quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Unicapixaba vence campeão brasileiro e fatura o bi da Libertadores de Fut 7

O Espírito Santo no topo da América mais uma vez. O Unicapixaba superou o Áurea-RJ e conquistou o bicampeonato da Copa Libertadores de Futebol de 7, no último domingo (27). Após terminar o primeiro tempo perdendo por 2 a 0, a equipe capixaba buscou o empate – Falcão marcou duas vezes – na segunda etapa e levou a decisão para os shoot-outs. Na disputa, brilhou a estrela do goleiro Ciro, que impediu uma finalização, defendeu outra e garantiu o 3 a 0.

A conquista veio em território adversário, já que a edição deste ano foi disputada na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na Arena CTBG, no bairro Curicica. Organizada pela Confederação Americana de Futebol de 7 (CAF7), a competição reuniu 24 equipes na disputa masculina e oito na feminina. Nesta, o título ficou com a equipe mineira Lustrika, que derrotou as capixabas do Vila Nova nos shoot-outs depois de um empate por 2 a 2.

Para o responsável pelo empate, o título trouxe um sentimento de muita gratidão. “O melhor possível”, disse à imprensa, ao final da partida. Falcão explicou ainda que foi um dos últimos a compor o elenco. Apesar do pouco tempo, destacou a importância dos companheiros nos momentos de baixa no torneio.

Coletividade é realmente a receita do grupo, como atesta Rafael de Souza Aires, o Rafinha. Aos 37 anos e um dos mais experientes da equipe, o ala esquerda joga pelo Unicapixaba desde 2016 e participou de todas as conquistas, inclusive a primeira Libertadores, em 2019.

“Foi uma competição diferente de tudo, porque nosso time veio de um ano muito ruim em 2021. Perdemos o Mundial e o Brasileiro. Este ano viramos a chave e vejo que uma parcela muito importante nisso foi a presença do Bruno Xavier, que veio com um pensamento muito mais elevado, profissional. Isso mudou tudo para que nos preparássemos à altura para disputar um título de Libertadores”, conta.

Rafinha, Felipe Terrão (meio) e Bruno Xavier exibem medalha da Libertadores 2022 – Foto: Divulgação

Retomada

As derrotas no Campeonato Mundial de Clubes Fut 7, na semifinal contra o H. United, do México, e no Campeonato Brasileiro de 2021, para o CSA-AL, deixaram marcas. Era preciso mudar a mentalidade para retomar o caminho das vitórias e assim defender o posto campão da América.

“Digo que o título começou há três meses, durante a preparação. Lá atrás todo mundo abdicou de alguma cosia, família, lazer para estar focado na competição. O projeto precisava desse título. Há 6 anos, é o mais antigo do Estado, o mais duradouro. A gente precisava do título, porque 2021 foi muito ruim”, recorda, compartilhando na sequência como o multicampeão no futebol de areia mudou

“Coisas que nós não tínhamos no nosso dia a dia, ele que implantou, como reunião de atletas. No processo de treinamento ele mesmo ligava para cada um para saber se estávamos nos cuidando. Foi uma experiência que ele tem como profissional, de alto rendimento, de melhor do mundo e passou para gente. Pela qualidade de todos do elenco, compramos a ideia que ele trouxe e, graças a Deus, conseguimos o título”.

“Mais 5 minutos, eles viravam”

A final contra o Áurea foi, na opinião do ala, o jogo mais difícil do torneio, “devido as duas equipes serem de muitas qualidades”. No entanto, o empate heroico diante do atual campeão brasileiro passou, fundamentalmente, pelo susto da última rodada da primeira fase. Contra o Los Chiches, do Chile, o Unicapixaba abriu 5 a 1, mas a partida terminou em 6 a 4, com os adversários por pouco não igualando o marcador.

“Pegamos um time frágil e acabou que, no segundo tempo nos complicamos, quase deixando a vitória escapar. Abrimos 5 e acho que foi um relaxamento natural, porque fizemos 15 a 0 contra os argentinos [Los Wichis] e chegamos classificados na última rodada. Se tivesse mais 5 minutos, eles viravam. Foi muito importante até mesmo para nos por no nível em que realmente estávamos. Quando você vem de uma vitória de 15, costuma elevar o ego, achar que as coisas estão mais fáceis”, lembra.

O ala esquerda Rafinha em ação no torneio e sob o olhar atento do técnico Maurição – Foto: Divulgação

Situações como essas dão a Rafinha a certeza das particularidades do esporte que, “diferente do futsal e futebol de campo, é cruel porque, às vezes, um time com mais vontade ganha. Se vc estiver com a parte técnica boa, mas a vontade baixa, o time com mais vontade se sobressai. Tem que ter um equilíbrio. É a chave do sucesso”.

Adeus

Dividido entre o emprego de técnico de planejamento na Vale e o esporte, Rafinha prepara o adeus do Futebol de 7. O primeiro motivo é a cobrança pessoal. O segundo, a idade avançada para a prática esportiva, cada vez mais exigente e imprescindível de uma boa preparação física e mental. Soma-se a isso as escolhas que devem ser feitas, como se afastar da família e dos prazeres cotidianos.

“Estou no esporte há muito tempo e sou um cara que se cobra muito. É preciso estar 100%. Nessa idade, é tem que abdicar de família e de outras atividades que tenho. Meu compromisso com o Unicapixaba é ir até o final do ano. Pretendo chegar bem lá. Daí conversaremos: se vou parar por aqui, se vou mais um ano. Pode ser o ano do adeus. A gente gosta, fica triste mas é bom terminar no auge”, revela.

Mesmo passível de mudança, a mente de Rafinha traz firme a ideia de que 2022 é o ano do adeus. Até lá, mira a Copa do Brasil, que será disputada em Florianópolis, Santa Catarina, o Campeonato Brasileiro, que acontecerá em Vitória, e a Copa dos Campeões Sul-americanos – ainda sem data e local definidos. Depois, resta o legado, “o mais importante”.

“Quando anunciei que seria o último ano os atletas mais novos me ligam pedindo para continuar. ‘Vamos mais um, eu te ajudo’. Esse feedback é um sinal que a gente está fazendo o certo. Mesmo num ambiente de muita disputa a gente deixa um legado de ser uma pessoa transparente, que serve até de espelho para os mais novos, uma referência”.

Atleta planeja aposentadoria dos gramados ainda em 2022 – Foto: Divulgação

O bicampeão da América torce para que outros tenham oportunidades que ele não teve antes de pendurar as chuteiras. “Espero melhorias em nível nacional. O esporte não é unificado, temos três federações. Para você ter uma ideia, eu já fui convocado para duas seleções brasileiras. É a unificação do esporte, porque, com ela, Futebol de 7 tende a ganhar todo mundo. Já evoluiu bastante. É o esporte mais praticado devido a essas praças de campo sintético que os governos fazem em cada local”.

O sonho já é certeza na cabeça de Rafinha. “Tenho certeza de que vai ser uma equipe profissional de Fut 7, com atletas vivendo desse esporte. Eu não tenho mais essa opção”, encerra o jogador, repleto de títulos também no futebol de salão, entre eles 10 campeonatos capixabas e um vice-campeonato mineiro, em 2005.

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