MovNews entrevista escritor capixaba Maciel de Aguiar após sua recente obra “Ayrton Senna – O Herói do Brasil”

 MovNews entrevista escritor capixaba Maciel de Aguiar após sua recente obra “Ayrton Senna – O Herói do Brasil”

Foto: Reprodução

Maciel de Aguiar: 
SOU UM ESCRITOR REALIZADO!

Escritor capixaba com maior quantidade de livros publicados, traduzidos para vários idiomas e disponíveis no site amazon.com para mais de 150 países, Maciel de Aguiar concluiu o 143º livro, que será lançado em São Paulo e no Rio de Janeiro: AYRTON SENNA – O HERÓI DO BRASIL.

Nesta entrevista exclusiva para o jornal MovNews, fala do início de sua carreira e de como se transformou no escritor brasileiro que escreveu sobre personagens tão desconhecidos quanto os mais conhecidos, famosos e importantes cidadãos dos últimos 100 anos da História do Brasil.

MovNews: Como foi escrever sobre o ídolo mundial Ayrton Senna?

Maciel: Na década de 1980, eu também estava encantado com a Fórmula 1. E esse encantamento ocorreu no Grande Prêmio de Mônaco de 1984, quando Ayrton Senna ”navegou” na pista das ruas de Monte Carlo, debaixo de um dilúvio, e, depois de largar na décima terceira posição no grid, cortou todos os carros dos adversários até chegar à vice-liderança.

MovNews: Mas ele venceu essa corrida?

Maciel: Deveria, pois quando estava para ultrapassar Alain Prost e ganhar, o diretor de prova, o ex-piloto belga Jacky Ickx, encerrou a corrida a pedido do próprio piloto francês e, ainda, pressionado por Jean-Marie Balestre, então presidente da Federação Internacional de Automobilismo.

MovNews: Realmente, foi uma corrida emocionante!

Maciel: Mesmo assim, ele cruzou a bandeira quadriculada antes do piloto Alain Prost, mas consideraram a volta anterior. Anos após, Ayrton Senna seria aclamado ”Rei de Mônaco” e “Rei da Chuva”, depois de protagonizar inúmeros espetáculos inesquecíveis, emocionantes e inigualáveis.

MovNews: Nessa prova você decidiu escrever sobre Ayrton Senna?

Maciel: Na corrida de Mônaco eu fiquei encantado pelo personagem, pois, antes de o escritor escrever, é preciso se encantar pelo personagem. Porém somente decidi fazer um livro sobre as suas vitórias durante a realização do Grande Prêmio de Portugal, dia 21 de abril de 1985, no Autódromo do Estoril, quando percebi que estava surgindo um novo “gênio brasileiro”.

MovNews: Por falar em “gênio brasileiro”, você escreveu os livros de Oscar Niemeyer, Pelé, Rubem Braga, Roberto Carlos e, agora, Ayrton Senna, que são incontestáveis na arquitetura, no futebol, na crônica, na música e na Fórmula 1. Como foi escrever sobre esses “reis” em suas especialidades?

Maciel: Foi mais fácil do que escrever sobre os quilombolas, esquecidos pela historiografia oficial. Escrever sobre Oscar Niemeyer, Pelé, Rubem Braga, Roberto Carlos e, agora, Ayrton Senna não foi uma tarefa difícil, mas fui levado por uma força indômita e alguns fatos inexplicáveis. Mas escrever os 40 livros da série História dos Quilombolas, sobre os heróis negros desconhecidos até por seus descendentes e, principalmente, escrever Os anos de chumbo, foram tarefas extenuantes e de muito sofrimento.

MovNews: O que representam esses livros nos dias atuais?

Maciel: Hoje, muitos negros recorrem à História dos Quilombolas para conhecer o legado de seus antepassados, mas poucos querem saber daqueles tempos estranhos do regime militar, quando a expressão mais simples se chamava coragem. E alguns ainda querem a volta do regime. Por conta disso, desisti da ação política partidária. Apoio ideias! 

MovNews: E quando surgiu a sua opção pela literatura?

Maciel: É uma longa história que começou quando eu tinha quatro anos de idade, ganhei um livro de presente, andava com ele por todos os lugares e até recebi o apelido de “menino do livro”. Mas havia um problema, o livro era em dinamarquês!

