quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Caso Kevinn: Associação condena afastamento de médicos e acusa Sesa de fugir da responsabilidade

A morte do adolescente Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, comoveu a população capixaba. O jovem morreu na madrugada do último sábado (30) dentro de uma ambulância após ficar cerca de quatro horas aguardando vaga em UTI no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Duas médicas que estavam de plantão foram afastadas e a Associação Médica do Espírito Santo (Ames) considerou que ambas foram pré-julgadas.

A nota de repúdio da entidade foi publicada nas redes sociais no início da noite desta segunda-feira (2) e tem como alvo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), “por realizar pré-julgamento dos médicos envolvidos no caso”.

Para a Ames, a Sesa agiu de forma precoce ao determinar o “afastamento sumário sem processo administrativo disciplinar para apuração dos fatos”. A associação acusa a pasta de agir para tentar “retirar de si qualquer responsabilidade sobre o caso”.

A secretaria se defendeu, por meio de nota, alegando que o afastamento de colaboradores ou prestadores de serviço diante de “fraude, escândalo ou algo do gênero” está previsto no Código de Conduta do Himaba e que a medida vale até a apuração da investigação, garantindo a ampla defesa das profissionais.

“Vale frisar que a investigação do caso segue pelos órgãos responsáveis e o Himaba, sempre que acionado pelas autoridades, está colaborando com as informações necessárias”, diz a nota da diretoria do hospital, enviada pela Sesa.

A pasta ressalta que abriu auditoria ainda na segunda para “avaliação de todo o processo que envolve o atendimento do adolescente Kevinn Belo Tomé da Silva”.

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Omissão

Nesta segunda, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, considerou a morte de Kevinn como “omissão de socorro” e “falta grave”. O adolescente havia sido trazido de Cachoeiro de Itapemirim, na região Sul, e estava com uma vaga garantida pelo setor de regulação do Himaba.

De acordo o Fernandes, o hospital possuía UTI em condições de atender Kevinn e poderia evitar a morte dele caso tivesse sido atendido assim que chegou à unidade de saúde.

“Houve uma omissão de socorro, uma negligência grave, uma falta grave! Não houve falha da administração. Houve, sim, uma falha grave das profissionais médicas intensivistas em não acolher o paciente”, afirmou à TV Gazeta.

O secretário ainda se solidarizou com os familiares de Kevinn e prometeu apuração rigorosa do caso. Em nota, a direção do Himaba informou que vai prestar toda assistência necessária à família do jovem. O Conselho Regional de Medicina (CRM) informou que decidiu abrir uma sindicância para apurar responsabilidades.

As médicas que deveriam atuar no caso foram afastadas e a direção do hospital abriu sindicância para apurar a conduta das profissionais. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil. O corpo de Kevinn foi enterrado neste domingo (1º), em Cachoeiro de Itapemirim.

“Houve omissão de socorro”, afirma secretário de saúde sobre morte de jovem em ambulância

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