terça-feira, 9 de agosto de 2022
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Senador Fabiano Contarato se diz honrado com convites de partidos, mas ainda não define futuro

A saída do senador capixaba Fabiano Contarato, 55, da Rede Sustentabilidade é conhecida desde março deste ano. A mudança, no entanto, não se motiva por desavenças. Aliás, o parlamentar nutre profundo carinho pelo partido e por Marina Silva e Heloísa Heleona, duas das maiores lideranças da legenda, como já evidenciou em entrevistas. A nova casa é que segue indefinida. Há pelo menos cinco destinos em análise: PDT, PSB, Cidadania, PT e PCdoB.

Todos esses partidos fizeram convites e agradam ao senador. “É pública minha decisão de desfiliação da Rede Sustentabilidade. Não há definição sobre o novo partido. Recebemos convites que muito nos honram, como do PDT, PSB, Cidadania, PT e PCdoB”, afirma.

Contarato leva em conta as perspectivas que serão oferecidas. De imediato, maior representatividade – hoje, a Rede ocupa somente duas cadeiras no Senado e uma na Câmara dos Deputados. Com o aumento gradativo da cláusula de barreira a cada eleição para o Congresso Federal, o caminho da legenda deve ser a fusão com outras do mesmo tamanho ou menores e de bandeiras semelhantes para evitar o fim.

Nesse ponto, uma filiação ao Cidadania e ao PCdoB parecem pouco vantajosas. O primeiro tem dois senadores e oito deputados federais. O segundo inexiste no Senado e tem sete cadeiras na Câmara, além de ter perdido para o PSB um de seus principais quadros, o governador do Maranhão, Flávio Dino. Movimento igual ao do capixaba Givaldo Vieira, ex-deputado federal pelo PT e hoje diretor-presidente do Detran-ES.

Outro possível destino dentro da esquerda seria o Psol, mas o partido também sofre com a representatividade no Congresso, tendo nove deputados federais e nenhum senador, e ainda perdeu o carioca Marcelo Freixo, mais um a se filiar ao PSB.

Senadores Fabiano Contarato e Randolfe Rodrigues se cumprimentam sob olhar atento do governista Fernando Bezerra (MDB) durante reunião da CPI da Pandemia – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

“Buscamos um novo espaço político dentro de sigla do campo progressista, na luta pelos menos favorecidos e contra o obscurantismo dos tempos atuais”, continua Contarato, que vem ganhando notoriedade na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia por suas intervenções, pontuando flagrantes nas falas dos depoentes e irritando a base do Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), de quem é crítico notório.

Apesar de não ser membro titular e nem suplente da comissão, o senador ocupa de forma positiva boa parte da audiência quando entra em cena, em praticamente todas as audiências. Sempre que surge, traz arguições amparadas no saber jurídico que o acumulou como professor de Direito e em quase trinta anos como delegado de Polícia Civil.

O mesmo se viu quando o ex-ministro da Justiça Sergio Moro teve de se explicar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em junho de 2019, sobre as mensagens trocadas com procuradores da Operação Lava Jato, quando ainda era juiz na 13ª Vara Federal de Curitiba. Na ocasião a quebra do princípio da imparcialidade por parte de Moro, algo “sagrado na Constituição Federal, no Código de Processo Penal, na Declaração dos Direitos Humanos”.

Durante participação no podcast “Papo de Colunista”, no final de junho, relatou ainda ter sido ameaçado por conta dos questionamentos feitos ao ex-juiz. “Fui atacado tanto na minha moral quanto na minha integridade física”, contou, acrescentando que permanece o mesmo, apesar de tudo. “Não vejo que esse meu comportamento mudou, muito pelo contrário. Continuo absolutamente o mesmo, defendendo a democracia,” garantiu o senador, habitual desencanto de setores reacionários da sociedade.

Já de olho em 2022, está no radar uma possível candidatura ao Palácio Anchieta, algo que não se tornou público como condicionante para a mudança de partido. Contudo, disputar o governo estadual foi proposto pelo PT e também pelo PDT, cujo presidente nacional, Carlos Lupi, considera Fabiano Contarato um bom quadro para fazer palanque para Ciro Gomes no Espírito Santo, conforme publicado em A Gazeta, nesta quarta-feira (14).

Palanque no Estado também interessa a Lula, que se reuniu com o senador no início de maio, em Brasília, durante um tour de articulações políticas do petista visando a corrida presidencial. No jogo das composições, Contarato tem a chance de brigar pelo Executivo estadual por dois grandes partidos de esquerda, o que não seria possível pelo PSB, pois o espaço já é de Renato Casagrande para a reeleição. Se permanecer no Senado, o leque tende a se abrir.

Lula e Fabiano Contarato durante encontro em Brasília, quando petista reforçou convite de filiação ao senador – Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
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