sexta-feira, 24 de junho de 2022
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Brasileiro ainda com um pé na velha poupança, que pouco rende

Uma pesquisa feita pela Anbima mostra que 40% da Geração Z (entre 16 e 25 anos) usam canais digitais como aplicativos de bancos e corretoras, sites de notícias, fóruns on-line e blogs para buscar informações sobre investimentos.

Entre os Millenials, entre 26 e 40 anos, esse percentual já fica em 32% e entre a Geração X, entre 41 e 60 anos, é menor ainda, 22%.

Se você tem mais de 30 anos e se sente um pouco jurássico ao ver o seu amigo de trabalho, muito mais jovem, usando a tecnologia como se tivesse nascido com um tablet na mão, acalme-se, você não está sozinho.

Uma ampla pesquisa feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, sobre o Raio X do Investidor Brasileiro mostra que a Geração Z (entre 16 e 25 anos) marca a virada definitiva das pessoas para os canais digitais financeiros.

Para se ter ideia, 40% dos entrevistados dentro desse intervalo de idade usam canais digitais (como aplicativos de bancos e corretoras, sites de notícias, fóruns on-line e blogs) para buscar informações sobre investimentos. Esse percentual vai caindo à medida que a idade aumenta. Entre os Millenials (entre 26 e 40 anos), esse percentual já fica em 32% e entre a Geração X (entre 41 e 60 anos) é menor ainda, 22%.

Os jovens começam a montar sua carteira com valores baixos – de cerca de R$ 660 no primeiro investimento, em média

“Esses números mostram que os bancos têm um desafio e tanto pela frente para atender esse novo público que é muito mais plugado e atualizado”, diz Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Certificação e Educação de Investidores da Anbima.

Agora, engana-se quem acha que a entrada dos mais jovens no mundo financeiro e bancário será o fim dos assessores e dos consultores financeiros. “Assim como as outras pessoas, eles precisam de alguém que os aconselhem sobre o que é melhor fazer com o dinheiro. Inclusive, pesquisas nossas já constataram que, quanto mais acesso à informação as pessoas têm (no caso a Geração Z tem muito acesso), mais confusos eles ficam, portanto, mais precisam de um profissional que diga por onde ir”, afirma Billi.

Ele lembra, inclusive, que os gerentes mais assertivos em suas recomendações são os que mais vendem produtos. “Assim como um médico ou um mecânico de carro, investimento é algo bastante técnico para o público em geral e o que a pessoa espera é ter um consultor que entenda muito mais do assunto do que ele e o ajude a tomar a melhor decisão”, explica o superintendente. Vale ressaltar que ser assertivo não é recomendar o produto que é interessante para o banco, mas não se encaixa no perfil do cliente e sim ter a segurança de saber analisar a pessoa e só depois encontrar o investimento que ela de fato deseja ou necessita.

Um pé no risco, o outro no porto seguro

Se os mais jovens se sentem seguros o suficiente para resolver a vida financeira nos canais digitais, o mesmo não acontece na prática, em suas carteiras de investimentos. Mesmo antenados e modernos, a pesquisa da Anbima mostra que 14% (o maior percentual) da Geração Z ainda aplica no mais tradicional dos investimentos: a boa e velha poupança.

Contradições à parte, se um pé está no conservadorismo, o outro essa geração coloca no risco total, com 5% desses entrevistados investindo em criptomoedas. Na visão de Billi, as criptos passam hoje por um fenômeno de manada, que é quando os investidores se sentem compelidos a embarcar de cabeça num determinado ativo pelo simples de ver que outras pessoas estão fazendo o mesmo.

“Não há uma palestra que eu dê hoje em faculdade, por exemplo, e que os estudantes não perguntem sobre criptomoedas”, lembra ele. Vale reforçar que, como uma boa “manada”, boa parte desses jovens investidores não tem a real noção dos riscos embutidos nas moedas digitais e pode sair bem machucada dessa montanha-russa que são os preços das criptos.

Mesmo com os investidores ainda procurando a poupança, existe um claro movimento de saída de recursos para outros ativos. Segundo Billi, pela primeira vez, em 2020, a soma de todas as outras aplicações (renda fixa, renda variável, moedas etc) foi maior que o fluxo para a poupança. “Este é um sinal de que, enfim, o brasileiro está entendendo mais sobre investimentos e que há muitas opções com retornos maiores que os da poupança e com um nível de risco razoavelmente baixo”, diz o executivo da Anbima.

Outro sinal de amadurecimento, na visão dele, foi o comportamento dos investidores durante a pandemia, que não saíram correndo para sacar o dinheiro da bolsa e colocar na primeira renda fixa que aparecesse na frente, como já aconteceu em muitas outras crises internacionais desta magnitude.

Uma segunda lição da pandemia é que as pessoas precisam fazer a sua reserva de emergência em momentos tranquilos, para usá-la em mares revoltos como foram os últimos dois anos. “Quem teve condições de investir, mas nunca fez isso e começou 2020 ‘zerado’, se arrependeu amargamente de não ter pensado nisso antes”, diz Billi. Os últimos dois anos foram um período de vacas muito magras, com inflação e juros em alta, mundialmente, inclusive, e um desemprego crescente.

 

Agora, se você acha que guardar dinheiro embaixo do colchão era coisa só do seu avô, que tinha medo do banco sumir com o dinheiro dele, ou no máximo do seu pai, com temor de ter suas aplicações confiscadas (tá aí Zélia Cardoso de Mello que não nos deixa mentir). Ledo engano novamente. O Raio X do Investidor Brasileiro mostra que 4% dos investidores da Geração Z ouvidos pela pesquisa deixam o dinheiro em casa. Pode parecer pouco, mas é um percentual maior do que a quantidade que aplicam, por exemplo, em fundos ou em ações (ambos com 3%) e em títulos públicos ou privados (ambos com 2%).

Para Billi, esse dinheiro embaixo do colchão pode ser resultado de dois fatores. O primeiro é a falta de acesso que ainda existe aos produtos de investimentos. E a outra é a desconfiança que se tem com algo que não se entende e, na visão do superintendente da Anbima, ainda há muito que se evoluir no didatismo do setor de investimentos no Brasil.

“Estamos num profundo movimento de simplificação nas ofertas de produtos, mas ainda há um longo caminho a percorrer até que todos entendam os ativos e, assim, tenham segurança de escolher o melhor para o seu patrimônio”, completa ele.

Por fim, a pesquisa da Anbima mostra que os bancos tradicionais ainda são a principal referência para a maioria dos investidores, não importando a sua faixa etária. Os bancões são citados por 45% dos entrevistados, em média, enquanto os bancos digitais são citados, em média, por apenas 10% das pessoas ouvidas pela pesquisa.

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