quinta-feira, 19 de maio de 2022
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PMs envolvidos na morte de jovem em Vitória podem ser demitidos, diz secretário

Os policiais militares envolvidos na morte de jovem em Vitória, na noite do último sábado (2), podem acabar demitidos. A afirmação é do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), coronel Márcio Celante Weolffel, que concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira (4) para atualizar informações sobre a ação da PMES que resultou na morte de Welinton da Silva Dias, de 24 anos, no bairro São José, na Grande São Pedro.

“O inquérito policial vai dar toda essa resposta. Ele pode ter como última instância a possibilidade da demissão. Logicamente, apuração, encaminhamento ao Ministério Público (MPES) e julgamento pela Justiça Militar. Todo esse passo a passo, vamos poder falar ao final do procedimento, que pode chegar à demissão”, disse o coronel.

O titular deu mais detalhes sobre o caso na coletiva. Segundo ele, consta no boletim de ocorrência uma arma apreendida com o rapaz, uma submetralhadora de fabricação semi-industrial, calibre .380, além de 12 munições do mesmo calibre. Apesar da colocação, nos vídeos que mostram a ação dos PMs e a abordagem de Weligton não é possível identificar nenhum armamento.

“No boletim de ocorrência consta uma arma apreendida, uma submetralhadora semi-industrial. Se ela estava a tiracolo, ao lado, no chão, então o inquérito policial militar vai poder dar essa informação que não está precisamente contida no boletim de ocorrência. Lá consta assim: o policial militar registrou que ele estava com uma submetralhadora. Agora, se ele estava com ela portando, a tiracolo, ao lado ou no chão, é o inquérito policial militar vai poder, com mais precisão, dar essa resposta”, informou.

Vídeo mostra momento em que homem é morto com tiro de policial militar

Confira trechos da coletiva de imprensa concedida por Celante, na sede da Sesp.

Inteligência

Estamos com nosso serviço de inteligência buscando informações e nós vamos tentar, nos próximos dias, identificar e até mesmo evitar novos problemas, como acontecido no sábado à noite naquela região.

Atuação

A atuação do policial Civil ou Militar é igual para qualquer cidadão. Logicamente, volto a dizer, a preservação da vida de pessoas inocentes e da vida dos policiais tem que ser colocada no jogo porque, em fração de segundos, a decisão por utilizar uma arma de fogo cabe ao policial. Essa preservação vai se dar sim com o uso de arma de fogo, muitas vezes. Mas se um único tiro já cessou uma injusta agressão, cessa a ação do policial.

Registros

Pelos registros que nós temos no sistema, são oito detenções da vítima que, infelizmente, veio a óbito. Na PM e na PC, o trabalho do dia a dia é assim. Nós fazemos toda uma ação, uma operação e lidamos com pessoas de bem, pessoas que têm passagem pelo sistema prisional. Então, nossa atuação tem que ser igual para todos. Se houve um excesso, uma atuação diferente em relação a essa pessoa, aí sim o nosso inquérito vai poder apurar com mais precisão. 

Treinamento

São policiais experientes, mas não podemos pesar o resultado de uma ação em cima de uma experiência maior ou menor. Todo policial ao formar, no primeiro dia de serviço dele, já está em condições de atuar na rua, tendo 10 anos de efetivo serviço ou um dia como serviço operacional. Logicamente que a experiência ajuda, mas o aprendizado dentro da academia dá a ele essa possibilidade de estar atuando na rua. Durante a formação, durante 12 meses, o policial militar treinado consegue no primeiro dia de serviço fazer uma atuação junto à comunidade.

Investigação anterior

Esses policiais têm bons serviços prestados. Nós não temos uma informação precisa dessa atuação, mas como estão atuando no dia a dia, entende-se que são policiais que estam prestando bons serviços. Se houvesse algum processo, algum problema com eles, não estariam trabalhando diretamente na rua atendendo à sociedade.

