sábado, 21 de maio de 2022
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Sanções abatem fábrica de fertilizantes da Petrobrás que seria comprada pela Rússia

fábrica de fertilizantes

Uma fábrica inacabada de fertilizantes no interior do Mato Grosso do Sul é a primeira vítima brasileira a ser abatida pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e União Europeia à Rússia. A fábrica, UFN-III, definida assim nos prospectos da Petrobrás, seria comprada pelo país de Vladimir Putin.

Dez anos

É uma fábrica inacabada de fertilizantes nitrogenados da Petrobras — UFN-III nos prospectos da empresa estatal. Projetada para reduzir pelo menos em 50% a dependência brasileira de importações de adubos à base de amônia e ureia está em construção há dez anos. Nossa dependência desses componentes chegam a quase 90%.

No mês passado, no dia 4 de fevereiro, a Petrobrás anunciou que havia chegado a um acordo sobre as “minutas contratuais” para vender a fábrica ao grupo Russo Acron, que herdou a base produtora de fertilizantes da antiga União Soviética.

Segundo a estatal disse à época, “a assinatura do contrato de venda depende ainda da tramitação na governança da Petrobrás, após as devidas aprovações governamentais”.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), festejaria a novidade. Ele atentava para os impactos dos preços de fertilizantes no prato do brasileiro.

“O mundo vive uma crise de fertilizantes, perdemos uma oportunidade de ter uma fábrica produzindo, fazendo fertilizantes no país. Os fertilizantes aumentaram cerca de três vezes, e isso reflete no preço da comida que está na sua mesa.”

Dez dias depois, viajando para Moscou, Bolsonaro já temia os danos colaterais do conflito Rússia X Ucrânia. As fábricas russas foram as maiores fornecedoras de suprimento de fertilizantes para o Brasil em 2021, com 22% de todo o adubo importado pelo país vindo da Rússia.

Com a pandemia e a evolução da crise ucraniana, os preços aumentaram exponencialmente: para cada tonelada comprada de fertilizantes, o Brasil pagou, em 2021, 56% mais em relação ao preço médio de 2020.

Na sua visita ao Kremlin, Bolsonaro pediu a Putin garantias de oferta de fertilizantes e uma desejada estabilidade nos preços neste ano. Como será candidato à reeleição, e tem como uma de suas principais bases eleitorais o agronegócio, um acerto nesse sentido seria um grande trunfo para o presidente. O setor foi uma de suas bases de sustentação em 2018, e ainda o mantém na liderança nas maiores regiões agrícolas do país.

Sem uma garantia formal, Jair Bolsonaro voltou com o aval político para a venda da fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobrás para a Acron.

Bolsonaro voltou sem garantias formais, mas assegurou aval político para a venda da fábrica de nitrogenados da Petrobras para Acron. Crendo na promessa de Putin de não invadir a Ucrânia, estava tudo acertado.

Com a guerra concretizada, no domingo a Rússia foi desligada do sistema financeiro global. Os negócios com o Banco Central russo estão proibidos. A guerra de Putin tornou inviável qualquer liquidação de contrato de compra e venda.

Putin, hábil como um espião treinado, aparentemente deixou Bolsonaro se convencer de que não invadiria a Ucrânia, apesar dos reiterados avisos públicos do governo americano sobre a iminência da invasão.

No domingo, a Rússia foi desligada do sistema financeiro global. Estão proibidos negócios com o Banco Central russo, o que impede a liquidação de contratos de compra e venda.

A fábrica UFN-III permanece inacabada, a um elevado custo de manutenção, com uma estrutura com reatores de amônia e ureia de 40 metros de altura e 671 toneladas de peso , importados da China e com pelo menos 10 anos depositados em Três Lagoas, no Rio Paranoá. Inacabada, consumindo recursos, a fábrica já recebeu cerca de R$ 3.700 bi de investimentos.

Estoque de fertilizantes do Brasil

Em entrevista à CNN Brasil, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, demonstrou preocupação especial em relação ao potássio, cujo consumo nacional chega a 90% de importação.

“Esse é o produto que temos mais nos preocupa e por isso já estávamos articulando com outros países produtores de potássio, como o Canadá, que é o maior produtor. Eles estão reativando minas porque outros países, inclusive o Brasil, vão precisar cada vez mais desse fornecimento do Canadá”, disse a ministra.

Ela ainda garantiu que “o Brasil tem estoques de passagem para chegar até a próxima safra, em outubro”.

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