sábado, 21 de maio de 2022
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1° de Abril: dos trotes e brincadeiras às fake news

É chegado mais um Dia da Mentira. Neste 1° de abril, vêm os trotes em amigos e parentes. De brincadeiras bobas a complexas tramas para pegar os desprevenidos, surgem assim momentos de descontração logo que revelada a verdade. Mas em tempos de redes sociais, aquecidas de inverdades, cresce também o temor pela desinformação nua e crua, aliada ao receio do que isso possa causar em ano eleitoral.

Mas como surgiu esse dia? Bom, muitas são as teorias sobre como se instituiu a data também conhecida por Dia dos Tolos ou Dia dos Bobos, mas a ideia se baseia numa substituição temporal feita no calendário adotado pela humanidade em outras épocas.

Segundo explica o escritor e professor de História Luiz Antônio Simas, não é possível precisar como se deu a consagração popular de que o primeiro dia do quarto mês do ano é a data em que se contam mentiras.

“Não se sabe exatamente como o 1° de Abril passou a ser consagrado como o Dia da Mentira. Alguns dizem que tudo começou quando o Calendário Gregoriano, estabelecido pelo Papa Gregório XIII (1502-1585) em 1582, alterou oficialmente a data do ano novo para 1° de janeiro, retomando a proposta do calendário elaborado por Júlio Cesar (100 a.C.-46 a.C.), em Roma”.

A explicação consta em trecho de seu livro “Almanaque Brasilidades – Um inventário do Brasil popular”, publicado pela primeira vez em 2018. Simas discorre sobre a forma como a mudança no calendário não foi bem recebida em parte da Europa, recusa especialmente creditada aos franceses, que teriam passado então a ser alvos de zombaria.

Não se sabe exatamente como o 1° de Abril passou a ser consagrado como o Dia da Mentira. Alguns dizem que tudo começou quando o calendário gregoriano, estabelecido pelo Papa Gregório XIII em 1582 alterou oficialmente a data do ano novo para 1° de janeiro, retomando a proposta do calendário elaborado por Júlio Cesar em Roma.

“Em vários lugares da Europa, a data proposta pelo Calendário Juliano fora desprezada e era comum que os festejos do início do ano fossem realizados no equinócio de primavera no Hemisfério Norte, entre 20 e 21 de março [20 e 21 de setembro no Hemisfério Sul], e se estendesse até o dia 31. Por equívoco ou birra com a data confirmada pelo Calendário Gregoriano, muitos europeus continuaram comemorando a passem do ano na data antiga. Viria daí o mote para os trotes de 1° de abril, o falso primeiro dia do ano”, acrescenta.

O historiador também aponta outra possível origem para a tradição de enganar os outros. “Há quem atribua a data ao antigo hábito romano, lembrando que em Roma eram comuns os trotes dados durante o equinócio da primavera”, completa.

Cá no Brasil, a prática pode ter sido oficializada, ironicamente, pela imprensa. O dia 1° de abril de 1828 marca a estreia do jornal mineiro “A Mentira”, cuja primeira edição trazia logo em sua capa a morte do Dom Pedro I. Uma lorota, pois o então imperador morreria somente em 1834, em Queluz, Portugal. A história foi desmentida, mas o periódico seguiu à risca o nome e a linha editorial disseminando por cerca de 20 anos boatos e fazendo troça da alta sociedade da época.

Fake news

Passados os séculos até a chegada da internet, com o mundo intimamente conectado e trocando informações cada vez mais rápido, surgem as redes sociais e os aplicativos de trocas de mensagens. Redutos em que dados e informações inverossímeis correm soltos e ameaçando reputações e lançando o medo sobre questões realmente sérias, tal qual as eleições.

Neste cenário, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 2630/2020. A proposta tem como relator o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e teve uma nova versão apresentada na Casa nesta quinta-feira (31). Com pedido de urgência, o texto deve ser votado no Plenário na próxima semana e cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

De autoria do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), a matéria cria novas regras para provedores de redes sociais, aplicativos de trocas de mensagens instantâneas e ferramentas de busca na internet que tenham mais de 10 milhões de usuários registrados no Brasil.

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