segunda-feira, 16 de maio de 2022
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Vereador volta a mandar colega calar a boca no plenário da Câmara de Vitória

Num dia, flores, palavras de apoio, parabéns e muita cordialidade. No outro, 24 horas após o Dia Internacional da Mulher (08), as duas únicas vereadoras da Câmara de Vitória voltaram a ser insultadas pelo vereador Gilvan da Federal (Patriotas).

A data de lembrar das lutas das mulheres por direitos iguais foi precedida de gritos de “cala a boca” contra a vereadora Camila Valadão (PSOL), nesta quarta-feira (09), no meio do plenário. O autor da falta de decoro e da boa educação foi o vereador Gilvan da Federal (Patriota).

Camila, segunda vereadora mais bem votada do último pleito, e a petista Karla Coser são as únicas parlamentares do gênero feminino no legislativo da capital.

Os vereadores homens da Casa, que no dia anterior fizeram homenagens ao Dia da Mulher, sequer reagiram à atitude desrespeitosa de Gilvan, apenas assistiram à cena com naturalidade e aceitação.   

Coube à vereadora Karla Coser (PT) quebrar o silêncio sobre a cena e sair em defesa de Valadão.

“É inaceitável um vereador ouvir outro vereador mandar uma mulher, e também parlamentar, ‘calar a boca’ e não ter nenhuma atitude de indignação. Não quero só flores no dia da mulher, quero que vocês, vereadores, fiquem indignados e insubordinados como eu fico”, pontuou Karla Coser, que inclusive esteve no dia anterior na Marcha das Mulheres por direitos iguais, realizada na tarde de terça-feira (8), no Centro de Vitória.

O histórico de agressões verbais na Câmara de Vitória contra as vereadoras se arrasta desde o início desta legislatura, há um ano e três meses. No Dia da Mulher do ano passado, o vereador Gilvan da Federal disse que a roupa da vereadora Camila Valadão ‘não era formal’ para a sessão extraordinária do dia 8 de março.

Algumas considerações sobre o regimento interno. Creio que os vereadores aqui têm que estar com traje informal, e na minha opinião a vereadora não está com traje formal para a sessão”, disse o vereador.

A blusa usada pela vereadora era vermelha, de manga comprida no braço direito e expunha o ombro esquerdo. De acordo com Camila, ela já usou a mesma blusa em outras sessões e não gerou polêmica.

Os atos do vereador, considerados incompatíveis com o decoro parlamentar, vêm sendo questionados em denúncias encaminhadas ao corregedor-geral da Câmara, Anderson Goggi (PTB) mas, até aqui, todas foram engavetadas.

Já na Justiça, sofreu uma derrota depois de ameaçar acuar uma professora por conta de uma atividade escolar que tinha como tema os significados do termo LGBTQIA+ e do Mês do Orgulho LGBT. Na sentença, proferida na manhã desta quarta-feira (23), o juiz Victor Queiroz Shchneider, do 2º Juizado Especial Cível de Vitória, estipulou indenização de R$ 5 mil.

O magistrado destacou que o caso presente evidencia a necessidade de equilibrar os conceitos de liberdade de expressão, a imunidade parlamentar e a dignidade da pessoa humana.

Tentamos falar com o vereador por celular mas não obtivemos resposta.

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