sexta-feira, 22 de abril de 2022
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Defensoria Pública pede informações à PM sobre “suposta execução” de jovem

A Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (DPES) solicitou ao Comando Geral da Polícia Militar (PMES) informações sobre a morte de Weliton da Silva Dias, de 24 anos, morto no último sábado (2) em ação policial no bairro São José, na Grande São Pedro, em Vitória. Os dois agentes envolvidos no caso foram afastados temporariamente.

Em publicação nas redes sociais, o órgão informou que enviou ofício ainda nesta segunda-feira (4), mesmo dia em que Weliton foi enterrado e um dia após a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) decidir pelo afastamento dos policiais. No texto, a DPES trata o caso como “suposta execução”.

“A Defensoria Pública, por meio das coordenações de Direitos Humanos e Penal, oficiou nesta segunda-feira (04), o Comando Geral da Polícia Militar do Estado, solicitando informações sobre a suposta execução de um jovem por um agente na região da Grande São Pedro, no último sábado (02). A Instituição iniciou um procedimento de apuração do caso para adotar as medidas administrativas ou judiciais cabíveis”, disse o órgão.

Vídeos gravados por moradores flagraram o momento em que um dos agentes envolvidos na ação encontra Weliton na Rua Quatro de Janeiro, conhecida na região por Beco da Sorte. Nas imagens é possível identificar quando o jovem é abordado e levanta a camisa para mostrar-se desarmado. Em seguida, leva as mãos à cabeça em sinal de rendição. Numa fração de segundos, o policial atira e a vítima cai. Testemunhas contaram dois tiros no peito.

Instantes depois, outro policial se aproxima junto com moradores que transitavam pelo local. Os agentes revistam Weliton em meio a gritos das pessoas próximas, que, segundo relatos feitos à imprensa, não tiveram permissão para prestar socorro, algo que conseguiram somente após a saída dos PMs. Ele foi levado até a Policlínica de São Pedro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Uma outra pessoa foi baleada e também levada à unidade de saúde. Ele foi atendido e liberado logo em seguida. Na manhã de segunda, o titular da Sesp, coronel Márcio Celante Weolffel, disse em coletiva de imprensa que um dos agentes relatou em boletim de ocorrência que o segundo atingido tentou tomar sua arma. “Então, o policial precisou efetuar um disparo na perna, na região inferior, para cessar aquela agressão”, disse.

Revoltados com a ação, alguns moradores iniciaram confronto com a PM, que revidou com balas de borracha. Os populares também tentaram atear fogo em um ônibus do Sistema Transcol. “Quanto à tentativa de incêndio do ônibus, considerando a proximidade de local e de horário em que houve aquela ocorrência, há uma possibilidade de ter ligação com o fato”, afirmou Celante.

Veja o momento exato que morador é baleado por policial militar

Excessos

O governador do Estado, Renato Casagrande, fez publicação em seu perfil oficial nas redes sociais dizendo que determinou ao comando da PM “a investigação sumária do fato ocorrido na Grande São Pedro”. Após afirmar que “todo tipo de violência deve ser repudiado”, encerrou a mensagem ressaltando “confiança nas nossas forças policiais”, mas pontuando que “qualquer tipo de excesso não ficará impune”.

Afastamento

No domingo (3), o secretário de Segurança determinou ao comandante-geral da PMES o afastamento dos policiais participantes da ação. Eles tiveram as armas recolhidas para análise no inquérito instaurado para investigar o caso. O prazo para conclusão das investigações é de 60 dias. A depender do resultado da inquirição e do julgamento a que serão submetidos.

“O inquérito policial vai dar toda essa resposta. Ele pode ter como última instância a possibilidade da demissão. Logicamente, apuração, encaminhamento ao Ministério Público (MPES) e julgamento pela Justiça Militar. Todo esse passo a passo, vamos poder falar ao final do procedimento, que pode chegar à demissão”, contou Celante.

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Ainda de acordo com o coronel, consta no boletim de ocorrência uma arma apreendida com o rapaz, uma submetralhadora de fabricação semi-industrial, calibre .380, além de 12 munições do mesmo calibre. Apesar da colocação, nos vídeos que mostram a ação dos PMs e a abordagem de Weliton não é possível identificar nenhum armamento.

“No boletim de ocorrência consta uma arma apreendida, uma submetralhadora semi-industrial. Se ela estava a tiracolo, ao lado, no chão, então o inquérito policial militar vai poder dar essa informação que não está precisamente contida no boletim de ocorrência. Lá consta assim: o policial militar registrou que ele estava com uma submetralhadora. Agora, se ele estava com ela portando, a tiracolo, ao lado ou no chão, é o inquérito policial militar vai poder, com mais precisão, dar essa resposta”, informou.

A submetralhadora de fabricação caseira com munições e bandoleira que Weliton supostamente, segundo os PMs, estaria portando quando foi morto – Foto: Divulgação/ ACSPMBMES

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