quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Exclusivo: Mãe de ciclista morta em Camburi desabafa: “Acabou com a minha vida”

A vida de uma família destruída, sonhos interrompidos e o que fica é um vazio no peito. A morte por atropelamento da modelo Luísa Lopes, de 24 anos, ocorrido na última sexta-feira (15), na Praia de Camburi, em Vitória, deixou marcas profundas em sua família. “Acabou com a minha vida”, desabafou a mãe da jovem, Adriani Luiza da Silva.

A suspeita do crime é a corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, de 33 anos, que teria atropelado Luísa enquanto ela atravessava, de bicicleta, a Avenida Dante Michelini. Os policiais que atenderam à ocorrência relataram que a motorista apresentava sinais de embriaguez. Adriana chegou a ser presa, mas foi liberada após pagar fiança de R$ 3 mil.

Testemunhas disseram que outro carro teria atingido Luísa e a arremessado contra o veículo dirigido por Adriana. A Polícia Civil, que investiga o caso e até já solicitou as imagens das câmeras da Prefeitura de Vitória, tipificou o crime apenas como embriaguez ao volante.

A mãe de Luísa, Adriani Luiza da Silva, de 54 anos, tenta se manter estabilizada nesse momento de dor profunda enquanto clama por justiça. Em entrevista exclusiva ao Portal MovNews, ela revela detalhes de uma trajetória de vida, além da união e amor entre mãe e filha.

Adriani conta ainda os sonhos que Luísa tinha, como foi a última conversa, o momento em que recebeu a notícia da morte da filha e encerra fazendo um apelo emocionado para que tragédias como essa não voltem a acontecer.

Luísa Lopes e sua mãe, Adriani Luiza. Foto: Arquivo Pessoal.

Quais eram os sonhos da Luísa?

“Luísa tinha muitos sonhos, como ir pra fora do país para estudar. Sempre incentivei, mesmo com o coração apertado. Ela falava que se conseguisse ir pra o exterior, pagaria a minha passagem para que eu fosse com ela depois. A gente sempre incentivava esses sonhos, mas trazíamos ela para a realidade. Sempre mostramos nossas dificuldades e conversamos sobre a importância de fazer um planejamento, além de ter dedicação para conseguir concretizar tudo isso.”

Carreira de modelo 

“Ela queria seguir a carreira de modelo, mas fazia muitas coisas ao mesmo tempo. Ela criticava os padrões de beleza. A questão da imagem pra ela não era a física e sim o que a pessoa é.”

Pessoa de luz nas redes sociais

“Luísa ficava no Instagram e também falava muito de questões sociais. Gostava muito de se comunicar, de passar uma mensagem, dar alegria as pessoas e fazer todos rirem. Era uma pessoa de muita luz. Todos que a conheciam gostavam de ficar próximo dela.”

Luísa Lopes era modelo. Foto: Kelly Martins Fotografias

Relação entre mãe e filha

“Sempre tivemos uma relação muito afinada. Ela não morava mais comigo, estava numa república perto da Ufes. Mas seguia sempre presente em minha vida. Eu dava muitos conselhos e ela me contava tudo: decisões que iria tomar, assuntos de viagem e outros temas que envolvem mãe e filha”.

Separação dos pais ainda criança

“(Quando Luísa era criança) Nós moramos algum tempo em Cariacica, mas com a separação do pai biológico dela, fomos para Barcelona, na Serra. Ela conseguiu lidar bem com essa questão, mesmo com apenas seis anos de idade.”

Mãe deu aula para a filha

“Na escola, eu fui professora dela na segunda série. Luísa sabia diferenciar isso na sala de aula. Às vezes tinha uma troca de olhar, de mãe e filha, mas ela sabia conduzir essa relação. Sempre foi muito disciplinada, mas isso também foi muito conversado em casa. Ela sabia separar as coisas”.

Luísa Lopes no colo da mãe, Adriani Luiza

Crescimento

“Nossa vida sempre foi de luta, de muita garra. Eu sou professora, o pai dela (atual marido) é agente penitenciário. Fomos mostrando as coisas reais da vida e não tentando criá-la em um mundo de fantasia.”