MovNews: Onde foi isso e quem lhe deu o presente?

Maciel: Foi em Conceição da Barra, onde nasci, no norte do Estado do Espírito Santo, divisa com a Bahia. Quem me deu o presente foi o dinamarquês Steffen Broby Pontoppidan, filho de Henrik Pontoppidan, Prêmio Nobel de Literatura de 1917. Ele trouxe o livro da Dinamarca autografado pelo pai e me deu de presente. Acho que foi o primeiro livro de um Prêmio Nobel a chegar ao Brasil.

MovNews: Como foi ganhar um livro de um Prêmio Nobel de Literatura aos quatro anos de idade? 

Maciel: Até então, não tinha visto um livro! Assim como na cidadezinha ninguém sabia o que significava o Prêmio Nobel de Literatura e muito menos se interessava pelas histórias daquele livro. Então, eu pedia para Steffen ler em dinamarquês e fiquei encantado com a pronúncia das palavras e as repetia feito um papagaio. Meses depois, havia decorado a maioria daquelas palavras e as falava insistentemente; por conta disso, ele me deu o livro de presente e eu fingia que lia aquele livro em todos os lugares. Assim, virei uma atração no Bar Tupy, de propriedade de meu pai.

MovNews: Você lia em dinamarquês?

Maciel: Claro que não! Havia decorado a pronúncia daquelas “palavras estranhas” e carregava o livro debaixo do braço, enrolado em um pano, como um santo sudário. O Bar Tupy ficava lotado para ouvir o “menino do livro” ler em dinamarquês. Era um sucesso! Steffen sorria com a minha leitura e me colocava sobre uma cadeira, e o povo ficava em volta, impressionado com aquele “menino do livro” lendo em dinamarquês. Steffen dizia que o seu pai ficaria muito feliz em ouvir as suas histórias lidas por mim. 

MovNews: E as pessoas acreditavam?

Maciel: O único que sabia dinamarquês era ele, portanto ninguém podia contestar. E, depois que eu lia uma história, ele a traduzia em seu sofrível português. Mais tarde, quando Steffen foi morar em Vitória, pois estava em tratamento de saúde devido a um acidente com um trator em sua propriedade, nunca mais voltou a Conceição da Barra. Na capital capixaba, ele beijou a face da eternidade. Senti muito a morte de meu amigo dinamarquês. Em seguida, aos sete anos, fui matriculado no Grupo Escolar Joaquim Fonseca para ser alfabetizado em português, mas não aceitei aprender a, e, i, o, u. Queria ser alfabetizado em dinamarquês e virei um “menino problema”!

MovNews: E como isso foi resolvido?

Maciel: Não foi resolvido! Eu não conseguia aprender o português, levava aquele livro para o Grupo Escolar e lia em dinamarquês para os demais alunos. Então, o “problema” se agravou! A diretora mandou chamar o meu pai e disse que era para ele retirar “o maldito livro” de minhas mãos, para eu ser alfabetizado em português.

MovNews: E o que aconteceu?

Maciel: Fui reprovado. Acho que sou o único escritor reprovado no primeiro ano escolar, mas lia em dinamarquês!

MovNews: Você foi reprovado como analfabeto?

Maciel: Sim! Depois, me deram uma cópia do boletim, onde está escrito “Analfabeto”. À época, para me vingar, andava com aquele livro por todos os lugares, lendo em dinamarquês as histórias de Henrik Pontoppidan, e ainda dizia que a professora não sabia o que era o Prêmio Nobel de Literatura de 1917, que era o mais importante da literatura mundial. Aquilo incomodava a escola e a diretora chamou novamente o meu pai e disse que eu não seria matriculado, caso continuasse com aquele livro!  

MovNews: Então, aos sete anos, você era o “menino do livro”, mas, também, o “menino problema”?

Maciel: Eu queria ser alfabetizado em dinamarquês. Como eu havia decorado a pronúncia das palavras, também queria escrever. Steffen sorria com a minha determinação e dizia: “Esse menino será escritor igual o meu pai e também vai ganhar o Prêmio Nobel de Literatura”. Eu acreditei tanto nele que comecei a inventar histórias que não estavam naquele livro!

MovNews: Steffen e o escritor Henrik Pontoppidan são os responsáveis por você ter se tornado escritor? 

