sábado, 24 de fevereiro de 2024
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Assassinato de líder quilombola pode estar ligado a disputa de terras; criminosos ainda não foram identificados

O governo da Bahia informou que vai revisar todos protocolos em relação a proteção de quem é envolvido na defesa dos direitos humanos. A declaração vem dias depois da morte da líder quilombola Bernadete Pacífico, assassinada na noite da última quinta-feira (17). Bernadete que também era mãe de santo foi executada com mais de 20 tiros, dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, município da Bahia.

Bernadete era liderança e referência na luta dos quilombolas de todo o Brasil. Ela relatou que vinha recebendo ameaças de morte por conta do seu trabalho de reconhecimento e legalização de terras em diversos quilombos.

Filho de Bernadete também foi assassinado

Ela estava em casa com o neto, quando dois homens armados e usando capacete de moto, entraram na residência, e atiraram várias vezes na mãe de santo. Mais de 10 tiros foram no rosto.

O filho de Bernadete, Flávio Gabriel dos Santos, o Binho do Quilombo, também havia sido assassinado, em 2017. Ele também era militante para melhoria das condições do povo quilombola. Outro filho de Bernadete, Jurandir Wellington Pacífico, informou que a mãe era ameaçada de morte desde 2016. Jurandir afirma que se trata de crime de mando.

“É crime de mando, crime de execução, não tem para onde correr, igual ao de Binho do Quilombo”, afirmou o filho da vítima.

“Eu já perdi meu irmão, já perdi minha mãe, só resta eu, eu sou o próximo”, concluiu.

Questionado sobre quem estaria por trás do assassinato, Jurandir respondeu: “Especulação imobiliária, grilagem de terra, política, grandes empreendimentos, tudo isso aí”.

Jurandir confirmou que a mãe estava no programa de proteção à testemunha e, por isso, havia câmeras em volta da casa, mas que os policiais só visitavam o local por 20 ou 30 minutos por dia, não ficando de prontidão na comunidade.

“Os meliantes sabiam os horários que eles [os policiais] iam e atacaram. Tanto que na hora que executou minha mãe, cadê a proteção? A única coisa que ficou foram as câmeras que gravou”, afirmou.

Na última década, pelo menos 30 quilombolas foram assassinados por conta da luta em relação à terra. Os executores de Bernadete ainda não foram localizados.

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