Samba, praia, reggae e MPB

“Luísa gostava muito de dançar, tanto que desfilava pela Jucutuquara e era sempre muito alegre. Gostava de ficar com os amigos e neste momento eles nos fortalecem muito. Ela sempre foi muito praiana. Gostava muito de reggae e música popular brasileira.”

Voltar ao local do acidente

“Vou ao ato desta terça-feira (19). Voltar aquele lugar está sendo uma tristeza muito grande, mas eu tenho que fazer esse sacrifício. Eu falo com você, mas estou tentando me reestabelecer. É uma dor muito grande, porque parece que tirou o meu chão. Tenho evitado olhar algumas coisas na TV, foram cenas fortes, mas eu também preciso criar possibilidades para buscar justiça pelo que aconteceu.”

Luísa Lopes ao lado de familiares. Foto: Arquivo Pessoal.

Opinião sobre o acidente

“É um crime que foi cometido. Uma mulher embriagada e as coisas que ela disse, foi muito cruel. A partir do momento em que ela pegou um carro bêbada, que ela colocou a primeira dose na boca, ela já assumiu o risco de matar alguém. E foi minha filha”.

O que diria se ficasse frente a frente com a motorista?

“Olha, eu nem sei o que eu diria pra essa pessoa. É muito difícil. Foi um erro dela? Não sei. Vem vários sentimentos que me deixam muito desequilibrada. Não gostaria de falar nada”.

Última conversa com a filha

“Foi por telefone. Ela tinha me falado que iria à praia. Não sabia se iria a pé ou de bicicleta, mas foi. Perguntei se ela iria sozinha, por causa do feriado, pouca gente na rua. Ela falou que iria tentar arrumar alguém pra acompanhá-la, mas acabou indo pedalar sozinha mesmo.”

Ligações não atendidas

“Estava dando nove horas, nove e meia, eu estava tentando falar com a Luísa e nada dela me responder. No dia seguinte nós iríamos ter um encontro em família. Falei que iria passar no outro dia, às 10 horas, e ela não me respondia. Aquilo foi me dando um aperto no coração.”

Luísa Lopes ao lado da mãe, Adriani Luiza. Foto: Arquivo Pessoal.

Amiga dá notícia do atropelamento

“Quando foi por volta das 10 horas da noite, eu estava em casa. Uma amiga de longa data, mas que eu não falava há algum tempo, me ligou perguntando ‘você está em casa?’. Eu falei que estava e ela me disse ‘pois é Adriane, eu acho que a Luísa foi atropelada’. Mas ela não me falou a gravidade. No velório ela me falou que não teve coragem de me falar o que tinha acontecido realmente.”

Notícia da morte de Luísa

“Mudei a roupa, liguei para uma colega da Luísa que dividia apartamento com ela e ainda falei que estava indo para o hospital. Achávamos que ela tinha sido atropelada e levada para o hospital. Porém, no meio do caminho, uma outra amiga me liga e fala ‘Adriane, passa em casa e pega um documento de Luísa, porque… olha a reportagem, olha aí o que está acontecendo’. Ela também não teve coragem de me falar. Quando eu abri, desabou tudo pra mim. Não sabia nem o que fazer, meu marido dirigindo e eu falei pra ele ‘já aconteceu, ela tá morta (choro). Aí ficamos desesperados”.

Velório e enterro

“A gente não tinha noção do que tinha acontecido. Quando eu vi minha filha naquele velório, com a cabeça toda costurada, descobri que o corpo foi arrastado e o carro estava em alta velocidade. Aquilo foi muito triste, muito. É uma dor que eu não consigo mensurar (choro).”

Luísa Lopes ao lado da mãe, Adriani Luiza. Foto: Arquivo Pessoal.

Apelo emocionado

“Que as pessoas pensem antes de pegar um carro depois de terem tomado qualquer bebida alcoólica ou ter usado drogas, porque está colocando em risco não só a própria vida, mas também a de outras pessoas. Olha só o que ela fez, acabou com a minha família, acabou com a minha vida. Eu estou tentando buscar forças para que seja feita justiça. Álcool não combina com direção”.

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