quarta-feira, 10 de agosto de 2022
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Conta de energia até 30% mais cara com material elétrico irregular de empresa fechada na Serra

O Instituto de Pesos e Medidas do Espírito Santo (Ipem) apresentou relatório em que aponta aumento de até 30% na conta de energia dos consumidores de fiação elétrica da marca Luzzano, alvo de investigação da Polícia Civil por fabricação e comercialização de cabos irregulares. A fábrica, localizada na Serra, foi interditada no último dia 10, ocasião em que seu proprietário foi preso, no âmbito da Operação Elétron.

Segundo os representantes do Ipem, a empresa estaria funcionando com registros do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) vencidos desde 2008.

“Na verdade, o consumidor que compra a fiação com tamanho adulterado, que não corresponde ao que está descrito no material comercializado, acaba tendo um aumento considerável no gasto de energia. E essa elevação no valor da conta de luz pode chegar aos 30%,por exemplo, ou até mesmo mais que isso”, disse Luiz Felipe, técnico do IPEM.

O técnico explicou que o aumento nas contas corresponde ao nível de resistência da fiação. Ele comparou os fios irregulares a uma lâmpada constantemente ligada que soma o seu consumo ao dos aparelhos elétricos das residências.

O instituto também aponta o risco de incêndio nos prédios em que a fiação irregular foi instalada, dada a quantidade de curtos-circuitos constatados pelos técnicos. Funcionários da empresa relataram a existência de “clientes reclamando de incêndios”, segundo o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (Ales), que tem acompanhado os trabalhos da operação.

Vandinho argumentou que os dados apresentados pela área técnica do Ipem ajudam o consumidor a entender os motivos de suas contas de energia virem caras, ainda que procurem economizar durante o mês.

“É importante informar a população sobre mais esse prejuízo causado por essa empresa, que estava comercializando fiação irregular aqui no Estado, pois muitas pessoas, mesmo economizando no uso diário de energia elétrica em casa, continuam com uma conta de luz mais alta, sem saber que o problema, na verdade, está na fiação com irregularidades”, disse.

Incêndio

Um morador de Aracruz, município da Região Norte do Espírito Santo, contou durante reunião da Comissão de Defesa do Consumidor da Ales que teve sua casa incendiada no dia 11 de agosto, um dia após o dono da fábrica ter sido preso e o local interditado. Elias Sergio Lopes disse que seu eletricista responsável pela instalação elétrica de sua casa usou cabos da empresa investigada.

A vítima da fiação irregular relatou ter percebido o início de um curto-circuito na rede elétrica de casa no momento em que dava banho em seus dois filhos, um de 6 anos e outro de 3 anos. Ele contou ter visto fumaça saindo do chuveiro. “Achei que fôssemos morrer. Os filhos ainda estão traumatizados”, afirmou, acrescentando que vai trocar a fiação.

Empresário

Em 2019, o dono da empresa foi preso pelo mesmo motivo, mas vinha respondendo ao processo em liberdade por ter pagado fiança de R$ 100 mil. Ele não teve o nome divulgado e foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana (CTV).

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito está sendo investigado por crime contra relação de consumo, previsto no artigo 7 da Lei 8.137/90, com pena de 2 a 5 anos, podendo incorrer em outros crimes com o avançar das investigações. A reportagem tentou contato com a empresa por telefone, mas não obteve sucesso.

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