domingo, 14 de agosto de 2022
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Sem abrigo, famílias esperam ônibus debaixo sol e chuva em Vila Velha

Esperar por um ônibus na Região 5 de Vila Velha se tornou um grande desafio para os passageiros. O motivo? Depende de como estiver o tempo no dia. Se estiver bom é sol na cabeça. Se estiver chovendo é água no corpo todo.

A equipe do MovNews percorreu diversas ruas locais e encontrou a ausência de abrigos em vários pontos de ônibus.

Era comum ver pessoas se escondendo do sol. Além de ter que conviver com a poeira por conta de ruas sem asfalto, a população tem que dar um “jeitinho” para não se complicar.

“Fico aqui do outro lado da rua pois tem essa marquise que dá uma sombrinha”, justificou o estoquista Héber Alves, se referindo estar do lado oposto da avenida Atlântica, em Barramares, onde passa a linha 616, que liga Morada da Barra até o Terminal de Vila Velha.

Com o sol à pino, por volta do meio-dia, fica praticamente impossível aguardar o coletivo no ponto sem abrigo. “Sem condições ficar em pé debaixo desse sol escaldante. Se o ponto tivesse cobertura, daria para aguardar o coletivo na sombra”, disse o morador do bairro.

Passageiro aguardando ônibus no ponto sem abrigo. Um problema do dia a dia da população na Região 5 de Vila Velha.

Em um ponto do bairro João Goulart, que não tinha a placa de identificação, a dona de casa Núbia comentou. “Ainda bem que a maioria dos motoristas já sabe”.

Ao ser perguntada sobre aqueles que ainda não conhecem direito a região, ela falou qual é a solução para reconhecer onde fica o ponto ônibus. “Na hora de descer, os passageiros que estão no ônibus acabam avisando o local correto para a pessoa que não mora aqui”, relatou.

Sobre esperar a condução, a mulher disse que o jeito é ficar no tempo. “Ficar tomando sol até que dá para se safar, pois a gente arruma uma sombra. Mas fica pior quando chove. Se for de vento então, não tem guarda-chuva que dê jeito”, informou a moradora que também falou do tempo de espera dos ônibus. “Demora muito. Isso acontece praticamente todos os dias”, reclamou.

Além da ausência de abrigo para passageiros, este ponto em João Goulart não tem placa indicativa de parada de ônibus.

Uma mulher que não quis se identificar, falou sobre o problema. “Isso é um absurdo! Aqui mora gente. Merecemos cuidado, atenção e dignidade”.

Placa quebrada

Quem estava muito indignada era Gleide Alves. Moradora de Jabaeté, a aposentada estava aguardando o coletivo da linha 654 (Lagoa de Jabaeté x Terminal de Itaparica) na Avenida Vasco Alves. No local, não tinha abrigo e a placa indicando o ponto estava quebrada e fora da posição.

“É o jeito. Ninguém enxerga que estamos sem abrigo. É isso que você está vendo aí. Tomamos sol ou chuva e ninguém toma uma providência”.

Mais um ponto sem abrigo e com placa indicando parada de ônibus quebrada. Passageiros reclamam do descaso e abandono.

Improviso

Quando não tem abrigo, o jeito é improvisar. Em uma rua de Barramares a nossa equipe flagrou um “puxadinho”. Verônica Santos, que aguardava no ponto no momento em que a nossa equipe fazia reportagem, disse que pelo menos o “abrigo” servia de quebra-galho para os passageiros. “Pelo menos dá para fugir do sol um pouco. E dependendo, da chuva, dá para não tomar água na cabeça”.

Sobre a situação, a mulher concluiu: “Isso é descaso desses políticos com a população”.

O único local na região, em que a nossa equipe de reportagem encontrou abrigo para passageiros, foi nos dois sentidos ao longo da Rodovia do Sol. Entramos em contato com a Prefeitura de Vila Velha para falar sobre o problema, mas até a publicação dessa reportagem, não tivemos nenhum retorno.

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