quarta-feira, 29 de junho de 2022
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Jogando por amor e colecionando títulos. Conheça a trajetória do Vila Nova

Com o slogan “futebol levado a sério”, colecionando títulos, sendo um celeiro de atletas e repleto de histórias de paixão pelo esporte, o Vila Nova se tornou referência no futebol feminino no Espírito Santo e continua dando muito orgulho aos capixabas.

O clube foi fundado em novembro de 2007, no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, por Luciano Tadino, presidente e técnico da equipe.

“Ainda precisamos de visibilidade, não só no Estado, mas a nível nacional. Toda a vontade delas de fazer acontecer, mesmo com todas as dificuldades que encontramos no início e ainda enfrentamos, me motiva. Os obstáculos são uma motivação a mais”, revela Luciano Tadino. 

O Vila Nova participou do primeiro Campeonato Capixaba Feminino, organizado pela Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), em 2010. E de cara conquistou o título inédito. O que desencadeou a hegemonia do clube na competição Estadual, sendo heptacampeão.

“Tivemos a oportunidade em 2010 de participar do primeiro Capixaba Feminino e logo faturamos o título. Procurei alguns cursos na área do futebol, tanto da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) quanto da Fifa, e as atletas conseguiram melhorar a tática e a técnica dentro de campo. Hoje temos sete títulos estaduais, sendo seis consecutivos. Isso é tudo fruto de muita dedicação do grupo”, completa.

Técnico Luciano Tadino e atletas do Vila Nova-ES. Foto: Marlyson Tadino
Técnico Luciano Tadino e as atletas do Vila Nova-ES. Foto: Marlyson Tadino

“O que me motivou a trabalhar com o futebol feminino foi o comprometimento que as atletas possuem com a modalidade”

O trabalho desenvolvido pelo clube trouxe a confiança dos pais e das jogadoras, que dividem a rotina de trabalho e estudo com os treinamentos. Durante a semana, a equipe treina às 19h, no Campo do Aliança, em Viana, mesclando com a parte física, na sede da equipe, em Vila Velha. 

“Saímos do nosso município de Vila Velha para ir até Viana. O pessoal que cuida da área abriu as portas da comunidade para nosso time. Temos atletas que saem do trabalho e vão direto ao terminal de ônibus, onde buscamos as meninas. Não é uma rotina fácil. Na verdade, nunca foi”, frisou.

Além do estádio de futebol

Além do futebol, o Vila Nova se estende ao fut7 e ao futebol de areia. Modalidades em que também acumulam conquistas importantes, sendo pentacampeãs estadual e tetracampeãs brasileiras de fut7. O técnico e presidente, Luciano Tadino pontuou que estar presente em diversas competições é importante para manter as atletas em atividade.

“Para trabalhar com o futebol feminino é preciso mesclar em todas as modalidades. Assim, as jogadoras conseguem se desenvolver no esporte. Isso é uma alternativa, pois existem poucas competições de campo. É uma forma de crescer o clube e também deixar as atletas sempre em ação”.

Estadual de Beach Soccer 2021. Foto: Marlyson Tadino
Estadual de futebol de areia 2021. Foto: Marlyson Tadino

A extensa coleção de conquista é sinônimo do trabalho do clube. Mas para o idealizador do time, a continuidade do clube em meio as adversidades é o maior troféu.

“São muitos títulos. Mas é o que eu digo: eles são importantes, porém, o que nos alegra de verdade, é ver a continuidade do projeto seguindo por tanto tempo. São 17 anos de Vila Nova e isso é gratificante. Manter o clube, mesmo com as dificuldades que enfrentamos, é um título enorme”.

Desde o início

O plantel da equipe do Vila é formado por atletas novas e experientes. Uma das líderes desse grupo é Luana Tonete, meia, de 35 anos, que veste a camisa do clube desde o primeiro dia de treino, em 2007.

“É muito gratificante. Eu que estou desde o início, sei o quanto o time evoluiu. Antigamente, não tinha bola, nem colete. Agora já conseguimos subir de nível. Todas trabalham juntos, tanto as jogadoras veteranas quanto as mais novas”.

A atleta divide a rotina de trabalho formal com a de treinos e jogos. Apesar de não receber salário por ser jogadora, o amor pelo esporte é o que a motiva a seguir fazendo história pelo clube. 

“Apesar de não ganhar nada, jogamos porque gostamos. O que mais falta é ajuda. Disputamos uma competição nacional e quase não temos apoio governamental. Representamos o Estado e sem esse apoio fica ainda difícil. Mas a gente vai se virando. Fazemos rifas e outras coisas para conseguirmos disputar as competições”, finalizou Luana Tonete.

Luana Tonete, meia do Vila Nova-ES. Foto: Marlyson Tadino
Luana Tonete, meia do Vila Nova-ES. Foto: Marlyson Tadino

O esporte como motivação

O sonho do futebol quase foi interrompido para a atacante Nairelly Verli, mais conhecida como Naná, de 24 anos. Em janeiro de 2021, a atleta sofreu um grave acidente de moto e precisou se afastar da bola para se recuperar.

A princípio, os médicos acreditavam que ela não poderia mais voltar a jogar, mas após três meses a jogadora retornou – de leve – aos gramados. Hoje, Naná treina e é opção para o técnico Luciano Tadino.

“Quando os médicos falaram que eu não poderia nunca mais jogar bola, parecia que meu mundo parou. Mas voltei e um ano depois estou bem novamente. Foi muito difícil aquele período, mas eu sempre tive a confiança do técnico e da equipe, que acreditaram na minha recuperação. Agora estou fazendo o que amo”, frisou Naná.

Naná, atacante do Vila Nova-ES. Fotos: Marlyson Tadino
Naná, atacante do Vila Nova-ES. Fotos: Marlyson Tadino

Celeiro de talentos

Um dos frutos da equipe do Vila Nova é a goleira Karol Alves. Hoje ela veste a camisa do Bragantino-SP e é a atual campeã Brasileira da Série A2. A atleta também defendeu outras equipes, como o América-MG. Por lá ela conquistou a Taça BH.

A carreira da ex-Vila também se estendeu ao cenário internacional. Jogando pelo ŽNK Split, a arqueira faturou o título do Campeonato Croata Feminino 2019/20.

Karol Alvez goleira do RB Bragantino
Karol Alvez goleira do RB Bragantino

Futuro

Representando o Espírito Santo na série A3 do Campeonato Brasileiro, o clube aguarda a decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobre o início da competição.

Cabe aqui lembrar que o calendário de competições deste ano previa iniciar o torneio no mês de maio. No entanto, a CBF se manifestou oficialmente alegando o adiamento da competição por questões de planejamento.

“Sempre vamos em busca de algo maior. Nos últimos dois anos nós enfrentamos a pandemia da Covid-19. Agora tomamos outro banho de água fria. Estávamos preparando para estrear na Série A3 e infelizmente não aconteceu. A CBF soltou uma nota recentemente dizendo que está reformulando o planejamento e, claro, a ansiedade fica a mil”, disse Luciano Tadino.

Antes da competição nacional, equipe disputa a final da Copa Espírito Santo, neste domingo (29), contra a equipe do FC Estadual, nas categorias profissional e Sub-17, a partir das 14 horas, no Campo do Aribiri, em Vila Velha.

“Jogadora cara”: Repórter vira atleta do Vila Nova por um dia

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