sexta-feira, 24 de junho de 2022
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Microempresários gastam o que têm na poupança para manter o próprio negócio

O repórter cinematográfico Paulo Conrado Nunes, 40 anos, resolveu nadar contra a maré e lançou mão de suas economias de anos de trabalho para investir na compra de lentes fotográficas, tripés e um notebook novo. Foram R$ mais de 22 mil investidos agora, no mês de junho, e que, segundo Paulo, já começam a dar resultado.

“Gastei quase todo o meu dinheiro comprando equipamento. Tenho medo que aconteça alguma emergência mas, com o investimento, já consegui enviar propostas e orçamentos para empresas que antes eu não podia atender porque não tinha o equipamento certo”, acho que vai valer a pena e o investimento vai se pagar”, planeja e torce.

Paulo Conrado faz parte do grupo  de pequenos empresários que estão queimando suas reservas pessoais, destinadas à educação dos filhos ou à compra da casa própria, para manter suas empresas vivas. Eles atribuem o problema à inflação, que tem elevado custos de produção e afastado clientes. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação oficial é de 11,73%.

Segundo uma pesquisa do Sebrae, o aumento dos custos e a falta de clientes são as maiores dificuldades para os pequenos negócios.

De acordo com dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do Brasil, o preço do leite condensado subiu 6,27% no acumulado dos últimos 12 meses. O chocolate em barra, por sua vez, subiu 10,18% e o açúcar refinado, 35,74%.

A consultora do Sebrae, Paula Pereira, afirma que a combinação da inflação desmedida e a perda do poder de compra do brasileiro afetam principalmente quem é MEI (microempreendedor individual) e MPE (micro e pequeno empresário).

Uma pesquisa divulgada em maio deste ano pela entidade com mais de 13 mil participantes mostrou que o aumento dos custos (50%) e a falta de clientes (21%) são os fatores que mais trazem dificuldades para quem tem pequenos negócios.

Segundo ela, esses profissionais não têm o poder de barganha de uma grande marca por comprarem em menor escala e, como resultado, deixam os preços como estão. “O consumidor naturalmente diminuiu os seus gastos.

“É necessário entender que sua margem diminuiu, mas as despesas aumentam. Ter esse controle hoje é essencial para sobreviver”, resume a consultora.

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