sábado, 21 de maio de 2022
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Escolas públicas de Vitória terão aulas de robótica neste primeiro semestre

Alunos de 8° e 9° ano de quatro escolas da rede municipal de Vitória vão ter aulas de robótica. Trata-se do projeto “Robótica Educacional, Fabricação Digital e Metodologias Ativas: (Re)Invetando a Educação”, que começa a ser implementado ainda no primeiro semestre deste ano para ajudar os estudantes a desenvolver o pensamento científico e criar tecnologias que auxiliem na solução de problemas cotidianos.

A iniciativa é da Secretaria Municipal de Educação (Seme), que acabou contemplada em um edital nacional do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), responsável pela formação técnica dos professores da rede pública da capital e por fornecer estrutura que irá ajudar a implementar a disciplina nas unidades educacionais.

Neste primeiro momento, as aulas de Robótica Educacional serão ofertadas a cerca de 80 estudantes dos dois últimos anos do Ensino Fundamental II de cada uma das seguintes Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef): Éber Louzada Zippinotti, em Jardim da Penha; Edna de Mattos Siqueira Gaudio, em Jesus de Nazareth; Maria José Costa Moraes, em São José; e Alvimar Silva, em Santo Antônio.

“Nós fizemos capacitação com as equipes do Ifes, que tem dado toda a formação para os nossos professores, e selecionamos então quatro escolas para que sejam contempladas com esse projeto. Fizemos isso de uma forma que contemple a cidade toda”, diz a titular da Seme, Juliana Rohsner.

A secretária afirma que a tecnologia é um pilar do projeto de política pedagógica do município, com foco na robótica educativa para que os jovens não apenas usem ferramentas tecnológicas, mas também criem os seus equipamentos. “Você não é só um usuário, você cria, você desenvolve. Isso faz toda a diferença para as necessidades que ainda vão surgir”, defende Rohsner.

Componentes necessários à empreitada, tais como kit lego e arduino – uma plataforma para criação de protótipos eletrônicos –, já foram entregues às escolas. Os itens são fundamentais para que os alunos criem robôs e o que mais surgir de ideias em sala de aula. Guiados pelos professores, eles aprenderão conceitos de robótica, eletrônica e programação, tudo alinhado aos conteúdos tradicionais de matemática e física.

“A aula de robótica educacional em si é perpassa pela programação, então eles vão usar recursos como os kits lego, sucata e vão aprender a fazer robôs. A robótica educacional trabalha com essa perspectiva, com a programação e, principalmente, com perguntas para entender os problemas ao redor, na comunidade. Queremos que eles proponham uma solução para questões que eles próprios levantem”, explica.

Vinculada à Seme, a Escola de Inovação, um dos Centros de Ciência, Educação e Cultura (CCEC) e localizada no Parque Moscoso, é parceira do Ifes e será responsável por fornecer sua estrutura e equipamentos de serralheria, impressora 3D, entre outros.

Rohsner destaca o fomento da “cultura maker” na sociedade vitoriense. “É a cultura de fazer, quando a gente realmente intervém na realidade a partir de uma solução, que nesse caso estamos falando de solução tecnológica. Muitas vezes é traduzido como “mão na massa”, porque é o ‘fazer’ mesmo”.

Para a secretária, o fato dos alunos de 8° e 9° serem adolescentes com idade entre 13 e 15 anos facilita o entendimento geral da robótica educativa e da “cultura maker”, pois “são sujeitos que já nasceram nesse mundo digital”, uma “geração digital”.

Os kits para montagem dos protótipos já foram entregues às escolas contempladas no projeto – Foto: Divulgação/PMV

“Eu acredito muito no projeto e penso que trazer essa tecnologia, mais uma vez, não só como usuário, mas como quem faz, quem cria, quem descobre quais são os seus problemas na sociedade e intervêm no mundo é o papel dessa educação transformadora que a gente acredita. É uma nova fase da Educação em Vitória”, acrescenta.

O projeto está inserido no pacote de R$ 1 bilhão em investimentos em diversas áreas anunciado pela Prefeitura ainda em 2021. Para a Educação, são R$ 70 milhões que servirão para modernizar o ensino municipal também com aquisição de notebooks para os professores, tabletes com internet para todos os alunos do 5° ao 9° ano e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e para a troca dos computadores da rede que, em sua maioria, são usados há mais de uma década.

Rohsner ressalta o empenho da secretaria na recuperação dos prejuízos causados pela pandemia no desenvolvimento estudantil, aliando a ampliação do acesso a recursos tecnológicos – motivada pelo distanciamento social e aulas a distância – ao aumento do período que os alunos passam na escola.

“Ampliamos em 100 horas a carga horária para o estudante. Isso dá quase um mês de aula a mais para que a gente tente resgatar tudo que ficou perdido durante a pandemia. Foi um ano e meio parado. A gente sabe que isso causou muito atraso de aprendizagem”, esclarece a secretária, dizendo ainda que pesquisas revelaram uma defasagem na alfabetização, no aprendizado matemático e em outras disciplinas.

Para além do equacionamento desse déficit educacional, surge o estímulo ao pensamento científico por meio da robótica, programação e também da criatividade. Assim, conclui Rohsner, é esperado que os alunos da rede municipal de ensino conquistem avanços significativos para si próprios e para a comunidade.

“Agora, com a reabertura das escolas, a gente não queria perder essa otimização tecnológica impulsionada pela pandemia. A gente quer continuar potencializando todos os fatores que são usados na ‘cultura maker’, na iniciação científica e toda essa tecnologia que precisa estar na escola”.

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