quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Acidentes de trabalho mataram 70 pessoas no ano passado no ES

Dados nacionais do Ministério Público do Trabalho apontam que, no Brasil, foram registrados cerca de 571,8 mil acidentes, que resultaram em 2,5 mil mortes.

Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT-ES) acendem um alerta às condições encontradas por trabalhadores de diversas categorias no Espírito Santo: 70 pessoas perderam a vida em acidentes de trabalho nos 12 meses de 2021.

Ao longo de todo o ano passado, MPT-ES recebeu  11,8 mil notificações de acidentes ocorridos no local de atuação do trabalhador, sejam eles graves ou não.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, entre as profissões com maior risco de acidentes e de afastamento por problemas de saúde estão:

  • Servente de pedreiro
  • Transporte de pequenos valores
  • Motoboys
  • Trabalhadores da agricultura
  • Técnicos de enfermagem

O Motoboy Jhonston Boris da Silva sabe bem o que é sofrer as sequelas de um acidente. Segundo ele, há dois anos uma motorista não respeitou o cruzamento de uma esquina movimentada em Vila Velha, e pegou a moto dele em cheio.

“Há dois ano luto para voltar a andar. Era só o que eu queria, andar”, disse.

Ainda de acordo com o MPT-ES, entre 2012 e 2021, foram registrados 122.371 acidentes de trabalho no Estado. Nesse período, o ano que teve o maior número de registros foi 2014, com 14.053.

Devido à pandemia, a profissão de técnico de enfermagem acabou assumindo a dianteira na relação das profissões mais estressantes, perigosas e letais no Estado, com um significativo aumento de registros de acidentes.

No Brasil

Em todo o país, no ano passado, foram registradas 2,5 mil mortes por acidentes de trabalho e quase 600 mil notificações junto ao Ministério Público.

Ainda de acordo com dados do MPT-ES,  entre 2012 e 2021, foram mais de 6 milhões de acidentes em todo o País, com 23.644 mortes, equivalendo a uma morte a cada 3 horas e 50 minutos.

E os números podem ser ainda piores, pois os téncnicos do MPT-ES apontam para uma subnotificação de casos. Isso significa que, apesar deles serem alarmantes, provavelmente o número de acidentes de trabalho no Brasil é muito maior, tornando a situação ainda mais problemática.

Quem já sofreu na pele os problemas causados por um acidente de trabalho foi o pedreiro Osvaldino de Sousa Coelho, que lembra detalhes daquele que ele considera como o pior dia de sua vida.

Na ocasião, ele caiu de uma altura de oito metros, durante o trabalho em uma obra. No momento em que trabalhava, Osvaldino não usava o cinto de segurança.

Para o técnico em Segurança do Trabalho, Claudio Panunes, que há 22 anos atua numa empreiteira de construção civil, muitos empregadores deixam a desejar e não oferecem as condições básicas para que o profissional exerça suas tarefas com mais segurança. Por outro lado, Panunes avalia que muitos trabalhadores acabam facilitando, não seguindo algumas regras básicas de segurança.

“Os números mostram isso. Segurança não está na pauta do mercado de trabalho”, afirma.

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