quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Vitória

Bruno Xavier: “rei da areia” brilha em outro terreno e conquista 1º título no fut 7

 

Bola de ouro da Copa do Mundo em 2013, uma carreira recheada de títulos por clubes e pela Seleção Brasileira de beach soccer e vários anos de serviços prestados ao futebol de areia. Com este currículo invejável, o capixaba Bruno Xavier mostrou que é “pé quente” também em outro piso, a grama sintética.

No último fim de semana, a equipe do Unicapixaba se sagrou bicampeã da Taça Libertadores da América de futebol 7, e Bruno Xavier fez parte do elenco. O jogador revela que atuou pela primeira vez de forma oficial no fut 7, porém, tratou logo de descartar uma mudança definitiva para a nova modalidade.

“Primeira vez que boto uma chuteira society. Literalmente. Jogo campo uma vez por ano em jogo beneficente que faço. Fiz testes, passei, mas não tenho interesse, jamais. Amo o futebol de areia, vi que seria feliz ali, não é pelo dinheiro. Respeito muito o futebol 7, e por eu respeitar eu não posso usufruir de algo que não construí. No fut 7 eu cheguei agora, com tudo que eles já ergueram. Lekão, Rafinha, Ciro, um monstro. Navinha, o que esse cara joga. Eles lutaram mais de 10 anos, conquistaram isso. Quem sou eu? Não é hipocrisia, porque se me perguntar, na areia eu construí. No fut 7 já estava tudo preparado. Vou voltar a jogar com eles, porque gostei do grupo”, revela.

 

Xavier contou que o convite partiu de dois amigos de longa data: Camillo Neves e Rafinha. Mas revelou também que tinha receio de atuar no novo piso. O apoio dos companheiros e do técnico Maurição Bezerra foi fundamental para o sucesso.

“Conhecia o Maurição de longe só, nunca havia trabalhado com ele. Ele me convidou e eu disse: ‘nunca botei uma chuteira, cara’. Acho difícil o fut 7, porque é muita tática. Ele disse ‘Bruno eu não erro. Vai dar certo. Vejo você jogando ali atrás, pra conter os pivôs, porque você marca pela frente, antecipa’. Eu falei que era certo que não daria certo (risos). Os caras me ajudaram muito, sempre incentivando, fizeram muita diferença”, disse.

Acostumado a sempre jogar descalço no beach soccer, Bruno Xavier encarou a primeira dificuldade na grama sintética: qual chuteira comprar? Novamente o apoio dos companheiros de equipe amenizou os problemas.

“Não sabia qual chuteira comprar e liguei pro Rafinha. Ele disse: ‘Não compra chuteira preta e pega uma que seja alta atrás, pra amenizar o impacto’. Até comprando a chuteira os caras me ajudaram. Não sabia, não tenho experiência. Quando fui treinar, tudo é diferente, jogo descalço. Eu vi que com a bola no pé eu só ia atrapalhar, porque não tenho a precisão do Navinha, Lecão, Rafinha. Eles têm precisão, são muito firmes. Eu não tinha isso, porque é diferente. Meu jogo é no alto e ali é no chão.”

Unicapixaba

Maior campeão da modalidade em solo capixaba e um dos maiores do Brasil, o Unicapixaba é o antigo Unilog, que por sua vez veio do fortíssimo time de fut 7 do Rio Branco. Bruno Xavier acredita ter feito parte de um projeto à longo prazo e que já colhe os frutos de tanta dedicação ao longo dos anos.

“Eu entrei em algo já preparado, um projeto já consolidado e liderado pelo Paulo e Flávia. Eles são um casal amante do esporte, dessa modalidade, que não medem esforços para estarem à frente, abriram mão dos filhos para estarem conosco. E o Maurição, que está para mim entre os três melhores treinadores com os quais já treinei na carreira. Pena que não tenho algum treinador como ele na areia. É um ‘maluco’, chamo ele assim, pela modalidade, respira, vive isso”, disse ele, que continuou.

“Fora os atletas líderes, Rafinha, Ciro, Navinha, Allan Gato, Terrão, Lekão, que é o nosso capitão, Camillo Neves, o Dani. Caras que são líderes e ajudam o Maurição na condução do time, repleto de jovens. Tenho certeza que foi o grupo unido que vivemos que nos levou ao título”, destacou.

Apoio ao fut 7

O jogador pretende se dividir entre o beach soccer e o futebol 7, ressaltando que sua prioridade é o futebol de areia. E termina fazendo um apelo por mais apoio ao futebol de grama sintética, ressaltando que a formação de novos talentos do esporte capixaba passa pela valorização e posterior sucesso da geração atual.

“Estaremos na próxima competição, na Itália. Se não tiver compromisso na areia, estarei. Falei que este ano, estando disponível, estarei com eles. Criei identidade com eles, todos, sem exceção. Quero ressaltar que o fut 7 está crescendo muito lá fora e o Espírito Santo tem que ser mais valorizado”, reforçou.

O craque foi além. “Existe um trabalho muito sério, pessoas comprometidas e nós temos potencial de ganhar o mundo para o nosso estado no fut 7. Temos que levantar nossa bandeira, dar novas referências para o esporte capixaba. Estamos carentes. Temos o Alisson (vôlei de praia), mas depois, quem está vindo? Na areia eu, o Mão (goleiro). No futsal a gente precisa de mais. No campo, temos o Richarlison. O fut 7 precisa de apoio da mídia, imprensa e governo. Sermos bairristas mesmo, valorizar o que é nosso”, finaliza.

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