quarta-feira, 29 de junho de 2022
16 C
Vitória

Dólar salta a R$5,07 e assusta o mercado

O dólar fechou a sua cotação na noite desta segunda-feira (13) a R$ 5,07 reais, levando temor ao mercado devido ao viés inflácionário que o aumento traz embutido.

A moeda americana operou com folga acima da marca psicológica de 5 reais, com os mercados ainda abalados por dados recentes de inflação norte-americanos, em semana que terá como destaques as reuniões de política monetária dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos.

Às 10:15 (de Brasília), o dólar à vista avançava 1,72%, a 5,0752 reais na venda, rondando os maiores patamares do dia. Caso mantivesse esse patamar até o fim dos negócios, a divisa registraria uma máxima para encerramento desde 12 de maio passado (5,1424 reais).

O real não estava isolado no vermelho em relação ao dólar. A maioria das principais divisas do mundo caía acentuadamente no dia, com peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano entre os destaques negativos, cedendo de 1,5% a 2,2%. Frente a uma cesta de rivais de países ricos, a moeda norte-americana ganhava 0,25% no dia, aproximando-se de um pico em duas décadas atingido no mês passado.

Os mercados “estão dando continuidade à forte aversão a risco verificada na segunda metade da semana passada e acelerada após a divulgação dos dados de inflação nos EUA na sexta-feira”, disse em blog Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG.

O Departamento do Trabalho dos EUA informou no final da semana passada que seu índice de preços ao consumidor acelerou a alta a 1% em maio, contra 0,3% em abril e expectativa de taxa de 0,7%. O avanço acumulado em 12 meses foi de 8,6%, o mais intenso desde dezembro de 1981, com os preços da gasolina atingindo um pico recorde.

A leitura desencadeou fortes temores de que o Federal Reserve optará por aumentos mais agressivos dos juros de forma a conter a disparada da inflação, o que poderia minar a atividade da maior economia do mundo num momento já desafiador, em meio à guerra na Ucrânia e a riscos de novos lockdowns da Covid-19 na China.

Isso levou a uma inversão na curva de juros entre os rendimentos dos títulos soberanos de dois e dez anos dos Estados Unidos –movimento que geralmente prenuncia uma recessão nos próximos um ou dois anos.

“A inversão da curva de juros nos EUA… é um indicador preocupante para a dinâmica dos mercados. O Brasil, por ora, será refém desta aversão a risco internacional”, disse Kawa.

Contratos futuros vinculados aos juros básicos dos Estados Unidos mostravam nesta manhã probabilidade de 30% de adoção de aumento de 0,75 ponto percentual pelo Federal Reserve em sua próxima reunião de política monetária, que começa na terça e termina na quarta-feira desta semana. Para o encontro de julho, a chance de elevação de 0,75 ponto era de mais de 80%.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -