sexta-feira, 24 de junho de 2022
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Com renda em queda, capixabas se “viram nos 30” para pagar as contas do mês

O que você faria com uma renda de R$ 1,2 mil? Cerca de 33 milhões de brasileiros que recebem um salário mínimo têm que se virar com essa quantia, todo mês, para arcar com as despesas, que vão do aluguel ao supermercado, da farmácia às compras na feira.
Com a disparada dos preços devido à inflação galopante, muita gente está buscando alternativas para não faltar o básico dentro de casa. Substituição de produtos com preço mais alto, diminuição do consumo de carne, troca do ônibus pela bicicleta, utilização de fogão à lenha e até mesmo pular refeições são algumas medidas para esticar o salário.
O lavador de carros Erverson Ribeiro Nascimento, 22 anos, toca um pequeno lava a jato no bairro Mário Cypresti, na Grande Santo Antônio, em Vitória. Com dificuldades e sem qualquer apoio público, ele chegou a ter dezenas de clientes antes da pandemia da Covid-19. Em dois anos, Erverson teve que dispensar dois funcionários e viu os clientes sumirem.
“Estamos nos reerguendo, mas não está sendo fácil. A renda caiu muito e vivo com o básico. As contas atrasaram e vamos pagando como podemos, mas, graças a Deus, dentro de casa não falta nada”, revela.
Erverson Ribeiro vive com pouco mais de um salário mínimo por mês. E isso porque estendeu a carga horária de trabalho de 8h para 10 horas por dia. “Antes eu fechava o lava a jato às 17h e ia ficar com minha filha. Hoje, chego em casa às 19h. Se não for assim, as coisas iriam faltar”, afirma.
E Erverson não está sozinho nessa. No Espírito Santo, com o aumento recorrente no preço dos alimentos, o tempo de trabalho para comprar uma cesta básica no Espírito Santo aumentou quase 30 horas nos últimos três anos.
Isso equivale a quase quatro dias de trabalho a mais, considerando a jornada de oito horas. Ao longo do mês, são necessários 15 dias de trabalho a mais para adquirir os alimentos.
Segundo o Dieese, a cesta com os itens básicos para o consumo das famílias saltou 60,7% nos últimos três anos, de R$ 424,21 para R$ 682,54. A variação para a compra dos mesmos bens exige 123 horas e 53 minutos de trabalho para quem recebe o salário mínimo. Em janeiro de 2019, eram necessárias 93 horas e 31 minutos.
Segundo levantamento da LCA Consultores, com base nos indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) trimestral do IBGE, o país encerrou 2021 com um total de 33,8 milhões de trabalhadores (36% do total de ocupados) com renda mensal de até 1 salário mínimo, o maior contingente já registrado na série histórica iniciada em 2012. Em 1 ano, o salto foi de 12,2%, ou 4,4 milhões de pessoas a mais.
O Vigilante Carlos Gerson Pereira mora em Cariacica e tem dois filhos pequenos. Demitido em 2020, ele vive de bicos que rendem um salário mínimo por mês. A jornada semanal ultrapassa as 50 horas. Às vezes, Carlos estende ainda mais a jornada e entrega lanches de bicicleta ou a pé, já que a gasolina para a motocicleta está muito cara.
“Não dá para viver. Estamos sobrevivendo, buscando alternativas. As crianças reclamam, mas não consigo ganhar nem R$ 1,5 mil por mês. É humilhante ouvir o filho pedir um brinquedo, um chocolate e não ter dinheiro para comprar”, reclama.
Vigilante perdeu o emprego e se vira com bicos, que não chegam a R$ 1,5 mil.

E o vigilante tem razão. Segundo o Dieese, em novembro de 2021, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 5.969,17.

Isso equivale a quase cinco vezes o valor estabelecido para 2022. O departamento indica que mais de 56 milhões de pessoas têm o salário mínimo como referência para cálculo de seus rendimentos.

Dicas

Use o transporte público

Se seu trabalho é perto de transporte público, chame sua autoridade de trânsito local e solicite os horários dos ônibus que você pega para o trabalho. Também pergunte sobre bilhetagem eletrônica e descontos para quem pega mais de um ônibus.

Se você não mora perto de transportes públicos, peça a um amigo ou colega de trabalho por uma carona. Se você mora no mesmo bairro que colegas de trabalho, dividir a gasolina de um carro pode ficar mais barato e ser mais eficiente do que pegar um ônibus. Converse e coloque na ponta do lápis os custos. Você poderá até usar o dinheiro do vale transporte para outros fins, como lazer, transporte da família, entre outros.

Cozinhe em casa

Use os ingredientes que você já tem em sua despensa para fazer refeições e não compre mantimentos até que você esteja quase fora das coisas para cozinhar. Por exemplo, se você tem alguma sobra molho de espaguete no freezer e algumas sobras na geladeira, você pode fazer receitas bem criativas. Caso cozinhar em casa não seja uma opção, você pode buscar restaurantes populares ou empresas que fazem pratos prontos mais baratos.

Procure informações sobre o programa Minha Casa, Minha Vida

Dependendo da sua cidade, você pode visitar o escritório da autoridade local de habitação e saber informações sobre o programa Minha Casa, Minha Vida. Com apenas R$50,00 mensais você pode começar a pagar por sua casa própria e não depender de aluguel ou dividir casa com outras pessoas. O importante aqui é tentar minimizar ao máximo seus custos.

Encontre pechinchas sempre que puder

Tire proveito de vendas dos supermercados semanais. Também compre em lojas que vendem mais barato por quantidades maiores, além de buscar as feiras de bairro para alimentos mais baratos. Você pode até fazer uma pequena horta, se sua casa permitir. Roupas podem ser compradas em lojas que tem preços mais baratos, ou lojas de bairro.

Economize tanto quanto sua renda permitir

Uma conta poupança de emergência é importante, pois as emergências de saúde podem surgir ou você pode perder o seu emprego um dia. Você também pode economizar dinheiro para as coisas de lazer, tais como novas roupas, ingressos para shows ou novos móveis domésticos. Tente sempre salvar uma pequena quantia semanal ou mensalmente, mesmo que seja R$10. Este dinheiro poupado fará a diferença no longo prazo.

Busque formas de incrementar sua renda

Seja através dos estudos, buscando melhores empregos ou “bicos”, você tem que buscar formas de aumentar sua renda. Ninguém vive bem com um salário mínimo pelo resto da vida. Você deve buscar constantemente formas de incrementar a renda e assim, ter melhores condições de trabalho e de vida.

Programa Bolsa Família

Por fim, busque informações sobre o Programa Bolsa Família. O intuito dele é fornecer uma base financeira e segurança para aqueles que mais precisam. E você pode usar o dinheiro do programa para melhorar sua poupança ou pagar por um curso gratuito. Lembre-se sempre que oportunidades surgem por todos os lados: basta que você queira encontrá-las.

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