sexta-feira, 24 de junho de 2022
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[Exclusivo] Clarinha, mulher internada há 21 anos no HPM, pode ser criança mineira raptada em 1976 em Guarapari

Um mistério que perdura 21 anos pode finalmente ter um desfecho. Há possibilidades de Clarinha – como foi carinhosamente apelidada a mulher sem identificação que está em coma no Hospital da Polícia Militar, em Vitória, – ser uma criança mineira raptada em 1976 no município de Guarapari. Na época do desaparecimento, a família dela passava férias no balneário espírito-santense.

A suposta constatação é de uma equipe de papiloscopistas da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), que esteve atuando no Estado durante o período de intervenção militar em Cariacica entre agosto de 2019 e abril 2021.

Agentes fizeram a reconstrução facial de Clarinha via computador e a coleta de papilas dérmicas presentes na palma das mãos e na sola do pés para iniciar um processo de reconhecimento da face e comparação com perfis de pessoas desaparecidas e cadastradas no banco de dados da Polícia Civil.

Durante as buscas, eles encontraram a compatibilidade dela com uma menina de apenas 1 ano e 9 meses, e que hoje teria aproximadamente 47 anos.

Para confirmar a sua verdadeira identidade, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) – órgão que representa legalmente ela – solicitou o envio do material genético para Minas Gerais, onde será comparado com o DNA dos pais da criança sequestrada em Guarapari.

O próximo passo é aguardar os resultados dos exames para tomar as medidas cabíveis quanto ao caso. Se positivo, a história de Clarinha será resgatada e a angústia que perpassa mais de duas décadas terá um fim.

Confira a nota do MPES

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da 28ª promotora de Justiça Cível de Vitória, informa que tem feito um trabalho intenso ao longo dos anos para buscar familiares ou conhecidos de uma paciente que aparenta ter cerca de 40 anos e está internada no Hospital da Polícia Militar (HPM), em estado vegetativo desde 2000.

Em meados de 2020, uma equipe de papiloscopistas da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) em atuação no Espírito Santo tomou conhecimento do caso e, em contato com o MPES, obteve autorização para auxiliar na tentativa de identificação da paciente. A equipe utilizou o processo de comparação facial, com buscas em bancos de dados de pessoas desaparecidas com características físicas semelhantes às de “Clarinha”.  

A partir dessas buscas, chegou-se ao caso de uma criança de 1 ano e 9 meses de idade desaparecida em Guarapari, em 1976. Na época dos fatos, a família dela, que é de Minas Gerais, passava férias no Espírito Santo.  

Para a confirmação das semelhanças físicas entre a menina desaparecida e “Clarinha”, foi solicitada a realização de exame de reconhecimento facial por uma empresa especializada neste trabalho localizada no Paraná. O exame concluiu haver “compatibilidade” entre as imagens de “Clarinha” e a da menina desaparecida em 1976.  

Com esses novos elementos, o MPES requisitou ao Laboratório Tomasi o perfil genético de “Clarinha”. O laboratório tem sido parceiro da instituição no atendimento desse caso e realizou, anteriormente, os exames de DNA com supostos parentes consanguíneos da paciente.  

Após essa coleta mais recente, iniciada com o processo de comparação facial, o MPES enviou o material genético de “Clarinha” para a Polícia Civil de Minas Gerais, que mantém arquivado o perfil genético dos pais da criança desaparecida em Guarapari. O Ministério Público capixaba solicitou a comparação entre os perfis genéticos e, nesse momento, aguarda o resultado dos procedimentos adotados pela Polícia Civil mineira.  

O caso

Clarinha sofreu um acidente de trânsito no Centro de Vitória no dia 12 de junho de 2000. Segundo testemunhas, ela foi atropelada enquanto fugia de uma perseguição.

Com o impacto da batida, sofreu lesões cerebrais e, desde então, permanece internada em estado vegetativo. O culpado pelo crime não foi reconhecido e ninguém respondeu pelo crime.

Também não foram encontrados documentos que pudessem revelar o nome dela e as tentativas de recolher as impressões digitais foram frustradas. Clarinha perdeu as marcas ao ter as mãos atrofiadas como sequelas do trauma no cérebro.

A mulher possui ainda uma cicatriz de cesária, o que indica que ela teve um filho, que pode ou não estar vivo.

https://www.youtube.com/watch?v=BpLdEMkM6mM
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