quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Economista capixaba explica tendências do dólar no Brasil

É a primeira vez que o dólar fecha abaixo de R$ 5 desde junho do ano passado. O registro aconteceu na segunda-feira (21) registrando uma queda de R$ 0,071 (1,42%). Nesta terça-feira (22), a moeda norte-americana ficou equivalente a  R$ 4,92. Com esse desempenho, a moeda norte-americana acumula queda de 4,1% em março.

O declínio fez com que a  bolsa de valores se recuperasse das perdas recentes e superou os 116 mil pontos, esse é o maior nível em seis meses. Antes da queda, a cotação começou o dia próximo da estabilidade, mas passou a cair assim que o mercado norte-americano abriu as negociações. 

No mercado de ações, o dia da queda do dólar também foi marcado pela euforia. O índice Ibovespa, da B3, fechou a segunda-feira (21) aos 116.154 pontos, com alta de 0,73%.  O resultado foi ajudado por ações de commodities, como os papéis da Petrobras que subiram mais de 3%. A empresa Vale teve alta de mais de 2%.

O economista e conselheiro do Corecon-ES (Conselho Regional de Economia do ES), Ricardo Paixão, explicou ao MovNews que para entender a queda do dólar é preciso ver a moeda estrangeira sob uma perspectiva de mercadoria.

“O dólar tem que ser tratado como uma mercadoria como outra qualquer porque ele sofre o efeito de oferta e demanda de produtos. Quando há uma quantidade muito grande de dólares circulando na economia é sinal que vai ter uma tendência muito grande do valor cair, essa tendência nós medimos pela taxa de câmbio. Quando existe um fluxo menor de dólar, a tendência é que ele fique mais caro”, disse.

De acordo com o conselheiro, um dos motivos da queda do dólar é a ajuda de empresas exportadoras de commodities (produtos agrícolas). 

“Nós temos minério de ferro, soja, proteína animal (carne), são três grandes produtos para exemplificar que devido a guerra e a pandemia estão com preços maiores para as exportações, e como o Brasil é um grande exportador, ele recebe muitos dólares vendendo esses produtos para o exterior. Então isso também aumenta o fluxo de dólares aqui dentro e com isso você tem uma pressão maior na taxa de câmbio que diminui e a queda do dólar também”, relatou.

O outro motivo seria o fluxo muito grande  de dólares oriundo da taxa de juros Selic que sofreu um aumento de mais 12%.  Segundo o economista, esse aumento faz com que os investidores internacionais se interessem por alguns papéis brasileiros, como por exemplo, os títulos públicos que são ofertados pelo Governo Federal que são remunerados através da taxa Selic. Quando a taxa aumenta, a rentabilidade é maior.

“Há um fluxo de moeda muito grande entrando no país, por meio dos títulos públicos, através da bolsa de valores que cresceu 7,7% só neste ano. Com isso, as empresas são valorizadas e os investidores compram as ações dessas empresas brasileiras, como por exemplo, a Petrobras. Assim,  com esse alto ingresso de dólar no país, voltamos à lei de oferta e demanda, a oferta de dólar cresce e o preço dele tende a cair”, afirmou.

É a melhor hora para comprar dólar?

Embora a queda do dólar seja atrativa para compras, o economista Ricardo Paixão recomenda a compra da moeda somente para aquele segmento da sociedade que tem um recurso extra e pode se dar ao luxo de usar sua poupança estrategicamente para isso. 

“Eu falo isso para aquelas pessoas que estão com a vida equilibrada, que conseguem ter uma poupança e não estão com o orçamento tão apertado. Não é para quem está devendo cheque especial, cartão de crédito e vai pegar o único dinheirinho que tem e comprar dólar. Então é somente para uma pequena parcela da população que está com as contas equilibradas, que tem poupança, que não está passando por uma asfixia orçamentária, aí sim podem comprar porque a tendência é de alta futuramente”, destacou.

A tendência é aumentar

Para Ricardo, o dólar não continuará em queda. Ele definiu o decréscimo como momentâneo devido à sensibilidade das expectativas dos agentes econômicos com relação ao Governo brasileiro, empresários e cidadãos que dependem de um cenário eleitoral positivo para que haja uma continuidade na queda do valor da moeda. 

“Se por acaso o cenário ficar muito negativo, nebuloso e as autoridades começarem a falar de fraude eleitoral, colocar em cheque o sistema eleitoral, candidatos que representam instabilidade institucional estiverem à frente na corrida eleitoral, teremos uma demanda muito grande, as empresas que estão aqui podem pegar parte do lucro e reverter para o exterior, para isso vão precisar demandar dólar e com isso a tendência da taxa de câmbio é se elevar, se concretizar o que eu disse, o dólar vai subir”, concluiu.

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