quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Vacinados tem menos chance de terem covid Longa, diz infectologista

Você sabe o que é a covid longa? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS),  se trata de pelo menos quatro semanas a mais de persistência dos sintomas da covid-19 e que acomete entre 10% a 30% dos infectados pela doença mundialmente. Estudos já mostram que o problema afeta principalmente pessoas não vacinadas contra o novo coronavírus.

A maioria das pessoas que se infectam com o vírus da covid-19 não ficam gravemente doente e tem uma melhora relativamente rápida. No entanto, algumas apresentam problemas de longo prazo após se recuperarem da infecção original, mesmo que não tenham ficado muito doentes inicialmente.

Cansaço extremo; falta de ar, palpitações no coração, dor ou aperto no peito; problemas de memória e concentração, alterações no olfato e paladar e dor nas articulações são algumas das sequelas percebidas. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Reino Unido na plataforma de pré-impressão Research Square, 115 sintomas tendem a persistir segundo os relatos de pacientes curados pela covid-19.

Sabe-se até o momento que algumas condições parecem aumentar o risco da covid longa. Segundo a OMS, a carga viral elevada no início da infecção, presença de certos autoanticorpos (anticorpos que atacam o próprio organismo), reativação do vírus Epstein-Barr e comorbidades como diabetes tipo 2.

O pulmão, cérebro e o sistema imunológico e circulatório após a infecção do vírus sofrem danos que podem estar associados aos sintomas da covid longa. De acordo com estudos, uma das possíveis causas da persistência da doença é a luta que o corpo enfrenta contra os resquícios do coronavírus logo depois da contaminação.

Essa luta comprova que o material genético da covid-19 permanece por meses em tecidos como intestinos e linfonodos.  Sendo assim, esses reservatórios virais podem ainda ter a capacidade de prolongar a inflamação, assim como a possibilidade de gerar outros sintomas como confusão mental e problemas gastrointestinais.

De acordo com o médico infectologista capixaba,  Lauro Ferreira Pinto, a discussão sobre a covid longa começou ainda no primeiro ano de pandemia, quando institutos americanos e europeus começaram a notar que diferente das pessoas que tinham gripe e que depois de alguns dias estavam curadas e retomavam a vida normal, pacientes com covid-19, após três ou quatro semanas ainda estavam com sintomas e com dificuldades de retornar as suas rotinas normais.

“Isso tem aumentado os estudos do  que chamamos de covid longa. Então nos Estados Unidos, na europa e agora no Brasil diversos institutos têm estudado isso para entender o que ocorre. Será que algumas pessoas tem persistência de ativação viral? é menos provável. O mais provável é que seja uma resposta inflamatória mais demorada e com repercussões em órgãos diversos nas pessoas”, explicou o médico.
Lauro ainda explicou que ainda não existem exames específicos que detectam uma pessoa com covid longa, e que a abordagem é geralmente multidisciplinar, o que envolve diversas áreas do conhecimento como clínicos, cardiologistas porque tem pessoas que têm palpitação, arritmia cardíaca ou desmaios, eventualmente neurologistas com pessoas que têm dificuldades cognitivas e de memória, fisioterapeutas, terapia comportamental, psicólogos, entre outros.
Além disso, o que existe de concreto sobre a covid longa é estimular uma boa higiene do sono. De acordo com o infectologista, existem muitas pessoas que tem muita dificuldade com o sono, que se deve evitar o uso de remédio, e sim estar em um ambiente escuro, tentar ficar longe de tela, de bebidas estimulantes como álcool, cafeína, chocolate e tentar fazer algum tipo de atividade física. Além disso, que pessoas vacinadas têm menos covid longa e que a vacina ajuda a diminuir o risco ou a controlá-la.
“São abordagens de caso a caso, então uma pessoa que tem muita tosse eventualmente vai tomar algum remédio para isso, que tem fadiga faz algum tipo de reabilitação pulmonar, então são abordagens que são multidisciplinares, que envolve mais de um profissional, mais de uma especialidade. Não existe um remédio específico para se dar, mas tem que reconhecer que o problema existe, ele é abordado de forma individual, cada pessoa é uma pessoa, mas com o tempo a maioria é reintegrada a sua vida normal”, ressaltou Lauro.
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