Editora capixaba traz ao público literatura de ícone do samba nacional

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Nascido em Nazaré das Farinhas (BA), Roque Ferreira já teve mais de 500 canções gravadas por intérpretes do calibre de Clara Nunes, João Nogueira, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Alcione e Maria Bethânia, entre eles grandes sucessos como “Samba pras moças” e “Água da minha sede”. Porém, sua obra literária ficcional só veio a público recentemente, por meio de uma editora capixaba, a Cousa, que publicou seu livro de estreia quando já tinha 71 anos de idade. Agora, aos 77, Roque se prepara para divulgar mais uma publicação,”Considerações sobre o amor”, sua primeira obra com poesias, que será lançada neste sábado (27) no Rio de Janeiro.

Apesar de já ter muitos sambas “na boca do povo” pela oralidade e musicalidade, a chegada de seu trabalho escrito ao público demorou. Só veio à tona em 2018 por meio de ponte do professor e escritor Marcos Ramos, que assina a orelha de “Considerações sobre o amor”. Após se conhecerem e criarem uma amizade na Bahia, Roque mostrou seus escritos a Marcos, que gostou e os enviou para Saulo Ribeiro, responsável pela Cousa, que logo topou publicar o primeiro livro do autor, que antes, em 2015, já havia publicado o ensaio etnográfico Terreiros de Samba-Chula.

“É uma grande honra para a gente ter Roque Ferreira na Cousa”, diz Saulo Ribeiro. “Paulo César Pinheiro dizia que um dia iam descobrir o grande escritor que Roque Ferreira é. O Marcos Ramos criou esse projeto dentro da Cousa e a gente foi atrás do Roque para trazer a literatura dele. Primeiro veio ‘Puçangas’, estreia dele na ficção com contos, depois veio o ensaio ‘Mouros’ e agora estamos lançando sua poesia em ‘Considerações sobre o amor’. Já está sendo preparado também ‘Ossos de Borboleta’, um romance que terá prefácio do Luiz Antonio Simas”.

Sobre sua trajetória, Roque Ferreira conta que sua primeira canção composta foi um fado, quando tinha ainda dezesseis anos de idade. Mas foi a partir de sua carreira como publicitário que passou a se dedicar mais à escrita. “Na publicidade aprendi a escrever textos de forma sucinta e empreguei esse conhecimento para minhas músicas e textos”. Depois de 21 anos de trabalho na área, após o fechamento da agência em que trabalhava, ele decidiu sair da Bahia rumo ao Rio de Janeiro para tentar levar adiante sua música  “É um trabalho cansativo, difícil, tem muitos bons compositores no Rio. Mas fui pouco a pouco conhecendo artistas como Martinho da Vila, Beth Carvalho, fazendo amizades e parcerias e consegui conquistar meu espaço”.

Sobre o novo livro, “Considerações sobre o amor”, será lançado no sábado (27), às 13h, na Livraria Folha Seca, no Centro do Rio de Janeiro. A partir das 14h, terá início no local uma roda de samba com convidados e parceiros do escritor e compositor.

“Neste livro falo basicamente do amor, do amor em diversas formas. Eu sempre fui muito ligado ao amor”, diz o autor sobre a obra que além de poemas traz também duas crônicas de sua autoria. “A literatura sempre fez parte da minha cabeça, das coisas que eu penso. Tenho facilidade, é uma coisa muito satisfatória. Me sinto muito realizado com as publicações”, afirma.

O evento no Rio de Janeiro vai contar ainda com a presença de grandes amigos e parceiros de Roque Ferreira na vida e nas artes e também com a equipe da produtora Baião de Dois, que estará registrando imagens e depoimentos para o documentário musical “Roque Ferreira – é preciso criar ilusões”, dirigido por Luciana Queiroz, previsto para estrear em 2025. “Roque é um dos principais compositores da música popular brasileira, reconhecido e reverenciado por seus pares e seu público, e para nós tem sido um privilégio conviver de perto com esse homem sensível, um artista genial, que merece todas as honras e homenagens”, considera a cineasta.

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