sábado, 30 de abril de 2022
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Preço da cesta básica está em alta e compromete 60% do salário mínimo do capixaba

Preços aumentaram em todos os produtos da cesta básica pesquisados pelo Dieese. Foto: Alexandre Damazio

Termômetro da escalada da inflação no país, a cesta básica apresentou aumento no mês de março de 2022 em quase todas as capitais do Brasil.

O valor da cesta funciona como uma espécie de índice para a economia brasileira, mostrando como o aumento do preço de produtos básicos para a alimentação humana têm impacto direto na economia e, claro, no bolso do consumidor, principalmente para os mais pobres.

Em março, a inflação sobre os itens que compõem a cesta básica disparou e superou a marca de 20% no acumulado de 12 meses, segundo um estudo de professores do curso de economia da PUC-PR.

Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que o capixaba gasta, hoje, 60% do salário mínimo para a compra de itens que compõem a cesta básica.

Em março de 2022, em São Paulo, a cesta básica apresentou aumento de 6,36% em relação a fevereiro; custou R$ 761,19, e foi a mais cara entre as capitais pesquisadas. Em comparação com março de 2021, a cesta acumulou elevação de 21,60%.

Na capital do Espírito Santo, Vitória, o valor da cesta básica ficou em R$ 704,93, a sexta capital mais cara entre 18 cidades pesquisadas pelo Dieese.

Por aqui, o preço do tomate, que teve uma alta de até 57%, além da carne, com uma alta de 45%, e o arroz, com alta de 39%, puxaram o valor da cesta básica para cima, em média, em 5,4% em relação a fevereiro de 2022.

Vitória é a sexta capital com cesta básica mais cara do país.

Hora trabalhada x remuneração x comida

A pesquisa da Cesta Básica de Alimentos (Ração Essencial Mínima) realizada hoje pelo Dieese em 18 capitais do Brasil acompanha mensalmente a evolução de preços
de 13 produtos de alimentação, assim como o gasto mensal que um trabalhador teria
para comprá-los.

Outro dado importante da pesquisa são as horas de trabalho necessárias ao indivíduo que ganha salário mínimo, para adquirir estes bens. O salário mínimo necessário, também divulgado mensalmente, é calculado com base no custo mensal com alimentação obtido na pesquisa da cesta.

Preço da carne disparou segundo o Dieese.

Em março de 2022, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta
básica foi de 119 horas e 11 minutos, maior do que o registrado em fevereiro, de 114 horas e 11 minutos. Em março de 2021, a jornada necessária foi calculada em 109 horas e 18 minutos.

Salário Mínimo

Em março de 2022, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 6.394,76, ou 5,28 vezes o mínimo de R$ 1.212,00.

Em fevereiro, o valor necessário era de R$ 6.012,18, ou 4,96 vezes o piso mínimo. Em março de 2021, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.315,74, ou 4,83 vezes o mínimo vigente na época, de R$ 1.100,00.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o
desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em março de 2022, 58,57% do rendimento para adquirir os produtos da cesta, mais do que em fevereiro, quando o percentual foi de 56,11%. Em março de 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual ficou em 53,71%.

No bolso

A dona de casa Laurita Santos da Aclamação, 56 anos, tem sentido no bolso o rombo deixado pelo aumento dos alimentos. Segundo ela, o tomate, que integra a cesta básica do Dieese, foi tirado da mesa depois de passar de R$ 4,00 para quase R$ 20,00 o quilo no supermercado onde ela compra, no bairro Itararé, em Vitória.

“As coisas estão muito caras e isso reflete no bolso no final do mês. Eu faço uma doação de cesta básica todo mês, mas está ficando difícil. Antes eu comprava a cesta com todos os produtos juntos. Hoje eu compro um tanto aqui e depois vou em outro supermercado. Mas está ficando complicado comprar carne, leite, ovos. Cenoura, então, nem se fala”, reclamou.

Preço da cesta básica oscila em capitais de norte a sul do Brasil.

