terça-feira, 9 de agosto de 2022
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Operação Corsários: ‘tentativa de desabonar minha honra e dignidade’, diz Rose de Freitas

A senadora Rose de Freitas (MDB) se pronunciou a respeito da operação Corsários, deflagrada na manhã desta quarta-feira (12) pela Polícia Federal e que prendeu um irmão e um assessor da parlamentar. Em nota, Rose afirmou ter sido surpreendida” e disse “desconhecer, até o momento, as razões do mandado”, destacando ainda “não ter cometido qualquer ato ilícito ao longo dos oito mandatos exercidos na vida pública”.

A operação apura supostos desvios de recursos financeiros em contratos firmados entre a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) e prestadoras de serviços de 2015 a 2018. A PF também apura a participação de outros 11 indivíduos nos municípios de Vitória, Cariacica e Serra, no Espírito Santo, e em Brasília, no Distrito Federal.

Edward Dickson, irmão de Rose de Freitas, e Ricardo Saiter, assessor, foram alguns dos alvos de mandados de prisão temporária, expedidos pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dickson atuou na Codesa como coordenador de Serviços Gerais, e Ricardo Saiter era coordenador de Tecnologia da Informação. Ambos foram exonerados em 2019.

Nunes expediu ainda outros dez mandados de busca e apreensão em residências e empresas. Um dos endereços é o do apartamento funcional da senadora, em Brasília.

Procurada pela reportagem no decorrer desta quarta para se posicionar, a senadora o fez em comunicado divulgado por sua assessoria no início da noite. Leia a íntegra:

Fui surpreendida hoje, às 9h, pelo mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Nunes Marques, do STF, no apartamento funcional onde resido, em Brasília.

Desconheço, até o momento, as razões do mandado e reafirmo não ter cometido qualquer ato ilícito ao longo dos oito mandatos exercidos na vida pública.

Fui igualmente surpreendida pelas prisões de meu irmão e de meu assessor, realizadas no estado do Espírito Santo.

Confio no reestabelecimento da verdade e na apuração das possíveis motivações que ensejaram tamanha agressão. Identifico claramente uma tentativa de desabonar minha honra e dignidade.

Não cederei a pressões de qualquer natureza, venham de onde vierem.

Providências legais cabíveis estão sendo tomadas para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e apurados.

Sempre exerci com coragem, ética e dedicado trabalho os mandatos que honradamente recebi do povo do Espírito Santo.

Todos os demais esclarecimentos serão prestados pelos nossos advogados, que se pronunciarão oportunamente.

Rose de Freitas, Senadora da República

A Codesa também foi procurada para se posicionar sobre o caso e responder se está colaborando com a PF e com a Justiça. Até o momento, não tivemos resposta. Quando houver retorno para a demanda, esta matéria será atualizada.

Entenda o caso

A investigação teve início após o recebimento de denúncias de vantagens ilícitas por meio de servidores da Codesa em contratos de locação de veículos.

Segundo consta, integrantes da organização criminosa atuavam em cargos estratégicos da empresa permitindo interferências nas negociações, superfaturamento e desvios de dinheiro. Essas pessoas teriam sido nomeadas por um parlamentar com autoridade e influência.

Até o momento, a senadora Rose de Freitas é a única parlamentar citada na operação.

Para receber os recursos desviados, o grupo utilizava um escritório de advocacia, responsável por simular a prestação de serviços na área para equilibrar a movimentação dos valores.

A operação também aponta o crime de lavagem de dinheiro ilegal, que ocorria por meio da compra de imóveis de luxo e do pagamento das despesas pessoais dos envolvidos na organização.

Estima-se que os criminosos possam ter desviado cerca de R$ 9 milhões somente em dois contratos auditados.

Se comprovado crime, os investigados poderão responder pela prática dos delitos de concussão (art. 316 do Código Penal), corrupção passiva (art. 317 do Código Penal), corrupção ativa (art. 333 do Código Penal), organização criminosa (art. 2 da Lei 12.850/2013), fraude a licitações (art. 90 da Lei 8666/93) e lavagem de capitais (art. 1º  da Lei 9.613/1998).

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