Inquérito

O inquérito policial militar foi instaurado, e as armas foram recolhidas, apreendidas para fazer parte do processo. Todas as partes serão ouvidas. Os policiais foram afastados preliminarmente das atividades operacionais a fim de responder todo o processo. No decorrer de 60 dias vamos ter a conclusão. Quem será ouvido nesse inquérito? Os moradores, os policiais. Serão juntados ao inquérito vídeos, relatos, denúncias, boletim de ocorrência e toda uma gama de informações, sejam relatórios, sejam oitivas de pessoas que presenciaram o fato. Tudo estará dentro do próprio inquérito policial militar.

Segundo baleado

Segundo informações que estão no boletim, o policial relata que o rapaz tentou tomar a arma dele. Então, o policial precisou efetuar um disparo na perna, na região inferior, para cessar aquela agressão. Ele conseguiu, num primeiro disparo, cessar a agressão e fez um segundo disparo, no membro inferior, como proteção à sua vida.

Coronhada

Temos a informação dessa vítima que fala que o policial tentou dar uma coronhada. Agora, é uma versão da vítima. Na versão do policial, que está no boletim de ocorrência, oficialmente, ele tentou tomar a arma do policial. Toda essa dúvida, a informação da vítima, a informação do policial em relação à tentativa de tomar a arma, que está no boletim de ocorrência, o inquérito policial vai poder esclarecer.

Socorro

Consta também no boletim de ocorrência que eles estavam em dois policiais. O segundo policial quase foi agredido pela população. Isso consta no boletim de ocorrência. Ele pediu apoio pelo rádio numa resposta em preservar a sua vida. Ao pedir apoio, talvez nessa fração de segundos, não foi possível fazer o socorro da vítima e os moradores assim o fizeram. Mas houve sim uma ameaça ao segundo policial. Isso está no boletim de ocorrência. Com receio de ser agredido e ter sua arma tomada, inclusive, foi ameaçado disso. Eles fizeram o pedido de apoio e nesse tempo pequeno a população fez o socorro da vítima. Então não houve omissão por parte do policial no socorro à vítima. Houve uma preservação da sua vida considerando tudo que aconteceu naquele entorno.

Rendido

No vídeo nós observamos essa informação [da vítima rendida com as mãos na cabeça]. Agora, o inquérito policial militar com outras informações e também análise do próprio vídeo é que vai poder chegar à conclusão da atuação do policial. 

Orientação

A primeira orientação ao se render é não atirar. Agora, como aconteceu o fato, o inquérito policial vai apurar, ouvir todas as partes, testemunhas, policiais, para entender o resultado morte que houve naquele evento.

Avaliação

A decisão por disparar uma arma de fogo é de segundos. Então, na avaliação do policial, ele precisa preservar a sua vida. Se a sua vida está sendo colocada em risco, a decisão do disparo vai ser de imediato e quando ele faz um disparo é para cessar a agressão. Se precisar disparar num órgão vital, assim ele fará. Para cessar uma injusta agressão, é com o menor número de disparos. Se no primeiro tiro houve o cessar dessa agressão, encerra-se a ação policial. Esse tiro vai ser dado em local vital para que a integridade física do policial seja mantida.

Abordagem

Não seria bem uma perseguição, foi uma tentativa de abordagem inicial e numa segunda tentativa de abordagem, como o vídeo mostra, que houve aquele desfecho da morte. Mas, devido ao local escuro, devido toda questão de segurança, no segundo momento, no desfecho que visualizamos no vídeo, ele mostra que o policial militar teve que ter segundos para decidir a utilização de arma de fogo.

Boletim de ocorrência

O boletim de ocorrência vai fazer parte do inquérito policial militar. Há muitas informações. Houve a tentativa de uma abordagem. Num segundo momento, outra abordagem que houve desfecho morte, como foi mostrado no vídeo. Ao final da ocorrência, como está no boletim, foi observado que a vítima estava com uma submetralhadora, calibre .380, com bandoleira e um carregador com 12 munições .380. Após o evento morte, consta no boletim, que essa arma estava com a pessoa que foi a óbito no local.

Incêndio de ônibus

Quanto à tentativa de incêndio do ônibus, considerando a proximidade de local e de horário em que houve aquela ocorrência, há uma possibilidade de ter ligação com o fato. Novamente, o inquérito policial vai poder fazer toda essa avaliação, se a tentativa de incêndio do ônibus tem ligação direta ou não com o fato ocorrido.

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