E dona Laurita tem razão. De acordo com o Dieese, além de terem seus preços aumentados, os produtos que compõem a cesta básica tiveram uma grande variação do percentual de aumento nas diversas regiões, entre janeiro e março:

  • O preço do feijão aumentou em todas as capitais: Variação de 1,43% e 14,78%
  • O óleo de soja aumentou em todas as capitais: Variação de 2,81% e 15,89%
  • O pão francês aumentou em todas as capitais: Variação de 5,30% e 9,30%
  • O tomate apresentou alta em 16 capitais: Variação de 35,36% e 57,73%
  • O leite integral registrou elevação de preços em 16 cidades: variação de 8,37 e 13,09%
  • O preço do quilo da manteiga aumentou em 15 capitais: As altas mais expressivas
    ocorreram em Belo Horizonte (5,19%), Goiânia (4,41%), Curitiba (3,83%) e Natal
    (3,13%).      
Inflação corroeu o poder de compra do consumidor, encarecendo a cesta básica. Foto Alexandre Damazio

No acumulado dos últimos 12 meses, 12 produtos da cesta básica tiveram alta ainda maior:

Tomate: 93,37%

Café em pó: 72,30%

Açúcar refinado: 46,21%

Batata: 34,58%

Manteiga: 24,70%

Óleo de soja: 24,14%

Farinha de trigo: 15,58%

Carne bovina de primeira: 13,36%

Pão francês: 12,76%

Leite integral: 9,03%

Banana: 6,50%

Feijão carioquinha: 6,13%

Economista vê piora

Doutor em Economia, Jorge Capucho Neto, afirma que a situação deve piorar nos próximos meses, já que o conflito entre a Ucrânia e Rússia, após dois meses, não dá sinal de recuo, o que força a manutenção da alta dos preços em esfera global.

Ainda de acordo com Capucho, a desorganização da economia brasileira, aliada à desconfiança do mercado mundial e a explosão dos preços do petróleo devem manter os preços dos produtos que compõem a cesta básica elevados.

“É um conjunto de fatores que penaliza os mais pobres, mas que atinge a população como um todo, já que toda a cadeia produtiva está envolvida na montanha russa dos preços. O trigo, por exemplo, é uma commodities que está presente no mundo todo e seu preço puxa o preço de milhares de outros produtos. Não creio em um recuo de preços nos próximos meses”, afirma.

Preços com diferenças de 200%

A reportagem do Site MovNews percorreu alguns supermercados da Grande Vitória e constatou uma diferença gritante de preços em alguns itens que compõe a cesta básica.

Nas maiores redes supermercadistas, o preço do tomate, por exemplo, fica abaixo da média de estabelecimentos menores e até mesmo de duas feiras livres realizadas na capital por exemplo.

A constatação é simples: quanto maior a quantidade comprada pelo revendedor, melhor o preço para o consumidor. Sendo assim, nossa reportagem encontrou o tomate a R$ 7,80 numa determinada rede, e a R$ 19,60 em outra rede, uma diferença de quase 200%.

Nas feiras livres dos bairros Gurigica e de Santa Teresa, ambas em Vitória, o tomate teve uma variação média, mas com viés de alta: R$ 11,90 e R$ 9,80.

A carne foi mesmo considerada uma grande vilã dos preços na Grande Vitória. Com uma variação de quase 200%, a carne de primeira, por exemplo, teve o quilo médio cotado entre R$ 45,00 e R$ 135,00, de acordo com dados dos supermercados visitados.

Tentamos contato com a Associação de Supermercadistas do Espírito Santo (ACAPS) mas não obtivemos retorno.

Veja dicas para economizar no supermercado:

  1. Faça uma lista e seja fiel a ela. Antes de sair para comprar no supermercado, é necessário fazer uma lista dos itens, de preferência, ordenando por prioridades. O uso da lista reduz a possibilidade de comprar itens por impulso e estourar o orçamento;
  2. Pesquise os preços. Hoje, com o auxílio da internet, é possível verificar quais estabelecimentos ofertam os itens da lista com preços mais em conta. É recomendado dar preferência aos que oferecem mais produtos em conta;
  3. Analise o preço em vários estabelecimentos, buscando o mais barato de cada item. Com os combustíveis com preços pela “hora da morte”, a economia nos itens da cesta básica pode acabar sendo gasta na locomoção.
  4. Não leve os filhos pequenos nas compras, pois eles tendem a pedir coisas que não estão na lista de compras;
  5. Compre hortifrútis nas feiras. São mais frescos, mais baratos e ainda é possível ajudar o produtor rural;
  6. Varie o cardápio. É preciso buscar fontes de proteínas mais baratas, como porco, aves ou mesmo peixes. Se não abre mão de carne vermelha, pode buscar outras opções. “Uma carne de primeira pode ser tão gostosa como qualquer outra, dependendo da pesquisa”, lembra a economista;
  7. Evite desperdícios. Deve planejar bem a compra em função do consumo da família e comprar o suficiente para abastecê-la durante o período, evitando que os alimentos pereçam.
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