Maciel: Os frequentadores do Bar Tupy diziam que o escritor Henrik Pontoppidan mandou Steffen para o Brasil com o objetivo de difundir a sua literatura e criar novos escritores. Acho que Steffen fazia aquilo com saudade do pai e da Dinamarca. Mais tarde, soube que ele colocou o nome Dina em uma filha. Então, como ninguém conversava com ele em seu idioma e eu ficava repetindo as palavras em dinamarquês igual um papagaio, ele tinha muita consideração por mim! Lembro-me dele rindo com a minha pronúncia em dinamarquês.

MovNews: Deveria ser muito interessante!

Maciel: Steffen gostava de ouvir as leituras daquele livro mais do que as demais pessoas. Ele se divertia muito! Também pudera, em uma cidadezinha onde ninguém sabia falar dinamarquês, um menino voraz e quase enlouquecido lia naquele idioma, para o único dinamarquês do lugar, devia ser motivo de muita satisfação para alguém distante de sua pátria e com saudade de seu pai!    

MovNews: E a reprovação na escola?

Maciel: Virou o assunto da cidade e logo chegou ao púlpito da Igreja, com o padre defendendo a diretora e a professora, enquanto a cidadezinha apoiava o “menino do livro”.

Na galeria de fotos abaixo, arraste para o lado para conferir outros livros de Maciel de Aguiar.

MovNews: E como foi resolvido?

Maciel: O juiz de direito que era metido a escritor pediu para me levarem no Fórum e ficou surpreso com a minha pronúncia em dinamarquês. Depois, abriu um livro em português e disse: Leia!

MovNews: E você leu?

Maciel: Não sabia ler uma palavra em português!

MovNews: E o que aconteceu?

Maciel: No outro dia, o juiz chamou ao Fórum a diretora, a professora, o padre e meu pai, pois a cidade estava diante de “um grande problema”, e a solução foi dramática…

MovNews: Qual?

Maciel: O meu pai disse que foi obrigado a fazer…

MovNews: O que ele fez?

Maciel: Levou-me na beira do cais do porto para eu ler em dinamarquês para os pescadores e, de repente, pegou o livro de minhas mãos e o jogou nas águas do Cricaré, como se o livro tivesse caído de suas mãos! Foi um desespero. Eu queria me jogar nas águas para pegar o livro. 

MovNews: Deve ter sido desesperador!

Maciel: Você já ouviu o choro dolorido de um menino? Um choro fino, interminável, com soluços, parecia que vinha das entranhas… Até hoje, ainda o tenho em meus ouvidos! Alguns pescadores queriam pular nas águas para pegar o livro, mas o meu pai dizia que estava cumprindo “ordem do juiz, do padre, da diretora e da professora”. Foi desesperador!

MovNews: E depois?

Maciel: A cidadezinha também chorou com a minha dor! Todos ficaram tristes! Depois, invadi a escola, gritei nos corredores que um dia teria um livro em dinamarquês e ganharia o Prêmio Nobel de Literatura. Aquilo marcou a minha infância! E, de vez em quando, surgia a notícia que uns pescadores haviam achado o livro boiando nas águas do rio Cricaré. Eu corria para o cais do porto, mas era boato…  

MovNews: E o seu pai?

Maciel: Disseram que ele chorou muito, coitado! E, como o caso comoveu e traumatizou a cidadezinha, um funcionário da Petrobrás, de nome José Vilamário Vilela, que declamava poemas, trouxe de Salvador, na Bahia, o livro Navio Negreiro, de Castro Alves, e me deu de presente.

MovNews: E qual foi a sua reação?

Maciel: Na hora, não o aceitei, pois queria o meu livro em dinamarquês! Mas ele, aos poucos, me convenceu declamando o poema Navio Negreiro, que ainda o tenho na memória. Como disse que não mais voltaria à escola, José Vilamário Vilela me ensinou a ler em português, e, soletrando o poema de Castro Alves, fui alfabetizado.

MovNews: Acho que você deve ser o único a ser alfabetizado com um poema, principalmente, Navio Negreiro, de Castro Alves. E o que aconteceu?

Maciel: Nos mudamos para a cidade de São Mateus, também no norte capixaba, onde fui matriculado no Grupo Escolar Pio XII, e, como era, digamos, autoalfabetizado, surgiu outro problema…

MovNews: Qual?

Maciel: Os meus pais foram, novamente, chamados na escola, pois, quando a professora escreveu no quadro a, e, i, o, u, eu disse que já sabia ler.

MovNews: Então, você virou um “problema” em outra cidade?

Maciel: Sim! E a escola, mais uma vez, não sabia o que fazer comigo, mas não me reprovou! E, aos dez anos, havia lido Os Lusíadas, de Luís de Camões e o declamava, assim como também declamava Navio Negreiro, de Castro Alves. A literatura tinha entrado, definitivamente, em minha vida. Queria ser escritor!

MovNews: E qual foi a reação de seu pai?

Maciel: Ele ficou muito triste com o que foi obrigado a fazer! Depois, foi quem mais me incentivou a escrever e, ainda, me contou que, durante a Segunda Guerra Mundial, ele havia sido amigo de Rubem Braga, Lupicínio Rodrigues e do escritor norte-americano Ernest Hemingway.

MovNews: Dois escritores famosos e um compositor da MPB.

Maciel: E, como o meu pai conhecia muitos marinheiros, mandou trazer do Rio de Janeiro o livro O velho e o mar, de Ernest Hemingway, e me deu de presente; possivelmente para compensar o que ele jogou nas águas, e me apaixonei pela narrativa. 

MovNews: Então, seu pai se redimiu e lhe recompensou?

Maciel: Meu pai sabia que eu queria ser escritor e me apoiou. Depois, me contou que o personagem Santiago, de O Velho e o Mar, era um barqueiro de nome Gregório, que ele conheceu e foi capitão de um barco do próprio escritor Ernest Hemingway, quando este viveu em Havana, Cuba.

MovNews: Muito interessante essa informação.

Maciel: Então, eu também queria encontrar um Santiago! Por isso, passei a conversar com os negros centenários e acabei descobrindo a história dos quilombolas esquecidos pela historiografia oficial, e, assim, passei a pesquisar para escrever os livros com base na oralidade.  

MovNews: Como seu pai conheceu Rubem Braga, Lupicínio Rodrigues e Ernest Hemingway?

Maciel: Meu pai era marinheiro, mergulhador, gostava de luta de boxe, torcia para o Vasco da Gama, andou por todos os portos da América Latina, Caribe e Brasil. Depois, foi sapateiro no Rio de Janeiro e dono de bar em Conceição da Barra e São Mateus, no norte capixaba. Ainda jovem, viveu muitas noitadas de boemia nos cabarés pelo mundo afora. Conheceu Rubem Braga durante a Segunda Guerra, e Lupicínio Rodrigues e Ernest Hemingway quando estava na Marinha Mercante. E, após ser náufrago do navio Norte Pará, foi viver em Conceição da Barra e se casou com Dona Odete.

MovNews: Seu pai viveu muitas aventuras.

Maciel: Naquela época, um marinheiro conhecia quase todos os portos! Ele me contou que Lupicínio e Hemingway também gostavam de luta de boxe, noitadas com mulheres, bebedeira e cabarés. Imagina um pai contando essas aventuras mundanas para um filho que queria ser escritor! Por isso, quando completei dez anos, ganhei dele o livro O velho e o mar, deErnest HemingwayEle disse: “Quer ser escritor? Então, aprenda com quem sabe escrever!” Não sei se fui um bom aluno, mas não foi por falta de vontade.           

MovNews: Quando você escreveu o primeiro livro?

Maciel: Aos dez anos, já escrevia poemas, crônicas e pesquisava sobre os heróis quilombolas. Mas o primeiro livro foi aos 16 anos: A sede nossa de cada dia, quando vivíamos sob o regime militar.

MovNews: E quando você terá o seu livro em dinamarquês de volta?

Maciel: Recentemente, recebi uma proposta de tradução de um livro meu para o dinamarquês.

MovNews: Qual?

Maciel: Pelé – the king of football, escrito na década de 1990, sobre o “Rei do Futebol” e “Atleta do Século XX”, traduzido para vários idiomas e terá o título em dinamarquês: Pelé – kongen af​​fodbold. Acho que vou a Copenhague, na Dinamarca, pois parece coisa do destino. Finalmente, terei o meu livro em dinamarquês de volta! E o receberei do outro lado do Oceano Atlântico, depois de atravessar muitas águas!  

