sábado, 25 de junho de 2022
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Motoristas e usuários reclamam das novas atualizações de aplicativos

Autonomia, dinheiro extra e horário flexível. Essas são algumas das características que fazem com que as pessoas optem pela informalidade dos aplicativos de motoristas, como a Uber ou a 99. No entanto, as últimas atualizações da plataforma vem causando transtornos aos condutores e passageiros.

Duas mudanças chegaram recentemente à plataforma da Uber. Agora é possível ver o valor e o destino da viagem antes de serem aceitas. A outra é a alteração na tarifa dinâmica, quando a oferta de carros é muito menor que a procura. As novidades, no entanto, não agradaram a todos os trabalhadores e, de quebra, estão causando transtornos aos usuários, que afirmam que ficou mais difícil conseguir corridas.

A reportagem do MovNews conversou com alguns motoristas de app que explicaram que antigamente eles recebiam por km rodado e tempo, e agora a Uber passou a trabalhar com uma espécie de leilão na oferta das corridas.

O que torna impossível do motorista ter uma previsão de seus custos e ganhos, já que a mesma corrida pode ser ofertada por ‘x’ ou ‘xy’, dependendo de vários fatores, como, por exemplo, promoções e descontos.

Um dos motoristas que está sentindo os efeitos das mudanças é o Paulo Gomes, de 29 anos, que optou pelo app após perder seu emprego, há um ano. Ele conta que as mudanças estão desanimando manter o carro pessoal nas ruas do municípios da Serra e Vitória. 

“Estou há um tempo trabalhando para Uber, mas ultimamente está complicado. Temos que analisar bem se vale a pena aceitar uma corrida. Mas ficar rodando com o carro para escolher corrida gasta gasolina, que não está barato. Essa tarifa dinâmica acaba interferindo no nosso trabalho”, pontuou Paulo Gomes.

Uma das alternativas que os trabalhadores estão recorrendo para evitar os transtornos da plataforma é a corrida “por fora”. Os motoristas passam os seus contatos pessoais para os passageiros e eles combinam o valor da viagem, o que segundo Henrique Souza, de 32 anos, que trabalha com o aplicativo há sete meses, nos municípios de Vitória e Vila Velha, é mais vantajoso.

“Se for parar  para analisar, não está valendo a pena aceitar diversas corridas pelo app, por isso estamos vendo diversos usuários reclamarem. O que estamos fazendo é oferecer corridas por fora, para amigos, parentes e outros passageiros. Assim combinamos um valor justo para ambos os lados”, disse.

Usuários reclamam

Para evitar a lotação dos coletivos do sistema público, muitas pessoas recorrem ao Uber. Esse é o caso da estudante de Engenharia Elétrica, Juliana Moreira. Ela usa o aplicativo três vezes por semana, em Vitória, para ir à faculdade no período da noite. Mas há cerca de um mês está tendo dificuldades para solicitar um carro, mesmo aparecendo vários carros disponíveis.

“Realmente não está fácil. Já fiquei mais de 30 minutos para um motorista aceitar. Sabe o engraçado? As vezes evito o ônibus para ser mais rápido e acabo me atrasando esperando o Uber”, disse a estudante.

Passageiros reclamam na demorar para aceitar corrida na Uber
Passageiros reclamam na demorar para aceitar corrida na Uber

Trabalhadores de aplicativos no BR

No Brasil, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas trabalham com transporte de passageiros e entrega de mercadorias, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A maioria, 61,2%, é de motoristas de aplicativo ou taxistas, 20,9% fazem entrega de mercadorias em motocicletas e 14,4% são mototaxistas.

Vale lembrar que uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 2019, determinou que não há vínculo empregatício entre a Uber e os motoristas. De acordo com o tribunal, eles são empreendedores individuais, e não funcionários diretos da empresa.

Ou seja, a Uber não é obrigada a pagar alguns dos direitos previstos na legislação trabalhista, como férias, FGTS e multa rescisória.

 

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