quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Codesa privatizada vai gerar 15 mil empregos

O Ministério da Infraestrutura, que marcou para o 25 de março o leilão da Companhia Docas do Espírito Santo – Codesa –, espera que a privatização gere em torno de 15 mil empregos diretos e indiretos ao longo dos 35 anos de concessão. A Codesa administra hoje os portos de Vitória e Barra do Riacho, no município de Aracruz.

A Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) já aprovou o edital para o leilão e sua publicação deverá ser feita até a próxima semana pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e pelo Ministério da Infraestrutura.

Este será o primeiro leilão de privatização portuária da história do Brasil e o que os órgãos federais ligados ao setor contam, além de um investimento de 1,3 bilhão durante o contrato de 35 anos, é que os portos tenham uma gestão mais flexível, mais eficiente, com mais segurança jurídica, capaz de atrair mais investimentos.

A expectativa de crescimento do desempenho dos dois portos capixabas também é grande: 85% para cargas de granel sólido mineral, no Porto de Vitória, num total aproximado de 4,5 milhões de toneladas por ano. Para granéis líquidos, a projeção é de 115% de alta, num total de 1,8 milhão de toneladas/ano.

Desenvolvimento

O engenheiro Joe Conti, que também é consultor de negócios, escritor e empresário, acredita que a privatização da Codesa será um passo fundamental no desenvolvimento não somente do Espírito Santo, mas do Brasil.

Ele escreveu um texto Esclusivo para o Jornal MovNews

Privatização da Codesa: um “case” de sucesso

O Governo Federal anunciou a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo – CODESA.

Para boa parte do público a pergunta que se faz é: isso é bom ou ruim? A maioria da população não tem a menor ideia da importância de um porto para a economia de um país.

Quando determinado número extrapola a casa dos “6 zeros” embaralha tudo e perdemos nossa capacidade comparativa, pois é por comparação que definimos as coisas.

Por exemplo, se dissesse que a sonda Voyager 2 está a 14 bilhões de quilômetros da terra, conseguiríamos imaginar onde ela está?

Mas se disséssemos que a distância entre a terra e plutão é de 6 bilhões de quilômetros … por comparação diríamos que a Voyager 2 está mais que o dobro da distância entre a terra e Plutão. Pelo menos passamos a ter uma ideia.

Quando falamos em portos no ES os números são tão grandes, a escala é tão ampliada que muitas vezes não temos como comparar sua importância.

Mas vou arriscar: está debaixo da administração da CODESA um dos maiores complexos portuários do nosso país. O ES possui os seguintes principais terminais operando:

 tabela.png

Ufa! Capacidade total instalada e funcionando de 231,6 milhões de toneladas/ano. Considerando os projetos em andamento no ES, atingiremos uma capacidade próximo a 300 milhões de toneladas de carga por ano.

Vamos a comparação: O porto de Rotterdam (o maior porto da Europa) movimenta 600 milhões de carga por ano. Começou a perceber a importância econômica da atividade portuária no ES? O Porto de Santos, o mais importante do Brasil, movimenta menos carga do que os portos de ES.

De cada 100 trabalhadores no ES, 60 dependem direta ou indiretamente das atividades portuárias. Considerando que os órgãos governamentais são responsáveis por 15% da força de trabalho do ES, apenas 25% conseguem sobreviver sem os portos.

Todos esses números acima têm apenas uma única razão: te alertar para a grande importância dos portos no ES, e por tabela, a privatização da CODESA.

No entanto ao longo dos últimos 50 anos, a atividade portuária no ES, tem sido desprezada por boa parte das nossas autoridades, que mais preocupados com os cargos públicos, relegaram a CODESA a um cabide de empregos, sem que houvesse evolução da grande vocação portuária, deixando de fazer dos nossos portos uma fonte de riqueza para o nosso estado. Pelo contrário, boa parte dos administradores e autoridades portuárias têm sido empecilho para o desenvolvimento portuário.

Se traçarmos um arco de 1.000 km a partir de Vitória, abraçaremos 65% de todo o PIB brasileiro, ou seja, se tivéssemos governantes com visão, Vitória seria o maior complexo portuário do Brasil com capacidade de dobrar o PIB do ES, podendo chegar a mais de 250 bilhões em curto prazo, o que nos colocaria junto com estados muito maiores, como por exemplo, Santa Catarina ou Bahia.

Estamos situados no meio do Brasil, possuímos quase 500 KM de frente para o mar, com uma hidrografia favorável onde os ventos sopram 70% do ano em uma única direção e por estarmos junto ao paralelo 20o nossas águas possuem baixa velocidade de movimentação o que permite menor sedimentação, logo maior tempo para fazer dragagens e nossa costa possui uma profundidade média de 15,0m.

Se tomarmos como referência as privatizações brasileiras, mesmo aquelas que foram feitas de forma escusas, todas, simplesmente todas as empresas de primeira linha privatizadas estão hoje em muito melhor condição do que quando eram estatais.

Fico imaginando a CODESA nas mãos privadas, com capital para investimento, com todo o potencial que o ES oferece, investindo na melhoria e modernização das instalações portuárias, facilitando as operações, melhores guindastes e equipamentos, dobraríamos a capacidade de carga em curto prazo.

A legislação portuária permite investimentos a um custo muito mais competitivo que outros investimentos, e com pouco mais de treinamento teremos uma mão de obra especial (hoje há uma deficiência de mais de 500 trabalhadores autônomos nos portos de ES) que utilizando equipamentos novos, faremos a produtividade crescer significativamente.

Aliado a todas as vantagens acima, devemos nos lembrar que temos uma rede ferroviária de mão dupla (Ferrovia Vitória/Minas) operada pela VLI, com uma ociosidade de quase 3,0 milhões de toneladas/mês.

É verdade que há falta de ativo ferroviário (vagões e locomotivas) mas esse é o tipo de problema que se resolve com facilidade, quando temos excesso de ativos na Europa, USA e até mesmo na China.

Teremos uma rodovia duplicada em breve (BR 262) e outras rodovias (BR 259, BR 101) que poderão dar suporte para o transporte de carga.

Sabe qual será o resultado dessa privatização? Não precisamos nem de bola de cristal para enxergar o futuro dessa decisão do Governo Bolsonaro.

Boa parte das empresas que hoje trabalham com outros portos do sudeste, migrarão imediatamente para o ES resultando em um aumento da carga movimentada, e isso significa, mais renda e trabalho para o ES.

A melhor maneira de ajudar nosso povo deixar de ser subdesenvolvido é dando oportunidade para que trabalhe e ganhe seu dinheiro através de seu esforço. Foi assim em todas as nações hoje consideradas ricas e desenvolvidas.

A privatização da CODESA será um passo fundamental no desenvolvimento do nosso país. Confesso que tentei ver se havia alguma má notícia para lhes dar, mas quando falamos em portos no ES, ter má notícia é quase impossível.

Joe Conti é engenheiro, consultor de negócios, escritor e empresário - joeconti@uol.com.br
Joe Conti

Joe Conti é engenheiro, consultor de negócios, escritor e empresário – [email protected]

https://codesa.gov.br/site/

https://movnews.com.br

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