quarta-feira, 12 de junho de 2024
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Drex: veja o que é e saiba como vai funcionar o real digital

O Banco Central (BC) do Brasil deu mais um passo significativo em direção à concretização da sua versão digital da moeda nacional. O aguardado anúncio feito nesta segunda-feira (7) revelou que a moeda digital brasileira será denominada “Drex”.

Com a fase de testes em curso desde março e as primeiras simulações de operações previstas para setembro, o real digital visa expandir as oportunidades de negócios e fomentar a inclusão financeira, proporcionando um ambiente seguro com riscos mínimos de fraude.

Segundo o BC, a proposta é que o Drex seja utilizado no cenário de serviços financeiros em larga escala, desempenhando um papel similar ao Pix, o sistema de transferências instantâneas em vigor desde 2020. Ele será empregado para transações de grande montante e com diferentes propósitos. Os consumidores precisarão converter reais em Drex para enviar dinheiro e fazer o inverso para receber fundos.

Drex: A Moeda Digital Brasileira

O Drex, também conhecido como real digital, funcionará como uma forma eletrônica de papel-moeda, embasada na tecnologia blockchain, a mesma utilizada pelas criptomoedas. Enquadrado na categoria de Moeda Digital de Banco Central (CBDC, em inglês), essa ferramenta terá seu valor garantido pela autoridade monetária, sendo que cada R$1 será equivalente a 1 Drex.

O blockchain, uma estrutura à prova de invasões, é descrito como um tipo de banco de dados ou livro-razão, onde dados são inseridos e transmitidos com segurança, rapidez e transparência. Livre de um órgão central de controle, essa tecnologia opera como uma cadeia de blocos criptografados, com cada elo fechado após um certo período de tempo. A imutabilidade dos blocos é assegurada por senhas criptografadas, impedindo alterações ou remoções de informações.

Diferenças em comparação com outras criptomoedas

Distanciando-se das criptomoedas convencionais, cujo valor flutua com base na lei da oferta e demanda, e pode sofrer variações acentuadas em curtos intervalos, o CBDC oscila de acordo com as taxas diárias de câmbio estabelecidas pelos fundamentos e políticas econômicas de cada nação. Vale ressaltar que a flutuação cambial do Drex só terá impacto em operações entre países distintos. No contexto doméstico, o Drex manterá a paridade com o papel-moeda.

Outra diferença marcante é o método de produção. Enquanto criptomoedas como Bitcoin e Ethereum podem ser “mineradas” por meio da resolução de algoritmos em computadores, consumindo considerável energia, o Drex será emitido pelo Banco Central, com paridade em relação ao real.

Drex vs. Pix: distinções e funcionalidades

Embora possa ser considerado como um parente próximo do Pix, devido à possibilidade de permitir pagamentos instantâneos entre diferentes instituições financeiras, o Drex funcionará de maneira distinta. No Pix, a transferência ocorre em reais, obedecendo a limites de segurança definidos pelo Banco Central e pelas instituições financeiras. Já o Drex utilizará a tecnologia blockchain, a mesma das criptomoedas, para processar suas transações, permitindo valores mais elevados para transferências.

Ampla gama de serviços com o Drex

Uma variedade de serviços financeiros poderá ser conduzida através do Drex, incluindo transferências, pagamentos e até mesmo aquisição de títulos públicos. Consórcios autorizados pelo Banco Central terão a liberdade de desenvolver ainda mais possibilidades, como a capacidade de efetuar pagamentos instantâneos para parcelas de imóveis, veículos e benefícios sociais. Isso foi anunciado por um consórcio composto pela Caixa Econômica Federal, Microsoft do Brasil e a bandeira de cartões de crédito Elo.

O Drex também viabilizará a implementação de contratos inteligentes. Por exemplo, em uma venda de veículo, não haverá mais debates sobre quem deve efetuar o depósito ou transferir os documentos primeiro. Todo o processo será automatizado, ocorrendo instantaneamente e reduzindo os custos administrativos, intermediários e agilizando as operações.

Acesso e implementação

O acesso direto ao Drex para os consumidores está previsto para o final de 2024 ou início de 2025. No entanto, ele será utilizado principalmente em um âmbito atacadista, sendo trocado entre instituições financeiras. Os clientes poderão operar com a moeda digital, mas através de carteiras virtuais, não tendo acesso direto à mesma.

O processo se dará da seguinte forma: os clientes, sejam indivíduos ou empresas, depositarão a quantia desejada em reais em uma carteira virtual. Esta, então, converterá a moeda física em Drex, seguindo a taxa de câmbio de R$1 para 1 Drex. Essas carteiras serão operadas por bancos, fintechs, cooperativas, corretoras e outras instituições financeiras, sob a supervisão do Banco Central. A evolução tecnológica possibilitará a criação de novos tipos de empresas com carteira virtual.

Após a tokenização, que é a conversão de um ativo real em ativo digital, o cliente poderá transferir a moeda digital usando a tecnologia blockchain. O destinatário será responsável por converter os Drex em reais e realizar o saque.

Processo de testes

O Banco Central selecionou a plataforma Hyperledger Besu para conduzir os testes com diversos tipos e naturezas de ativos desde março. Essa plataforma se destaca por operar com código aberto (open source), o que contribui para baixos custos de licenciamento e royalties de tecnologia.

Em junho, o BC escolheu 16 consórcios para participarem do projeto piloto. Eles irão desenvolver sistemas que serão integrados ao Hyperledger Besu, além de criarem produtos financeiros e soluções tecnológicas. Os testes com esses consórcios estão programados para começarem em setembro e envolverão operações simuladas, focando na segurança e agilidade entre o real digital e os depósitos tokenizados das instituições financeiras. Com informações da Agência Brasil.

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