Oposição e governistas comentam operação que investiga suposta compra irregular de álcool em gel no ES

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 Oposição e governistas comentam operação que investiga suposta compra irregular de álcool em gel no ES

Foto: Divulgação Ales

Alguns deputados estaduais usaram a tribuna da Assembleia Legislativa (Ales) para comentar sobre a Operação Volátil, deflagrada pela Polícia Federal (PF), e que investiga uma suposta compra irregular de álcool em gel realizada pela Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa). Os indícios das investigações são de fraude e superfaturamento envolvendo verba federal destinada ao combate da Covid-19.

A operação investiga a empresa Tantum Solutions, que recebeu R$ 6,3 milhões do Governo do Estado para a compra de 400 mil frascos de 500 ml de álcool em gel entre os meses de março e maio de 2020. O valor pela unidade do produto chegou a uma variação de até 297% neste período, o que motivou a investigação sobre suposto superfaturamento na compra.

O deputado estadual Sérgio Majeski (PSB) resgatou as ações que foram adotadas pela Frente Parlamentar de Acompanhamento e Fiscalização na Execução de Despesas para o Combate à Pandemia da Covid, da qual é secretário-executivo. De acordo com o parlamentar, foi feito um requerimento de informação, primeiro junto à Sesa, pedindo a cópia integral do processo de compra.

“A Sesa nos mandou primeiro justificando que houve ampla regularidade na compra e mandou o processo, algo em torno de 600 páginas. Com a nossa assessoria nós fomos averiguar algumas questões e o problema não era apenas no valor, porque esse é apenas um dos problemas. Nos causou estranheza como essa empresa chegou até a Sesa. Nós observamos, fazendo uma busca pela internet, que nos últimos dez anos essa empresa não tinha feito nenhum contrato com o governo do Estado”, afirmou.

Torino Marques (PSL)

“Estamos aqui falando de um sobrepreço de até 297%. As apurações da Polícia Federal informam que os preços variaram entre R$ 8 e R$ 20,90. Então quer dizer que na necessidade vale tudo? Na falta de licitação vale tudo e qualquer preço também? Vamos fiscalizar detalhadamente tudo isso e muitos outros contratos que estão com suspeita de irregularidade”, disse.

Danilo Bahiense (sem partido)

O deputado falou sobre uma representação encaminhada em junho de 2020 à Polícia Federal sobre a compra de álcool 70% pela Sesa com dispensa de licitação entre março e abril do mesmo ano. O documento é assinado por Bahiense e pelos deputados Vandinho Leite (PSDB), Carlon Von (Avante), Torino Marques e pelo então deputado Delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), hoje prefeito de Vitória.

“O documento mostrava que as compras tinham indícios de superfaturamento. Havia uma diferença de 461% no valor do litro do álcool líquido entre as empresas contratadas e 298% no valor do litro do álcool em gel”, apontou.    

Governistas

O deputado Dary Pagung (PSB), líder do governo na Assembleia Legislativa (Ales), disse o governo do Estado do Espírito Santo não está sendo investigado pela polícia e sim empresários que venderam para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e também no Rio de Janeiro.

“O governo não tem nenhum problema em mostrar as suas compras para o combate ao Covid-19. É um estado que recebeu nota ‘A’ na transparência no combate ao Covid, nota ‘A’ também no Tesouro Nacional”, frisou o parlamentar.

Já o deputado Bruno Lamas (PSB) disse que é do interesse do governo colaborar com as investigações para que os responsáveis sejam penalizados, e reforçou que não há uma ação investigando o governo do Estado, como aconteceu no Rio de Janeiro e em outros estados.

“Não há buscas, é pontual em relação à empresa, típico de empresa brigando contra a empresa, denúncias, e aí a investigação é necessária. A minha solicitação é de que essa investigação seja dura, rígida, intransigente no que tange à ética e à moralidade, e que ela coloque na cadeia quem realmente precisa ser colocado, caso alguém tenha praticado crime”, concluiu Lamas. 

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