dispensar os remédios no seu município ou Estado, seja em alguma intermediação com o governador ou com o prefeito local”.

Foto: Divulgação The Intercept Brasil

De acordo com o material obtido, durante a reunião, que ocorreu em 28 de junho de 2020, o senador capixaba afirmou que trabalhava para convencer autoridades para que adotassem o chamado kit-covid, bem como para organizar a distribuição do remédio pelo país. Na ocasião, Wizard mencionou que o parlamentar poderia auxiliar em possíveis tratativas com as Forças Armadas, governadores, prefeitos, Ministério Público e a Anvisa.

O empresário Carlos Wizard, que já depôs à CPI da Covid-19 no Senado, é tido pela comissão como um dos integrantes de um “gabinete paralelo” que supostamente assessorava o governo federal sobre decisões acerca do combate à pandemia no país.

O senador foi procurado pela equipe do The Intercept Brasil para comentar e dar sua resposta sobre o vídeo e negou que fazia parte de “gabinetes paralelos” que pautavam o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em junho de 2020, dias antes da reunião, o senador concedeu uma entrevista ao jornal MovNews, e na ocasião falou sobre o uso dos medicamentos cloroquina e azitromicina, inclusive admitindo que recorreu aos mesmos para tratar o estágio inicial da doença.

Veja a entrevista completa com o senador:

Por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, o senador se posicionou a respeito dos fatos publicados pelo jornal The Incercept Brasil. Do Val negou influência política sobre o medicamento e disse ter apenas defendido um possível tratamento para a doença. Até a data de hoje não há indícios científicos que atestam a eficácia dos remédios citados para o tratamento da Covid-19.

Confira a nota na íntegra:

Esclareço, ante a publicação da reportagem “O Padrinho” pelo site The Intercept Brasil, que nunca participei de gabinete paralelo da Presidência da República, nem atuei no exercício do Mandado de Senador da República de qualquer iniciativa para influenciar, de forma clandestina, políticas públicas de competência do Ministério da Saúde.

A reunião que o Intercept anuncia como secreta e cujo vídeo teria sido obtido por vazamento aconteceu no dia 28 de junho de 2020. As gravações das reuniões consecutivas, que contaram com a participação de ainda mais médicos brasileiros e estrangeiros, estão disponíveis em minhas redes – fato que poderia ter sido averiguado por simples apuração jornalística. Isso consequentemente evitaria que o veículo, com tantos serviços prestados à informação da sociedade, incorresse em divulgação de fakenews.

A defesa que fiz do tratamento precoce foi pública, no momento inicial da pandemia da Covid-19, como prova a documentação e vídeos enviados ao The Intercept Brasil e em representação democrática de segmentos da sociedade brasileira em defesa dos direitos constitucionais à saúde de todos.

Àquela época, lidávamos com uma doença completamente desconhecida. Não havia vacina e as pesquisas sobre tratamentos da Covid-19 ainda estavam em estágio inicial. De boa-fé, atuei por força de meu Mandato para maximizar a saúde e o bem-estar de todos em meio à maior crise sanitária da história do país. Trabalhei junto a órgãos estaduais e municipais para viabilizar medicação para tratamento precoce unicamente aos municípios solicitantes, e todo o meu trabalho foi acompanhando pelo Ministério Público do Espírito Santo.

A partir do momento em que os imunizantes passaram a ser desenvolvidos e se mostraram eficazes, iniciei um vasto trabalho de suporte para que chegassem rapidamente ao maior número de brasileiros – posição claramente divergente a do grupo de apoio do Presidente da República.

Ademais, vale ressaltar que nunca estive em qualquer reunião oficial com o Presidente da República no Palácio do Planalto, seja para tratar de assuntos referentes ao exercício do meu mandato parlamentar, nem tão pouco pata tratar sobre a pandemia da Covid-19.

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