terça-feira, 9 de agosto de 2022
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Operação da PF que apura desvio na Saúde no Pará cumpre dois mandados no ES

A Operação Reditus, deflagrada no Pará, teve também repercussão no Espírito Santo. Em Vitória, na quarta-feira (18), foram cumpridos um mandado de busca e apreensão e outro de prisão temporária. Investigações apontam desvio de recursos públicos na área da Saúde na contratação de organizações sociais para gestão de hospitais públicos no estado paraense.

Foram expedidos pela Justiça, ao todo, 95 mandados de busca e apreensão, 54 mandados de prisão temporária e seis de prisão preventiva. A ação dos policiais também ocorreu em São Paulo, Goiás, Ceará, Amazonas, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Há ainda 15 mandados de prisão em aberto (3 preventivos e 12 temporários).

Ao todo, 400 policiais estiveram envolvidos na operação, além de 13 servidores da Receita Federal e da nove da Controladoria-Geral da União.

Os contratos investigados ultrapassam R$ 1,2 bilhão e envolvem quatro organizações sociais, cinco hospitais regionais e quatro hospitais de campanha montados para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com as investigações, o governo do Pará efetuava repasses de verba às Organizações Sociais contratadas e estas subcontratavam outras empresas para prestarem serviços nas unidades de saúde geridas pelo grupo criminoso, prática conhecida como “quarteirização”.

Depois disso, os serviços subcontratados eram superfaturados ou nem sequer eram prestados, permitindo que a verba que deveria ser destinada à aquisição de bens ou serviços retornasse para os integrantes da organização criminosa por meio de um complexo esquema de lavagem de dinheiro.

Além dos mandados de busca e apreensão e prisão, foi determinada a suspensão das atividades de duas empresas utilizadas para lavagem de capitais, o sequestro de bens móveis e imóveis pertencentes ao principal operador financeiro do esquema, avaliados em mais de R$ 150 milhões. Também o bloqueio de valores presentes nas contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas investigadas que, somados podem alcançar mais de R$ 800 milhões.

A Reditus é a segunda fase da Operação SOS. Tem como objetivo esclarecer fatos relacionados aos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais apontados no decorrer das apurações. O nome tem origem do latim e significa “regresso, volta”. Isso porque os integrantes do grupo criminoso costumavam chamar os valores desviados de “volta”.

Os trabalhos da operação ainda não foram encerrados. Mais informações devem ser divulgadas no curso do desfecho das investigações.

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