quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Peritos não descartam greve e tentam diálogo com governador Renato Casagrande

Em Assembleia nesta terça-feira (15) Peritos da Polícia Civil decidiram tentar o diálogo mais uma vez com o Governo do Estado, mas não descartam greve caso não tenham suas reivindicações atendidas. De acordo com o Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo, há três anos os trabalhadores tentam uma negociação com o Governo, sem sucesso.
Segundo a categoria, que conta com 250 profissionais no Estado, o Espírito Santo tem a pior remuneração do país. A média salarial de um perito capixaba gira em torno de R$ 5 mil,  enquanto a média nacional está em torno de R$ 12 mil. 
Cerca de 200 profissionais participaram da Assembleia que teve inicio na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória/ES. De lá, os peritos saíram em marcha em direção ao Palácio Anchieta para chamar a atenção da sociedade para suas reivindicações.
A categoria foi às ruas chamar a atenção para suas demandas. Imagem: MovNews.
Na assembleia, uma das peritas, que não quis se identificar, fez a seguinte ponderação:
” A manifestação de hoje foi um apelo por parte da perícia ao governador, pois a situação da perícia capixaba de pior salário do país é insustentável e a falta de autonomia da perícia também. Ao contrário do que já ocorre em 23 estados do país, inviabiliza o trabalho pericial para a sociedade e segue na contramão do preposto por vários órgãos nacionais e  internacionais”.
Segundo o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos),  Antônio Tadeu Nicoletti Pereira, até 2009 a Perícia era vinculada à Polícia Civil (PC) e à Polícia Federal (PF), o que mudou com a Lei Federal 12.030/2009, que garantiu a autonomia. Atualmente, isso acontece em 23 estados, mas não no Espírito Santo.
“O primeiro mote da nossa reivindicação é garantir a autonomia funcional da perícia do Estado do Espírito Santo. A perícia tem que estar vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SESP) e não à polícia, como acontece atualmente. Queremos ser reconhecidos como Polícia Científica. Em 23 Estados isso já acontece”, disse o sindicalista.
Outro motivo pelo qual a categoria luta por autonomia está relacionado à responsabilidade do cargo.
“Segundo a recomendação internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) a perícia produz provas contra alguém. Então, ela tem que ser independente. Temos que ter a nossa autonomia técnica, científica e funcional para trabalhar em prol da resolução dos crimes para a sociedade”, argumenta o presidente.
O sindicalista criticou o trabalho que vem sendo realizado no Estado atualmente.
“Não adianta você ter uma perícia, uma classe desvalorizada e desmotivacz e ficar achando que assim vai combater a criminalidade. O Espírito Santo está muito distante do que se pratica nacionalmente e mais ainda internacionalmente. Não temos uma sede própria e nem instrumentos próprios de trabalho. Não temos uma política de segurança que envolva o que hoje se cobra judicialmente”, afirmou Tadeu.
O presidente do sindicato destacou ainda a importância que os peritos têm para a solução de casos policiais.
“A categoria dos peritos exerce muitas responsabilidades e exerce funções de alta complexidade. Temos que ter uma análise muito criteriosa. Como, por exemplo, um caso clássico em que temos dos dois irmãos mortos, carbonizados em Linhares. Aparentemente parecia um acidente, na verdade escondia um duplo homicídio com resquícios de crueldade que a perícia descobriu. Neste momento e, diariamente, a perícia está em campo e em todo o Estado”, menciona o Presidente.
A perícia se divide em quatro departamentos principais:
* Departamento de identificação: levantando a autoria dos crimes;
* Departamento de criminalística;
* Departamento de laboratório;
* Departamento médico-legal.
“Nossas atribuições vão desde determinar a autoria dos crimes à materialidade dos crimes (dinâmica e como os crimes são cometidos), além de determinar as causas da morte (como se deu a morte)”, finaliza o presidente.  
A assessoria da Polícia Civil informa por nota que está ciente da manifestação dos peritos oficiais criminais e médicos legistas. Além disso, diz a nota:
“O Governo do Estado do ES tem mantido o diálogo constante com a categoria e mantém as portas abertas para dar continuidade às discussões que já estão em andamento”.

Peritos

 
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