sábado, 25 de junho de 2022
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Sob emoção, familiares, amigos e alunos se despedem do professor que morreu após infarto

Representação da bondade e ser mais que um professor eram algumas das muitas qualidades de Josimar Grippa, de 35 anos, falecido na manhã deste domingo (12), em Ibiraçu, após um infarto fulminante. A tristeza estampava o rosto de familiares, amigos, alunos e colegas de profissão, mas havia espaço em cada olhar para a certeza de que um homem bom se foi deixando um importante legado: o afeto.

O velório realizado na Capela São João Bosco, no Centro Universitário Salesiano (UniSales), em Vitória, começou ainda na noite de ontem e avançou por toda a madrugada desta segunda-feira (13).

Josimar estudou Filosofia e cursava Psicologia na instituição e lecionava Filosofia e Sociologia para alunos do Ensino Médio na unidade de Jardim Camburi e de outras escolas da Grande Vitória.

“Josimar era uma pessoa incrível, um ser maravilhoso, admirado, de luz, respeitador. Uma pessoa encantadora, amigo, muito gentil. Ele era toda a representação de bondade, sinônimo de alegria, de um sorriso contagiante, de um olhar brilhante. De afeto e abraço incríveis. Muito querido por todos”, disse a noiva de Josimar, a analista administrativa Milena Hemerli, 30.

O casal se conhecia há quatro anos e, depois de um período, deram início ao relacionamento. A união se fortalecia e Josimar e Milena resolveram se casar. A cerimônia estava marcada para acontecer no dia 17 de setembro deste ano, e os planos já estavam feitos. “Tínhamos Inúmeros planos, contínuos e por incontáveis anos”.

A morte súbita de Josimar intriga. Milena afirmou que o noivo não tinha problema de saúde diagnosticado, o que torna ainda mais impactante o adeus aos 35 anos de idade. Um jovem professor que alcançou uma das principais virtudes do ofício: o coração dos alunos. Deles, Milena recebeu conforto nos abraços, onde dividiu um pouco a dor da partida.

“Ele era muito importante, querido e amado pelos alunos. É de uma alegria imensa saber desse sentimento. Os alunos estão muito tristes com a partida dele, porque Josimar realmente marcou a passagem dentro de sala. Não é só ser professor, é muito mais do que isso. A gente tem que ser mais do que isso, e ele foi”, afirmou.

A noiva Milena Hemerly foi muito cosolada por alunos e alunas de Josimar Grippa – Foto: Erick Alencar

Mais que um professor

Ana Luíza Silva Messa, de 17 anos, é aluna do 3° ano do Ensino Médio de uma escola do bairro Santana, em Cariacica, e vai prestar vestibular para economia. Moradora do município, ela saiu de casa bem cedo e, acompanhada de colegas de sala e também de alunos de Josimar, foi ao velório daquele que “era mais que um professor”.

“Eu tive aula com ele por três anos seguidos, desde o 1° ano. Ele era um professor muito querido, a gente gostava muito dele. Sempre lembro dele sorrindo, nunca o vi triste. Ele sempre estava querendo todos bem, nos fazendo refletir muito sobre a vida, sobre a sociedade em si”, recordou Ana Luíza.

Embora muito sensibilizada, a jovem acabou sendo o conforto para os colegas de escola em meio a tanta tristeza. Entre abraços e palavras de consolo, Ana Luíza deu um exemplo da importância de Josimar para todos os seus alunos.

“As aulas dele sempre eram as melhores. A gente se sentia muito bem, acolhida por ele, que sempre estava ali para o que a gente precisasse, não só de escola. Se quisesse conversar sobre o que for, qualquer coisa, ele estava ali para ajudar. Era muito companheiro. Era mais que um professor, era um amigo dos alunos, com certeza”.

O último contato com Josimar aconteceu na sexta-feira (10), em sala de aula. Na ocasião, conta Ana Luíza, o que se via era a genuína felicidade de um homem falando sobre o tão aguardado matrimônio. “Alegria que fará falta”.

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“Ele estava muito feliz com o casamento. Na sexta-feira eu tive aula com ele, dois dias antes dele falecer, e ele estava falando que tinha feito os convites de casamento. Era só felicidade. Agora fica uma dor muito grande para os alunos, porque ninguém vai ser igual a ele. Vamos sentir muita falta”, lamentou a estudante, convicta do professor único que teve.

“Resta a saudade, o aprendizado, todos os ensinamentos que ele me deu e que eu vou levar para sempre. Todas as reflexões, o pensar antes de agir, se colocar no lugar do outro. Saudade, muita saudade. Ninguém vai ser igual a ele. Único”.

Alegria

Dos predicados mais atribuídos a Josimar Grippa, a alegria é o traço escolhido pelo professor de História Guilherme Gouvêa, de 27 anos, para definir o colega de profissão. “Se eu pudesse resumir o Josimar em algumas palavras com certeza elas seriam: alegria, disposição, generosidade, inteligência e energia. Ele vai fazer uma falta muito grande”.

Ambos se conheceram em 2016, quando Guilherme ainda era monitor no salão do vestibular no Salesiano. Daquele tempo nasceu uma relação “muito bacana” no ofício e na vida pessoal, algo que rendeu projetos e ideias levados para dentro da sala de aula. Os professores chegaram a trabalhar juntos por algum tempo na rede Doctum.

“Depois de um tempo deixou de ser um colega de trabalho e virou um amigo. A gente se ajudava muito, sempre buscando ensinar um ao outro para contribuir com o ambiente escolar. Ele era de uma generosidade muito grande”, contou Guilherme.

O sepultamento de Josimar está previsto para acontecer nesta segunda-feira (13), às 16 horas, no Parque da Paz, na Ponta da Fruta, em Vila Velha.

*Com colaboração da repórter Maria Leitão.

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