MovNews: Qual a tradução do título do livro em dinamarquês que você ganhou?

Maciel: O Urso Polar.

MovNews: Você mantém contato com os familiares do escritor Henrik Pontoppidan?

Maciel: Não! Mas soube que uma filha de Steffen morava em Vitória, no Espírito Santo. Quanto a Henrik Pontoppidan, continua sendo um escritor muito prestigiado na Dinamarca. Espero que, quando for à Copenhague, possa conhecer os seus descendentes para lhes contar essa história. 

MovNews: Você acredita que o Brasil ainda ganhará o Prêmio Nobel de Literatura?

Maciel: Quando o Brasil mantinha políticas públicas para o livro e, principalmente, incentivava o hábito da leitura, tivemos uma grande oportunidade com Jorge Amado, que todo mês de outubro ficava aguardando ser anunciado. Infelizmente, não ganhou! Também tivemos algumas oportunidades com Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa. Hoje, não vejo nenhum escritor nesse nível na literatura brasileira.

MovNews: Você foi finalista do Prêmio Jabuti, com a tetralogia Os anos de chumbo. O Jabuti é considerado o maior prêmio literário do Brasil.Você estápensando em concorrer a algum prêmio literário com o livro Ayrton Senna – O Herói do Brasil?

Maciel: Quando Steffen Pontoppidan me presenteou o livro autografado por seu pai, que decidiu a minha vida, achava que era o próprio escritor vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1917. Depois, aos dez anos de idade, quando o meu pai me deu o livro O velho e o mar, que, por coincidência, foi publicado no ano em que nasci, também me senti como se fosse Ernest Hemingway. Esses prêmios me bastam, pois nenhum escritor teve o mesmo privilégio!  

MovNews: Você acha que essas influências determinaram a sua obra?

Maciel: Dois ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura entraram em minha vida de forma possessiva e avassaladora. Eu li os seus livros, originalmente, soletrando em dinamarquês e inglês, dos quatro aos dez anos de idade, e nunca me esqueci dos títulos desses livros: Isbjørnen e The old man and the sea.

MovNews: E quais os autores brasileiros que lhe influenciaram?

Maciel: O navio Negreiro, de Castro Alves, no qual aprendi a ler e fui autoalfabetizado, me fez entender a escravidão e comecei pesquisar a história dos quilombolas. Mais tarde, descobri os livros de Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga, e, li esses livros antes dos 16 anos. Depois, por uma enorme generosidade do destino, fui amigo pessoal desses três escritores e frequentei as suas residências.

MovNews: Você conviveu com grandes personalidades da cultura brasileira. Como foi isso sair do interior do Espírito Santo e se converter em um escritor com a sua importância?   

Maciel: Não sei explicar essa enorme generosidade do destino para comigo. Por várias vezes estive com Jorge Amado, em sua casa, na rua Alagoinhas, 33, Rio Vermelho, em Salvador, Bahia; além do apartamento de Carlos Drummond de Andrade, na rua Conselheiro Lafaiete, 60/701, Copacabana, e, principalmente, na cobertura de Rubem Braga, na rua Barão da Torre, 42, em Ipanema, no Rio de Janeiro, que era o meu ponto de referência. Assim, mantivemos grandes amizades!   

MovNews: Você é considerado o escritor que mais jovem optou pela arte de escrever e teve uma formação original, e, principalmente, uma relação quase orgânica com dois grandes escritores da literatura universal. Você se sente realizado?

Maciel: Não sei se sou o mais jovem escritor a fazer essa escolha, sei que nunca desejei ser outra coisa na vida. Escrevi 143 livros, me dediquei às pesquisas sobre os heróis negros desconhecidos para escrever a História dos Quilombolas, quando o negro era muito mais discriminado, além disso, escrevi Os anos de chumbo durante a ditadura militar. E, principalmente, tive o privilégio de ser o autor dos livros dos brasileiros mais importantes dos últimos 100 anos da História do Brasil. Então, me considero um escritor realizado, mas nunca deixei de ser aquele “menino do livro”!       

MovNews: Na época, você só faltou invadir o Fórum e a Igreja!

Maciel: Acho que fiquei com medo de ser preso ou castigado.

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