segunda-feira, 16 de maio de 2022
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Quantidade de horas de sono interfere na qualidade de vida das pessoas

A qualidade de vida está atrelada exclusivamente a quantidade de horas que um indivíduo dorme. A afirmação é da especialista em Medicina do Sono, Dra. Jessica Polese. Segundo a médica o período de sono é o momento em que as energias são recarregadas para as atividades do dia seguinte. “Dormir é uma fase ativa da nossa existência onde operações importantes acontecem dentro do nosso organismo“, destaca. 

A especialista explica que enquanto dormimos o nosso cérebro trabalha para que possa funcionar bem ao longo do dia, quando estamos acordados.

“Durante o dia precisamos de substâncias para adequar o funcionamento do cérebro, que tem a função de comandar os batimentos do coração, o funcionamento dos rins e outros órgãos, o que nós chamamos de funções autônomas. Então tudo que é consciente como autônomo passa pelo cérebro, e isso gera nele produtos de degradação. Durante o sono esses produtos são “lavados” pelo cérebro para que ele continue funcionando, também acontecem processos fisiológicos, algumas áreas são ativadas e outras menos ativadas, o que resulta na liberação de hormônios. Existe um reset geral no cérebro para que no outro dia ele seja acionado e volte a funcionar em sua plenitude”, detalhou.

Recentemente, a Associação Brasileira do Sono publicou uma cartilha com informações sobre quantas horas de sono são necessárias para cada faixa-etária humana. De acordo com o documento, no início da vida, um recém-nascido precisa ter entre 14 a 18 horas de descanso ao dormir. E no fim de nossa existência, na idade de 65 ou mais, as horas diminuem para 7 a 8 horas. 

De  forma geral, o estudo mostra cada quantidade ideal de horas de sono que são necessárias ao longo da vida de acordo com as faixas etárias de um indivíduo. Confira:

  • de 4 a 11 meses: 12 a 15 horas por dia; 
  • de um a dois anos: 11 a 14 horas por dia;
  • de três a cinco anos: 10 a 13 horas; 
  • de seis a 13 anos: 9 a 11 horas;
  • de seis a 13 anos: 9 a 11 horas;
  • de 14 a 17 anos: 8 a 10 horas;
  • de 18 a 25 anos: 7 a 9 horas;
  • de 26 a 64 anos: 7 a 9 horas; 
  • de 65 anos ou mais: 7 a 8 horas.

Segundo Polese, em termos fisiológicos, é importante seguir à risca a quantidade de horas de sono para que haja um ótimo desenvolvimento humano em cada faixa etária. 

“Por exemplo, o hormônio do crescimento, crianças que dormem mal não crescem, os antigos que falavam “menino vai dormir para crescer”. Isso vem de uma sabedoria popular e é real”.

Além da regulação hormonal, a qualidade do sono influencia no aprendizado. “Aprendizado, memória e raciocínio também passam pelo sono. O sono é o período de armazenamento para aquisição de  conhecimento real, não é à toa que as crianças precisam dormir muito porque elas estão em um processo de aprendizado por isso para elas o sono é importante”, disse.

Jessica ainda ressaltou que não adianta trocar o dia pela noite para que essas horas de sono sejam supridas. Os seres humanos são fisiologicamente diurnos e precisam seguir um ciclo circadiano, mudanças físicas afetadas pela luz que pedem uma pausa e um descanso durante a escuridão natural

“É fisiológico e quando você rompe isso, você quebra o funcionamento do indivíduo, para nós humanos o sono durante o dia é diferente e de pior qualidade do que a noite”. Destacou.

A especialista destacou que trabalhadores noturnos correm mais risco de serem afetados por algumas doenças ao trocarem o dia pela noite. “Os trabalhadores noturnos merecem uma atenção muito especial porque não raro, depois de muitos anos trabalhando nesse turno, ficam doentes. Isso é algo que as empresas odeiam que a gente fale, mas é muito comum que eles tenham mais cânceres, problemas cardiovasculares, obesidade e outras consequências se comparado a outros indivíduos”, relacionou.

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