sexta-feira, 12 de agosto de 2022
21.6 C
Vitória

Polícia Civil conclui que criança foi estuprada e torturada pelos pais no ES

A Polícia Civil realizou na tarde desta quarta-feira (6) uma coletiva de imprensa sobre o caso da criança de apenas 2 anos e 8 meses que morreu horas depois de dar entrada no Hospital Infantil de Vila Velha. O caso aconteceu na terça (5) no bairro Divino Espírito Santo, na cidade canela-verde, e os principais suspeitos do crime são os pais da criança. Os dois já estão presos.

De acordo com Alan Moreno de Andrade, delegado responsável pelo caso, em todo momento os pais eram indiferentes em relação ao estado de saúde da criança. “Quando a mãe soube da morte do filho, não esboçou nenhuma reação de tristeza. Ela ligou para o pai que apenas perguntou se ele deveria ir ao hospital. Este não é um tipo de comportamento de quem perde um filho”, explica o delegado.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a mãe da criança, ao saber que os médicos haviam detectado que o menino tinha sinais de abuso sexual, foi até ao DPJ fazer um boletim de ocorrência de estupro contra a criança.

“Pedimos para ver o celular, e dava para ver que o telefone havia sido mexido. Mas lá encontramos uma conversa que dizia: ‘Precisamos conversar sobre o seu boletim de ocorrência para combinar o que vamos falar'”, ressalta Alan. Os telefones vão passar por perícia técnica.

Criança foi levada para outras unidades de saúde antes do HIMABA

Antes da criança ser levada ao Hospital Infantil, os pais procuraram outras unidades de saúde desde o final de semana. “A criança tinha plano de saúde, eles levaram até o hospital, mas o plano não permitia internação. O menino foi levado ao PA da Glória, mas devido a gravidade foi encaminhado ao HIMABA, onde não resistiu”, destaca o delegado.

Lá foi detectado os sinais de maus tratos e de abuso sexual. A polícia foi acionada e ainda no hospital iniciou as investigações.

Alan explica ainda que os policiais foram até a casa onde eles moravam, no bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha, e lá no local encontraram fraldas sujas com sangue e materiais que supostamente seriam utilizados em um ritual religioso. “O pai nega que existia qualquer objeto em casa e também não confirma que a criança teria participado de algum ritual”, disse.

Alan Moreno
Alan Moreno, delegado responsável pelo caso. Foto: Willian Girelli.

Médico legista encontra sinais de tortura

O médico legista que fez a perícia no corpo da criança contou que logo que a criança foi levada ao Departamento Médico Legal, detectou os sinais de mais tratos e tortura.

“Quando o corpo foi periciado, encontramos várias marcas no corpo, com sinais de queimaduras, provavelmente feitas por cigarro. O rosto, as costas, os braços e pernas estavam bastante machucados. Além disto, foram encontrados sinais de violência no reto e no ânus da criança. Os peritos acreditam que um objeto cortante tenha sido inserido no ânus do garoto, que causou várias lesões no intestino do menino,” explica o médico Josias Rodrigues.

A causa da morte foi choque séptico. No corpo do menino, foram recolhidas algumas amostras de líquidos que foram enviadas para análises. O resultado deve ficar pronto em até 15 dias.

Departamento Médico Legal
A criança foi levada ao Departamento Médico Legal

Chefe da polícia civil se emociona: “cenário desolador”

Já o delegado José Darcy Arruda, delegado chefe da PC, conta que em seus mais de 30 anos de polícia, nunca tinha presenciado um caso semelhante. “O que encontramos na casa foi um cenário desolador. Nunca vi algo semelhante. Tudo que envolve criança é sempre mais delicado. Quero parabenizar os policiais pela rápida resposta”, conta.

Na tarde desta quarta foi expedido o mandado de prisão preventiva do casal. Eles já estão no presídio e vão ser indiciados por estupro de vulnerável com morte e tortura. As investigações continuam.

Relembre o caso

Uma criança de apenas 2 anos e 8 meses morreu poucas horas depois de dar entrada no hospital infantil de Vila Velha, o HIMABA, nesta terça feira (5). Os pais contaram que a criança sofria de problemas respiratórios e os pais alegaram que o menino tinha pneumonia. Mas logo os médicos perceberam sinais de agressão e acionaram a polícia.

Durante as primeiras investigações, os policiais não tiveram dúvidas que os envolvidos eram os pais e ainda no hospital os pais foram detidos.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -