sábado, 21 de maio de 2022
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“Não houve negligência de médicas”, afirma advogado de defesa

Advogado afirma que não houve intenção das médicas de não atender adolescente que morreu

O advogado Jovacy Peter Filho afirmou que as suas clientes, duas médicas acusadas de negar atendimento de emergência a um adolescente na porta do Hospital Infantil de  Vila Velha, são inocentes e que não houve negligência, descaso ou abandono.

O adolescente Kevinn Belo Tome, de 16 anos, morreu após esperar por leito durante quatro horas, dentro de uma ambulância, na porta do Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba) na madrugada do último domingo.

Jovacy Peter Filho disse que as profissionais de saúde estavam atendendo oito pacientes ao mesmo tempo e não foram até Kevin pois estavam dedicadas aos doentes na emergência do hospital. Os nomes das médicas não foram divulgados.

Ele disse ainda que havia um leito reservado para Kevin, mas era de enfermaria e não de UTI, como ele precisava.

“Essas duas profissionais, junto à equipe de enfermeiros e auxiliares, eram diretamente responsáveis por cinco leitos de pacientes graves, ou seja, pacientes intubados. Elas estavam responsáveis por oito pacientes. Uma outra questão que se coloca é o porquê elas não prestaram atendimento, se elas foram omissas. Omissão só existe quando se pode agir de maneira diversa. Se tem oito pacientes e não pode recepcionar esse paciente, como podemos dizer que ela negou atendimento?”, afirmou.

O advogado confirmou que havia um leito de UTI que poderia ser usado para o atendimento de Kevinn, mas ele estava reservado para outro paciente, que estaria vindo de São Mateus, mas que só chegou depois que Kevin morreu.

“Vagas existiam, mas não na categoria que esse paciente precisava. O que se tem conhecimento é que havia uma vaga na UTI. Porém, essa vaga já estaria reservada para um paciente que já estaria vindo de uma cidade do interior. Mas esse paciente só veio a chegar ao Himaba após a morte do Kevinn. A primeira explicação que a secretaria precisa fornecer é por qual motivo essa vaga não foi destinada ao Kevinn. Segunda informação importante é porque a vaga destinada ao Kevinn foi de enfermaria”, questionou.

Secretário acusa 

Nésio Fernandes, secretário Estadual de Saúde, afirmou, nesta segunda-feira (02), que as médicas do pronto-socorro do Hospital Infantil de Vila Velha foram negligentes ao se recusarem a atender o adolescente.

“Houve uma omissão de socorro, uma negligência grave, uma falta grave. Não houve falha da administração. Houve, sim, uma falha grave das profissionais assistentes em não acolher o paciente”, afirmou o secretário.

De acordo com Nésio, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Himaba tinha condições de acolher o jovem, se o paciente tivesse sido atendido pelo Pronto Atendimento no momento em que chegou na unidade.

“Os fatos e as responsabilidades estão muito bem delimitadas no âmbito das responsabilidades das profissionais no pronto-socorro. O conjunto hospitalar se mobilizou para atender o paciente e todos os recursos disponíveis que estavam garantidos ao paciente estavam colocados no hospital”, disse.

Nésio afirmou que no trajeto entre Cachoeiro de Itapemirim e o hospital, em Vila Velha, o adolescente recebeu o atendimento correto. Segundo ele, o hospital referência para o tratamento seria o Himaba.

As médicas foram afastadas e a direção do hospital abriu sindicância para apurar a conduta das profissionais. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil.

“Há uma falta grave muito bem delimitada da ação das profissionais. Elas não atuam mais na unidade. Agora, a condução da investigação é realizada pela Polícia Civil.

O corpo de Kevinn foi enterrado no domingo (1°) em um cemitério da cidade de Cachoeiro. O adolescente sonhava ser jogador de futebol e era filho único.

Caso Kevinn: Associação condena afastamento de médicos e acusa Sesa de fugir da responsabilidade

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